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COM O QUE SE PARECE A IRA DE DEUS

Posted by Josemar Bessa on Sábado, Novembro 14, 2009 , under , | comentários (0)




A raiz de nossa infelicidade parece ser a inquietante suspeita de que idéias sobre a ira sejam de alguma forma indignas de Deus. Para alguns, por exemplo, "ira" sugere perda do autocontrole, o ato de "ver tudo vermelho", o que, em parte, se não no todo, é puramente irracional. Para outros, sugere o furor da impotência consciênte, o orgulho ferido, ou simplesmente mau gênio. Certamente, dizem, seria errado atribuir a Deus atitudes como essas.
A resposta é: de fato seria, mas a Bíblia não nos pede que façamos isso. Parece haver aqui um mal-entendido quanto à linguagem antro-pomórfica das Escrituras, isto é, a descrição das atitudes e emoções de Deus em termos comumente usados para se referir aos seres humanos. A base dessa prática é o fato de que Deus fez o ser humano a sua imagem, assim nossa personalidade e nosso caráter são mais semelhantes à natureza de Deus que qualquer outra coisa conhecida. Entretanto, quando as Escrituras falam de Deus antropomorficamente, não implica que as limitações e imperfeições características das pessoas, criaturas pecadoras, pertençam também às qualidades correspondentes de nosso santo Criador; ao contrário, tem-se por certo que isso não acontece.
Assim, o amor divino, como a Bíblia o vê, nunca leva Deus a agir insensata, impulsiva e imoralmente, como seu correlato humano muito freqüentemente nos leva. Do mesmo modo, a ira de Deus na Bíblia jamais é caprichosa, auto-indulgente, irritável e moralmente ignóbil, como em geral é a ira humana. Ao contrário, a ira de Deus é a reação justa e necessária à perversidade moral. Deus só se ira quando a situação o exige.
Mesmo entre os seres humanos, há o que chamamos indignação justa, embora talvez seja raramente encontrada. Entretanto toda indignação de Deus é justa. Um Deus que tivesse tanto prazer no mal quanto no bem seria um Deus bom? Um Deus que não reagisse contra o mal em seu mundo seria moralmente perfeito? É claro que não. Pois é exatamente esta reação contra o mal, parte necessária da perfeição moral, que a Bíblia tem em vista quando fala da ira de Deus.
Para outros então, imaginar sobre a ira de Deus sugere crueldade. Pensam, talvez, no que se conta sobre o famoso sermão de Jonathan Edwards, Pecadores nas mãos de um Deus irado, usado para levar ao despertamento a cidade de Enfield, na Nova Inglaterra, em 1741. Nesse sermão, Edwards, ao desenvolver o tema de que "os homens impenitentes estão detidos nas mãos de Deus por cima do abismo do inferno", usou da mais vivida imagem da fornalha ardente para levar sua congregação a sentir o horror de sua situação e reforçar assim sua conclusão: "Portanto, todo aquele que está fora de Cristo desperte agora e fuja da ira vindoura".
Qualquer pessoa que leu esse sermão saberá que Augustus H. Strong, o grande teólogo batista, estava certo quando salientou que as imagens apresentadas por Edwards, embora claramente focalizadas, não passavam de imagens. Ou seja, que Edwards "não considera o inferno um lugar composto de fogo e enxofre, mas uma consciência culpada e acusada de falta de santidade e separação de Deus, as quais são simbolizadas pelo fogo e pelo enxofre". Mas isto não satisfaz inteiramente as críticas feitas a Edwards de que o Deus capaz de infligir uma punição que requer tal linguagem descritiva deve ser um monstro terrível e cruel.


Isto tem fundamento? Duas considerações bíblicas mostram que não.


Em primeiro lugar, a ira de Deus na Bíblia é sempre judicial, isto é, a ira do juiz aplicando a justiça. A crueldade é sempre imoral, mas a pressuposição explícita de tudo o que vemos na Bíblia — e no sermão de Edwards com respeito ao assunto — sobre os tormentos de quem experimentará a plenitude da ira de Deus é que cada um recebe exatamente o que merece. O "dia da ira", diz Paulo, é também o dia "quando se revelará o seu justo julgamento. Deus 'retribuirá a cada um conforme o seu procedimento'" (Rm 2:5,6). O próprio Jesus, que na realidade tinha mais para dizer sobre este assunto do que qualquer outra figura do Novo Testamento, salientou que a recompensa seria proporcional ao merecimento individual.


Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites. Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo receberá poucos açoites. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado muito mais será pedido.
Lucas 12:47,48


Diz Edwards no sermão já citado: Deus "fará que sofram na medida exata que sua rigorosa justiça vier a requerer"; mas é exatamente esse "estritamente exigido pela justiça", ele insiste, que será tão doloroso para os que morrem na descrença. Se se perguntar: pode a desobediência ao Criador realmente merecer um castigo tão grande e doloroso? Qualquer pessoa que já esteja convicta de seu pecado sabe sem sombra de dúvida que a resposta é afirmativa, e sabe também que aqueles cuja consciência não foi ainda despertada para considerar, como disse Anselmo, "como o pecado é pesado" não estão qualificados para opinar.
Em segundo lugar, a ira de Deus na Bíblia é algo que as pessoas escolhem por si mesmas. Antes de o inferno ser uma experiência imposta por Deus, é a condição pelo qual a pessoa optou, afastando-se da luz que Deus faz brilhar em seu coração para dirigi-lo por si. João escreveu: "quem não crê [em Jesus] já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus". E continuou explicando: "Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más" (Jo 3:18,19). É exatamente isso o que João quer dizer: o ato decisivo da condenação sobre os perdidos reside no juízo auto-imposto pela rejeição da luz que os alcança em Jesus Cristo e por meio dele. Em última análise, tudo o que Deus faz subseqüentemente, aplicando a ação judicial ao descrente, é com a finalidade de mostrar-lhe a conseqüência total da escolha que fez e levá-lo a senti-la.


A escolha básica sempre foi e continua sendo simples: responder à intimação "Venham a mim ... Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim" (Mt 11:28,29), ou não atendê-la; "salvar" sua vida evitando a censura de Jesus e resistindo a sua ordem para assumir o controle da mesma ou "perdê-la" negando a si mesmo, carregando sua cruz, tornando-se discípulo, deixando que Jesus atue em sua vida como lhe aprouver. No primeiro caso, Jesus nos diz, podemos ganhar o mundo, mas não tiraremos nenhum proveito disso, pois perderemos a alma, enquanto, no segundo caso, perdendo a vida por amor a ele, a encontraremos (Mt 16:24-26).
O que significa, então, perder a alma? Para responder a essa pergunta Jesus usa suas figuras solenes: Geena ("inferno", em Mc 9:47 e em outros dez textos do Evangelho), o vale fora de Jerusalém onde o lixo era queimado; o verme que não morre, imagem, ao que nos parece, da dissolução contínua da personalidade mediante a consciência acusadora; fogo, pela agonizante consciência do desprazer de Deus; trevas exteriores, pelo conhecimento da perda, não apenas de Deus, mas de tudo o que é bom e tudo o que torna a vida digna de ser vivida; ranger de dentes pela autocondenação e repulsa íntima.
Estas coisas são, sem dúvida, terrivelmente sombrias, embora os que estão convencidos do pecado conheçam um pouco de sua natureza. Tais punições, contudo, não são arbitrárias, ao contrário, representam o desenvolvimento consciente rumo à situação que a pessoa escolheu para si. O descrente preferiu ser independente, sem Deus, desafiando-o, tendo-o contra si, e terá, então, o que prefere. Ninguém permanecerá sob a ira de Deus a menos que o queira. A essência da ação divina na ira é dar às pessoas o que escolheram, com todas suas implicações; nada mais e nada menos. A presteza de Deus em respeitar a escolha humana em toda a extensão pode parecer desconcertante e mesmo aterradora, mas é claro que sua atitude aqui é essencialmente justa, e muito diferente do sofrimento infligido arbitrária e irresponsavelmente — o que consideramos crueldade.
Precisamos, portanto, lembrar que a chave da interpretação para muitas passagens bíblicas, no geral majoritariamente figuradas, que mostram o Rei e Juiz divino agindo contra o ser humano com ira e vingança, está em compreender que o que Deus faz nada mais é que confirmar o veredicto já proclamado sobre si mesmos por aqueles aos quais "visitou", tendo em vista o caminho que resolveram seguir. Isto aparece na narrativa do primeiro ato da ira de Deus para com ser humano, em Gênesis 3, onde vemos que Adão resolveu por si mesmo se esconder de Deus e sair de sua presença antes mesmo que Deus o expulsasse do jardim; e esse mesmo princípio é usado em toda a Bíblia.


James Ian

CONHECIMENTO PESSOAL VERDADEIRO - JOÃO CALVINO

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AS DUAS FACETAS DO REAL CONHECIMENTO DE NÓS MESMOS


Embora a verdade de Deus nisto concorde com o consenso geral de todos os mortais, a saber, que o segundo aspecto da sabedoria reside no conhecimento de nós mesmos, entretanto é grande a divergência na própria maneira de alcançar esse conhecimento. Ora, segundo o método da carne em seu julgar, o homem parece ter aprofundado conhecimento de si até que, arrimado tanto em seu entendimento, quanto em sua integridade, se deixa dominar pela ousadia e se incita aos reclamos da virtude, e declarada guerra aos vícios tenta aplicar-se com todo empenho àquilo que é nobre e honroso.
Quem, no entanto, se mira e examina segundo a norma do juízo divino, nada encontra que eleve seu ânimo à genuína confiança pessoal. E quanto mais penetrantemente a si perscruta, tanto mais se deprime, até que, havendo abdicado inteiramente a toda confiança pessoal, nada deixa a si mesmo para regular a vida retamente.
Contudo, tampouco quer Deus que nos esqueçamos de nossa nobreza primeva, nobreza que conferira a nosso pai Adão, nobreza que por certo deve, com razão, despertar nosso zelo pela justiça e pela bondade. Pois não podemos sequer pensar, seja em nossa própria condição original, seja para quê fomos criados, que não sejamos acicatados a meditar na imortalidade e a anelar pelo reino de Deus. Tão longe está, porém, este reconhecimento de fomentar-nos a presunção, ao contrário, subjugada esta, à humildade nos prostra.
Ora, que condição original é essa? Evidentemente, aquela da qual decaímos. Qual é o propósito de nossa criação? Aquele do qual estamos de todo alienados. Por isso, enfastiados de nossa mísera situação, gemamos; e, gemendo, suspiremos por aquela dignidade perdida. Quando, porém, dizemos que ao homem importa nada ver em si próprio que o torne presunçoso, queremos dizer que nada existe nele cujo arrimo se deva tomar como motivo de orgulho.
Portanto, se assim se prefere, dividamos o conhecimento de si próprio que o homem deve ter, de tal modo que, em primeiro lugar, considere para que fim foi criado e provido de dotes que não se deve desprezar, mercê de cuja reflexão se desperte à meditação do culto divino e da vida futura; em segundo lugar, pondere suas capacidades; ou, de fato, sua carência de capacidades, a qual, uma vez percebida, se prostre em extrema confusão, como que reduzido a nada. A primeira consideração tende a isto: que o homem reconheça qual seja seu dever; a segunda, de que recursos dispõe para desempenhá-lo. A um e outro desses dois aspectos haveremos de discutir, segundo o exigir a seqüência da exposição.

AUTOGLORIFICAÇÃO E IGNORÂNCIA - J. CALVINO

Posted by Josemar Bessa on Sexta-feira, Novembro 13, 2009 , under , , | comentários (0)




O CONHECIMENTO PRÓPRIO EMBOTADO PELA AUTOGLORIFICAÇÃO-


A verdade de Deus, indubitavelmente, prescreve que devemos examinar-nos a nós mesmos, isto é, ela requer conhecimento de tal molde que não só nos afaste para longe de toda confiança de capacidade pessoal, mas ainda, destituídos de toda razão de gloriar-nos, nos conduza à submissão. Esta regra convém manter, caso queiramos atingir à justa meta, seja do saber, seja do agir.
Nem me é oculto o quanto se deve aplaudir esse parecer, seja que nos convida antes a considerar o que haja de bom em nós, ou a atentar para nossa deplorável miséria, juntamente com nossa indignidade, a qual nos deve esmagar de vergonha.
Com efeito, nada há que a natureza humana mais cobice que ser afagada por lisonjas. E por isso onde ouve que seus predicados se revestem de grande realce, para esse rumo propende com extrema credulidade. Portanto, não é de admirar que, neste ponto, se haja transviado, de maneira profundamente danosa, a maioria esmagadora dos homens. Ora, uma vez que é ingênito a todos os mortais que sintam um cego amor por si mesmos, de muito bom grado se persuadem de que nada neles existe que, com justiça, deva ser abominado. Dessa forma, mesmo sem influência de fora, por toda parte obtém crédito esta opinião totalmente fútil: que o homem é a si amplamente suficiente para viver bem e venturosamente. Porque, se alguns há que se revelam possuidores de mais modéstia, a tal ponto que concedam algo a Deus para não parecer que atribuem tudo a si mesmos, de tal maneira repartem entre Deus e eles, que a principal parte da glória, e toda a presunção, sempre fica para eles.
Ora, se uma palavra ocorre que, com seus afagos, lisonjeie o orgulho que faz espontâneo comichão nas entranhas do homem, nada há que mais o deleite. Daí, ao ser acolhido com grande aplauso de quase todos os séculos, cada um, com seu encômio, sente que foi exaltada mui favoravelmente a excelência da natureza humana. Mas, na verdade, qualquer que seja tal enaltecimento da excelência humana que ensine o homem a estar satisfeito em seu íntimo, com nenhuma outra coisa mais se encanta do que com essa afabilidade própria; e de fato tanto o engana, que todos quantos concordam com isso, na mais deplorável ruína os perde. Pois, a que leva, estribados em toda fútil confiança pessoal, deliberar, planejar, tentar, empreender aquilo que julgamos pertinente à condição, e já em nossos primeiros esforços de fato nos quedamos deficientes e carentes, seja de são entendimento, seja da verdadeira virtude, contudo prosseguirmos, obstinadamente, até que nos precipitemos à ruína? E, no entanto, aos que confiam poder fazer algo de sua própria capacidade não pode suceder de outra maneira.
Portanto, se alguém dá ouvidos a tais mestres que nos incitam a tão-somente mirarmos nossas boas qualidades, não avançará no conhecimento de si próprio; ao contrário, se precipitará na mais ruinosa ignorância.

SOFRIMENTO, A ESCOLA DE DEUS – SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on , under , | comentários (0)




Dizemos que o Capitão da nossa salvação tornou-se perfeito por meio do sofrimento – “Embora sendo filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8) – portanto nós, que somos pecaminosos, e estamos longe de ser perfeitos, não nos admiremos se formos chamados a passar também por sofrimentos.
Será a cabeça coroada de espinhos, e estarão outros membros do corpo a rodopiar em torno dos regalos do bem-estar? Deve Cristo passar por mares de seu próprio sangue para conquistar a coroa, e estamos a caminhar em direção ao céu com os pés enxutos e sapatilhas de prata?
Não! A experiência de nosso Mestre ensina-nos que o sofrimento é necessário, e o filho nascido de Deus não deve escapar, e não escapará, se puder. Mas há um pensamento muito confortante no fato de “ser feito perfeito por meio do sofrimento” de Cristo. É que Ele pode ter completa simpatia por nós. “Ele não é um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas.”
Nesta simpatia de Cristo, encontramos um poder sustentador. Um dos antigos mártires disse: “Posso suportar tudo, pois Jesus sofreu, e Ele sofre em mim agora; Ele simpatiza comigo, e isto me faz forte”.
Crente, apodere-se dessa idéia em todos os momentos de agonia. Que a idéia de Jesus fortale-ça-o à medida que caminha em seus passos. Encontre um amável suporte em sua simpatia; e lembre-se de que sofrer é uma coisa honrosa – sofrer por Cristo é glória.
Os apóstolos regozijaram-se por terem sido contados dignos de fazer isto. Na medida em que o Senhor nos dá graça para sofrer por Cristo e sofrer com Cristo, Ele, na mesma proporção, nos honra. As jóias de um cristão são as suas aflições. As regalias dos reis que Deus tinha ungido são seus transtornos, suas angústias, suas mágoas.
Não evitemos, portanto, de ser honrados. Não nos desviemos de ser exaltados. As mágoas nos exaltam, e os transtornos elevam-nos. “Se sofremos com Ele, com Ele reinaremos”.

O CONHECIMENTO DE NÓS MESMOS - CALVINO

Posted by Josemar Bessa on Quinta-feira, Novembro 12, 2009 , under , , | comentários (0)




PELA QUEDA E DEFECÇÃO DE ADÃO TODO O GÊNERO HUMANO FICOU SUJEITO À MALDICÃO E DECAIU DA CONDIÇÃO DE ORIGEM: ONDE SE TRATA DO PECADO ORIGINAL-


1. NATUREZA E PROPÓSITO DO CONHECIMENTO DE NÓS MESMOS


Não foi sem causa que o provérbio antigo sempre e tanto recomendou ao homem o conhecimento de si mesmo. Ora, se por ser vergonhoso se há de ignorar quaisquer coisas que dizem respeito ao trato da vida humana, muito mais aviltante, na verdade, é a ignorância de nós mesmos, da qual resulta que, em tomando decisão acerca de qualquer coisa necessária, nos enganemos lamentavelmente e até cegos nos façamos.
Quanto, porém, mais útil é o preceito, tanto mais diligentemente nos importa ver que não o usemos de forma oposta, o que vemos ter acontecido a certos filósofos. Pois esses, enquanto exortam o homem a que conheça a si mesmo, propõemlhe, ao mesmo tempo, como fim que não ignore a dignidade e excelência pessoais, e querem que não contemple em si mais do que possa suscitar nele a vã confiança e enchê-lo de arrogância .
Mas, o conhecimento de nós mesmos situa-se, em primeiro lugar, nisto: que, atentando para o que nos foi outorgado na criação, e quão benignamente Deus continua sua graça para conosco, saibamos quão grande seria a excelência de nossa natureza, se porventura permanecera íntegra, contudo ao mesmo tempo reflitamos que em nós nada subsiste de próprio. Ao contrário, de pura graciosidade possuímos tudo quanto Deus nos tem conferido, de sorte que estejamos sempre a dele depender.
Em segundo lugar, que encaremos bem a miserável condição em que nos achamos após a queda de Adão, por cujo reconhecimento, posta por terra toda jactância e confiança própria, esmagados de vergonha, verdadeiramente nos humilhemos.
Ora, assim como inicialmente Deus nos formou à sua imagem, para que a mente nos alçasse tanto ao zelo da virtude, quanto à meditação da vida eterna, assim também, para que não seja aniquilada por nossa obtusidade tão grande nobreza de nossa espécie, a qual nos distingue dos seres irracionais, é relevante reconhecermos que fomos dotados de razão e inteligência, para que, cultivando uma vida santa e reta, avancemos rumo ao alvo proposto de uma imortalidade bem-aventurada.
Além disso, aquela dignidade original não pode vir à mente sem que logo se ofereça em contraposição que, na pessoa do primeiro homem, decaímos da condição original, sendo este um triste espetáculo de nossa sordidez e ignomínia. Do quê não só procede desagrado e descontentamento de nós mesmos, e verdadeira humildade, mas ainda se acende um novo empenho de buscar a Deus, em quem cada um possa recobrar estes valores de que somos apanhados de todo faltos e carentes.


NINGUÉM EM SI DESEJA AGRADAR A DEUS - CALVINO

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DE NÓS NÃO PROCEDE SEQUER UM MÍNIMO INTENTO DE FAZER O QUE DEUS REQUER; ISSO PROVÉM SOMENTE DA GRAÇA DE DEUS-


E Deus move a vontade, não da maneira como por muitos séculos se ensinou e se creu – que seja de nossa escolha em seguida obedecer ou resistir à operação de Deus –, ao contrário, dispondo-a eficazmente. Logo, é necessário que se repudie tal afirmação tantas vezes repetida por Crisóstomo: “Aquele a quem Deus atrai, atrai-o querendo”, com que insinua que o Senhor apenas espera, de mão estendida, se porventura nos agrade sermos ajudados por seu auxílio.
Admitimos que a condição do homem, até onde se manteve íntegro, tem sido tal que pode inclinar-se para uma ou outra parte. Quando, porém, tem ensinado, por seu próprio exemplo, quão mísero é o livre-arbítrio, a não ser que Deus em nós não apenas queira, mas também pode, o que nos acontecerá se ele nos confere sua graça nesta diminuta medida? Antes, pelo contrário, nós mesmos a obscurecemos e enfraquecemos com nossa ingratidão. Ora, o Apóstolo não está ensinando que, se a aceitarmos, se nos oferece a graça de uma boa vontade; ao contrário, que ele próprio efetua em nós o querer, o que outra coisa não é senão que o Senhor, por seu Espírito, nos dirige, inclina, governa o coração e nele reina como em domínio seu. Na verdade ele não está prometendo, através de Ezequiel [11.19, 20; 36.27], que haverá de dar aos eleitos um novo espírito apenas com esta finalidade: que sejam capacitados a andar em seus preceitos; ao contrário, para que, de fato, neles andem! Nem se pode interpretar diferentemente a afirmação de Cristo [Jo 6.45]: “Todo aquele que ouviu de meu Pai vem a mim”, senão que ensina que a graça de Deus é de si mesma eficaz. Exatamente assim contende também Agostinho. Por sua graça o Senhor não julga indiscriminadamente digno a qualquer um, como comumente se gaba esse dito, se não me engano, de Ockham: a ninguém que faça o que nele está é ela negada. Por certo que os homens devem ser ensinados que a benignidade de Deus é oferecida, sem exceção, a todos os que a buscam. Como, porém, somente aqueles a quem a graça celeste inspirou começam por fim a buscá-la, nem mesmo esta porçãozinha mínima deveria ser subtraída de seu louvor.
Esta, sem dúvida, é a prerrogativa dos eleitos, que, regenerados pelo Espírito de Deus, são conduzidos e governados por seu arbítrio. Por esta causa, com razão, tanto ri-se Agostinho daqueles que arrogam para si alguns aspectos do querer, quando repreende a outros que pensam que ela é dada a todos indiscriminadamente, o que é testemunho especial da eleição gratuita. “A natureza”, diz ele, “é comum a todos, não a graça”, chamando de “acumen vitreo”, que resplende de mera vaidade, quando se estende a todos em geral o que Deus confere apenas a quem ele quer.
Em outro lugar, porém: “Como vieste? Crendo. Teme que, enquanto arrogas para ti que o caminho justo foi por ti encontrado, do caminho justo não venhas a perecer. Dizes: Vim de meu livre-arbítrio; vim por minha própria vontade. Por que te inflas? Queres saber que também isso te foi dado? Ouve-o a proclamar: ‘Ninguém vem a mim, se meu Pai não o trouxer’” [Jo 6.44]. E, além de controvérsia, conclui-se das palavras de João que o coração dos piedosos é tão eficazmente governado por Deus que o seguem com inflexível disposição: “Quem foi gerado de Deus não pode pecar, porque a semente de Deus nele permanece” [1Jo 3.9]. Ora, o movimento intermédio que os sofistas imaginam, obedecer ou rejeitar livremente, vemos ser abertamente excluído quando se afirma que a constância eficaz para perseverar é outorgada por Deus somente.

O QUE SIGNIFICA PECADO ORIGINAL? - R. C. Sproul

Posted by Josemar Bessa on , under , | comentários (0)




Pecado original se relaciona com o estado de queda da natureza humana. Jonathan Edwards escreveu um formidável tratado sobre o pecado original. Ele não apenas se dedicou a uma exposição extensa do que a Bíblia ensina sobre o caráter decaído do homem e sua propensão a iniqüidade, mas fez um estudo de uma perspectiva racional, secular, dirigida a uma filosofia que era muito difundida em seus dias: Todas as pessoas no mundo nascem inocentes, num estado de neutralidade moral no qual não têm qualquer predileção nem para o bem nem para o mal.
É a sociedade que corrompe esses recém-nascidos inocentes. À medida que somos expostos ao comportamento pecaminoso ao redor de nós, nossa inocência normal e natural é desgastada pela influência da sociedade. Mas isso incorre em petição de princípio: Como a sociedade ficou corrompida? A sociedade é composta de pessoas. Por que tantas (todas) pecaram? É quase exiomático em nossa cultura admitir que ninguém é perfeito.
E Edwards fez perguntas como: Por que não? Se todos nasceram em estado de neutralidade moral, você esperaria que, aproximadamente 50% dessas pessoas cresceriam e nunca pecariam. Mas não é isso que encontramos. Em todos os lugares encontramos seres humanos agindo contra os preceitos e padrões do Novo Testamento. De fato, quaisquer que sejam os padrões morais da cultura em que vivemos, ninguém os guarda perfeitamente. Mesmo o código de honra estabelecido pelos ladrões é violado por eles mesmos. Não importa quão baixo seja o nível moral de uma sociedade, o povo o quebra.
Existe algo incontestável a respeito do estado decaído do caráter humano. Todas as pessoas pecam.
A doutrina do pecado original ensina que as pessoas pecam porque são pecadoras. O fato não é que somos pecadores porque pecamos, mas que pecamos porque somos pecadores; isto é, desde a queda do homem, herdamos uma condição corrupta de pecaminosidade. Agora temos uma natureza pecaminosa. O Novo Testamento diz que estamos sob o pecado; temos uma disposição irresistível para a iniqüidade, de modo que, de fato, todos nós cometemos pecados. Mas essa não foi a natureza que Deus nos deu originalmente. No princípio éramos inocentes. Mas agora a raça mergunhou num estado de corrupção.

NÃO VOU PROFETIZAR COISAS BOAS A TEU RESPEITO

Posted by Josemar Bessa on Quarta-feira, Novembro 11, 2009 , under , , | comentários (0)




Eu não vou profetizar coisas boas a seu respeito, porém coisas más. "Então se mudou o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram, as juntas dos seus lombos se relaxaram, e seus joelhos bateram um no outro. " (Dan 5:6). Tenho algo a dizer-lhe, o qual está escrito com lamentação, tristeza e pesar. Possivelmente você está feliz e seguro, entretanto isso é como a alegria e o riso de um homem que está emocionalmente desequilibrado, cuja condição reflete que seu desequilíbrio é o mais doloroso. Pecador, você não tem razão para sorrir enquanto estiver nesse estado. Quantas ameaças pesam agora contra você? Suponha que estivesse cercado por canhões, todos prontos para serem disparados contra você. Isto seria considerado como nada se comparado às terríveis ameaças e maldições que o justo e zeloso Deus tem proferido. Abra os seus olhos e observe em toda e qualquer direção. Isso seria suficiente para que seu coração se enches­se de terror; acima um Deus irado; abaixo, um inferno flamejante; atrás uma inumerável hoste de pecados perseguindo você; na frente, satanás e o mundo lhe conduzindo ao longo de um largo caminho rumo a destruição.


Quero explicar mais particularmente as seguintes verdades e aplicá-las ao seu coração:


(1) Enquanto não for convertido, você também não estará perdoa­do. Está endividado em muitos milhões de cruzeiros e até agora nem um cruzeiro dessa dívida foi pago. A menor transgressão faz você sujeito à maldição da lei; poderia, então, imaginar o que seus muitos pecados têm feito de você, miserável condenado? Deus tem determi­nado eliminar tudo isso se retornar e confessar sua iniqüidade. Ele irá depositar todo o fardo nos ombros do Mediador, todavia, se você não concordar em ser salvo, então terá que suportar as conseqüências sozinho. O pecado é uma coisa diferente daquilo que você imagina. A primeira transgressão de Adão ao comer o fruto proibido (a qual foi agravada porque ele teria sido como Deus, porém ele creu na serpente e tornou Deus mentiroso, o que na realidade significou uma completa rejeição do pacto de vida feito com ele) oh, como isso lhe foi penoso! E não somente ele, mas toda a sua descendência, o que é o pior de tudo. E se um pecado trouxe a maldição sobre todos os filhos dos homens, pense, ó alma, como será possível a você suportar o peso de todos os pecados que tem cometido? O pecado faz toda a criação gemer, faz o condenado lamentar e se desesperar, pois estará com um fardo insu­portável sobre si para sempre.
Nosso Senhor achou o pecado pesado. Isso levou-O a agonizar e tornou Sua alma excessivamente triste até à morte. Deus lamenta que Cristo seja pressionado pela iniqüidade. A carroça é pressionada pela carga que leva, e você, pecador, tratará isso levianamente? Oh, um dia quão pesado você achará seu fardo!


(2). Enquanto não for convertido você estará entesourando mais e mais ira para o dia da ira. Sua contagem já é alta, mas a cada dia seu placar aumenta. Cada dia você faz novos pontos, embora a consciência esteja tão cauterizada que agora não sente nada. Como a sua pele cobre o seu corpo, proporcionalmente, assim também os vasos da indigna­ção divina ficam mais cheios, os quais por fim serão todos derramados sobre sua cabeça. É uma crueldade anormal fazer mal a si próprio, ser o assassino de sua própria alma. Você está continuamente afastando--se de Deus e fazendo com que Ele fique mais e mais contra você, Aquele que unicamente pode ser seu refúgio e salvação. Você verá afinal que tem sido seu próprio adversário e que tem agido para sua própria confusão. "Acaso é a mim que eles provocam à ira, diz o Senhor, e não antes a si mesmos, para confusão dos seus rostos?" (Jer.7:19).


(3) . Enquanto não for convertido você se torna cada vez menos apto para a glória e a santidade. Quanto mais impuro você for, menos apto estará para ver Deus. As abominações que você pratica e ama o tornam um habitante inadequado para a Nova Jerusalém. A herança celestial é a herança dos santos. É uma herança incorruptível e impoluta. (I Ped. 1:4). A companhia toda é santa e santos são todos os afazeres. Não há sequer uma palavra vã ou pecaminosa falada, nem é encontrado sequer um desejo ou pensamento impuro dentre os que estão lá. E o que faria lá entre eles, a não ser que uma mudança fosse operada em você?


(4) . Se não se arrepender, é certo que morrerá eternamente. Assim como a vida é longínqua, assim a morte está próxima. O salmista nos fala que "Deus é um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias. Se o homem se não converter, Deus afiará a sua espada; já tem armado o seu arco e está aparelhado. " (Sal. 7:11-12). E quando os instrumen­tos da morte estiverem preparados é um sinal que Deus fará um trabalho rápido e repentinamente eliminará o ofensor. A morte é chamado de "Rei dos Terrores", e em relação aos ímpios este nome é bem merecido. As coisas boas deles são todas recebidas e seus males vêm sobre eles, os quais nunca serão removidos. Tem início seus tormentos para nunca terem um fim. Enquanto Deus for Deus, eles O terão como inimigo. Enquanto Deus for feliz, eles estarão na mais extrema miséria! Poderia a língua pronunciar ou o coração imaginar o horror de tudo isso? Um Senhor irado, vingando-Se do pecado colocará sobre você a carga que merece, e ainda impedirá que você afunde no nada. Ele susterá seu ser para que não se esvaia e você possa ser atormentado para sempre. Ele mostrará Seu supremo poder ao levantá-lo com uma das mãos, para que possa chicoteá-lo com a outra por toda a eternidade.

N. VINCENT (1669)

COMO TER PAZ NA CONSCIÊNCIA? JOÃO CALVINO

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O QUE ASSEGURA A PLENA PAZ DE CONSCIÊNCIA É TÃO-SOMENTE A JUSTIFICAÇÃO COM BASE NOS MÉRITOS DE CRISTO, NÃO EM NÓS MESMOS-


Ora, se indagarmos de que maneira nossa consciência possa tranqüilizar-se diante de Deus, outra resposta não acharemos senão que isso nos é assegurado pela graciosa justiça de Deus. Sempre nos vem à mente esta interpelação de Salomão: “Quem poderá dizer: Limpo fiz meu coração; purificado estou de meu pecado?” [Pv 20.9]. Certamente não há ninguém que não esteja submerso em infinita voragem de águas imundas. Portanto, que cada um desça à sua consciência, por muito perfeito que seja, e convoque seus feitos a prestar contas. Que resultado terá, afinal? Porventura descansará tranqüilamente, como se todas as coisas estivessem bem dispostas com Deus, e não se verá antes cercado de terríveis tormentos, quando, se for julgado à base de suas obras, haverá de sentir que em si reside causa de condenação? É inevitável que a consciência, se olha para Deus, ou sentirá tranqüila paz com seu juízo, ou se verá assediada dos horrores dos infernos. Portanto, ao discutir acerca da justiça, nada extraímos de proveito, a menos que tenhamos estabelecido essa em cuja solidez se pode suster nossa alma no juízo de Deus. Quando nossa alma tiver aquela justa mercê da qual não só compareça sem temor diante da face de Deus, mas também receba seu o juízo imperturbada; então poderemos pensar que já achamos uma justiça sem falsificação.
Portanto, não é sem motivo que o Apóstolo insiste com tanta veemência neste ponto, o que prefiro expressar com as palavras dele, antes que com as minhas. “Se a herança procede da lei”, diz ele, “então a fé está aniquilada e abolida a promessa” [Rm 4.14]. Antes do mais ele infere que a fé é aniquilada e anulada, caso a promessa de justiça tem em vista os méritos de nossas obras ou dependa da observância da lei.
Pois ninguém jamais poderia descansar confiadamente nela, já que nunca acontecerá de alguém no mundo poder se assegurar de que satisfez à lei; e de fato jamais houve quem satisfizesse inteiramente através das obras. E para não buscar provas muito longe, cada um pode ser testemunha a si mesmo, se quiser contemplar atentamente. 187 E daqui se põe à mostra em quão profundos e tenebrosos recessos a hipocrisia sepulta as mentes dos homens, enquanto se mimoseiam tão confiadamente que não hesitam em opor suas lisonjas ao juízo de Deus, como se quisessem, por assim dizer, impor-lhe que suspendesse sua ação legal. Mas os fiéis que a si mesmos sinceramente examinam, bem outra é a solicitude que os angustia e os crucia. Portanto, se deveria subir à mente de todos, primeiro a incerteza; depois, até mesmo a desesperança; enquanto cada um por si só consideraria de quão grande volume de dívida estaria ainda sobrecarregado, e quão longe distaria da condição que lhe foi imposta.
Eis aqui a fé já oprimida e aniquilada, porque ter fé não significa estar flutuante, permanecer mudando, ser levado de um lado para o outro, hesitar, manter-se suspenso, vacilar, finalmente ceder ao desespero; pelo contrário, o ânimo deve firmar-se de constante certeza e sólida confiança e ter onde apoiar e firmar o pé.

A LEI ESTÁ CANCELADA? JOÃO CALVINO

Posted by Josemar Bessa on Terça-feira, Novembro 10, 2009 , under , , | comentários (0)




A LEI ESTÁ CANCELADA NO TOCANTE À MALDIÇÃO, NÃO A SEU MAGISTÉRIO


Portanto, visto que agora a lei tem em relação aos fiéis o poder de exortação, não aquele poder que ate suas consciências na maldição, mas aquele que, com instar repetidamente, lhes sacode a indolência e lhes espicaça a imperfeição, enquanto querem significar sua libertação da maldição, muitos dizem que a lei (continuo falando da Lei Moral) foi suprimida aos fiéis, não significando que não mais lhes ordene o que é reto, mas somente que não mais lhes é o que lhes era antes, isto é, que não mais lhes condena e destrói a consciência, aterrando-as e confundindo-as.

E, sem dúvida, Paulo não ensina obscuramente esse cancelamento da lei. Que esse cancelamento foi também pregado pelo Senhor, disso se evidencia o fato de que ele não refutou aquela opinião de que a lei teria sido abolida por ele, a não ser que essa idéia viesse a prevalecer entre os judeus. Como, porém, não poderia ela emergir ao acaso, sem qualquer pretexto, crê-se que ela se originou de uma falsa interpretação de sua doutrina, exatamente como quase todos os erros costumeiramente se arrimam na verdade. Nós, porém, para que não tropecemos na mesma pedra, distingamos acuradamente o que foi cancelado na lei e o que permanece firme até agora.

Quando o Senhor testifica que não viera para abolir a lei, mas para cumpri-la, até que se passem o céu e a terra não deixaria fora da lei um til sem que tudo se cumpra [Mt 5.17, 18], confirma ele sobejamente que, por sua vinda, nada seria detraído da observância da lei. E com razão, uma vez que ele veio antes para este fim, a saber, para que lhe remediasse às transgressões. Por parte de Cristo, portanto, permanece inviolável o ensino da lei, a qual, instruindo, exortando, reprovando, corrigindo, nos plasma e prepara para toda obra boa.

TEMPESTADES NOS TREINAM - C. H. Spurgeon

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A fé não provada pode ser fé verdadeira, mas certamente uma fé pequena, sendo provável que permaneça acanhada enquanto não enfrenta provações. A fé prospera muito bem quando todas as coisas são contra ela: As tempestades são suas treinadoras e os raios são seus iluminadores.
Quando reina uma calmaria sobre o mar, estendam as velas como quiserem, o navio não se move pra o seu porto; pois sobre um oceano sonolento a quilha também adormece. Deixemos que os ventos soprem uivando e que as águas se levantem, e então, embora o barco possa balançar, o convés seja levado pelas ondas, e seu mastro possa ranger pela pressão da vela distendida e expandida, ele tomará o rumo do encoradouro desejado.
As flores não ostentam azul tão encantador como aquelas que crescem ao pé de uma geleira; as estrelas que cintilam não o fazem tão brilhantemente como aquelas que faíscam no céu polar; ad águas não têm sabor mais doce que as que jorram no meio da areia do deserto; e nenhuma fé é mais preciosa do que a que vive e triunfa na adversidade.
A fé provada traz-nos experiência – “O valor da vossa fé” (1Pe 1.7). Você não poderia ter acreditado em sua própria fraqueza, se não tivesse sido compelido a passar através de rios; e nunca teria conhecido a força de Deus, se não tivesse suportado as correntes de água. A fé aumenta na solidez, certeza a intensidade, quanto mais ela for exercitada com tribulação. A fé é preciosa, e seus testes são igualmente preciosos.
Não permitamos, porém, que isto desanime aqueles que são jovens na fé. Você terá suficiente provações sem precisar procurá-las: a plena porção será medida para você na devida ocasião. Enquanto isto, se você ainda não pode reivindicar o resultado de longa experiência, agradeça a Deus a graça que possui; louve-o por aquele grau de santa confiança que você já alcançou: onde de acordo com aquela regra, e terá ainda mais e mais bênçãos de Deus, até que sua fé remova montanhas e vença os impossíveis

A PERSEVERANÇA DOS SANTOS - JOÃO CALVINO

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OBRA EXCLUSIVA DE DEUS, NÃO PRODUTO DO MÉRITO HUMANO


Quanto à perseverança, não deveria restar mais dúvida de que ela deve ser tida por dom gratuito de Deus, não fora o fato de haver prevalecido o perniciosíssimo erro de que esta é dispensada segundo o mérito dos homens, conforme cada um não se mostre ingrato para com a primeira graça. Ora, pois, uma vez que esse erro nasceu daí, a saber, que os homens pensavam estar em nosso arbítrio rejeitar ou aceitar a graça de Deus oferecida, refugada esta opinião, também aquele por si só se esboroa.
Contudo, aqui se erra de duas maneiras, a saber: além de ensinarem que nossa gratidão é para com a primeira graça, e seu legítimo uso é remunerado por dons subseqüentes, ainda acrescentam que a graça já não opera em nós sozinha, ao contrário, ela é apenas cooperante.
Quanto ao primeiro desses pontos, deve-se sustentar o seguinte: enquanto a seus servos dia a dia os enriquece e de novas dádivas de sua graça os cumula, visto que tem por grata e aceitável a obra que neles começou, neles o Senhor acha o que será acompanhado de maiores graças. E a isto se aplicam estas afirmações: “Ao que tem, dar-se-lhe-á” [Mt 25.29; Lc 19.26]; igualmente: “Muito bem, servo bom, porque foste fiel em umas poucas coisas, sobre muitas te colocarei” [Mt 25.21, 23; Lc 19.17]. Aqui, porém, é preciso precaver-se de duas coisas: que não se diga ou que o legítimo uso da primeira graça é remunerado por graças subseqüentes, como se de sua própria diligência o homem tornasse eficaz a graça de Deus, ou que seja de tal modo julgada a recompensa que deixe de ser tida por graciosa mercê de Deus.
Portanto, confesso que os fiéis devem esperar esta bênção de Deus: quanto melhor uso fizerem das graças precedentes, de tanto maiores bênçãos haverão de ser aumentadas a seguir. Todavia, afirmo que esse uso também procede do Senhor, e que esta recompensa provém de sua graciosa benevolência, e que usam perversamente, não menos que desgraçadamente, essa desgastada distinção de graça operante e graça cooperante. É verdade que Agostinho fez uso desta distinção, contudo atenuando-a com uma cômoda definição: Deus executa, cooperando, o que começa, operando; e é a mesma graça, porém muda o nome, conforme o diferente modo do efeito.88 Do quê se segue que ele não está dividindo-a entre Deus e nós, como se do próprio movimento de um e de outro houvesse mútua convergência; ao contrário, está assinalando a multiplicidade da graça. A isto se aplica o que diz em outro lugar: a boa vontade do homem precede as muitas dádivas de Deus, entre as quais está também a própria boa vontade. Do quê se deduz que nada credita à vontade humana que ela mesma possa arrogar para si com propriedade. O que também Paulo declarou expressamente. Ora, depois de haver dito que Deus é quem opera em nós tanto o querer quanto o executar, em seguida acrescentou que o Senhor, de sua boa vontade, faz a ambos [Fp 2.13], significando por esta expressão que sua benignidade é graciosa.
A isto, porém, que costumam dizer, ou, seja, que depois que dermos lugar à graça inicial, então nossos esforços cooperam com a graça subseqüente, respondo: Nada reclamo se entendem que, desde quando, uma vez, fomos pelo poder do Senhor subjugados à obediência da justiça, por nós mesmos avançamos e somos inclinados a seguir a ação da graça, pois certíssimo é que onde reina a graça de Deus existe essa prontidão de obedecer. Entretanto, donde procede isso senão que o Espírito de Deus, sempre consistente consigo mesmo, nutre e fortalece a constância da disposição de perseverar na obediência que gerou a princípio? Ao contrário, se são de opinião que o homem possa presumir de si mesmo capacidade para colaborar com a graça de Deus, enganam-se pestilentissimamente.

DEUS CASTIGA O PECADO DOS CRENTES? JOÃO CALVINO

Posted by Josemar Bessa on Segunda-feira, Novembro 09, 2009 , under , , , | comentários (0)




AOS CRENTES O SENHOR CASTIGA OS PECADOS, PORÉM LHES É PROPÍCIO EM AMOR, NÃO DEVENDO ISSO SER PARA SEU ACABRUNHAMENTO, MAS PARA ENCORAJAMENTO-


Com estas reflexões importa que o fiel seja sustentado na agrura das aflições. “É tempo de o juízo começar pela casa do Senhor” [1Pe 4.17], na qual seu nome era invocado [Jr 25.29]. O que os filhos de Deus haveriam de fazer, se cressem que sua vingança era a severidade que sentiam? Ora, aquele que, tocado pela mão de Deus, a este concebe como um juiz punitivo, não pode imaginá-lo senão irado e para consigo adverso; de fato, não pode senão detestar o próprio azorrague de Deus como real maldição e perdição. Enfim, jamais poderá persuadir-se de que é amado por Deus aquele que sentir que toda sua inclinação é puni-lo.
Mas, afinal, alcança proveito sob os açoites de Deus aquele que o considera como irado contra suas faltas, contudo é para com ele propício e benévolo. Ora, de outra sorte aconteceria necessariamente o que o Profeta se queixa de haver experimentado: “Sobre mim passaram tuas iras, ó Deus; teus terrores me oprimiram” [Sl 88.16]. De igual modo, o que escreve Moisés: “Pois temos desfalecido em tua ira e em tua indignação temos sido conturbados. Puseste nossas iniqüidades diante de teus olhos, nossos pecados ocultos, à luz de teu rosto. Pois que todos os nossos dias são dissipados em tua ira; nossos anos foram consumidos como uma palavra que sai da boca” [Sl 90.7-9].
Em contrário, porém, assim canta Davi acerca dos castigos paternais, quando ensina que eles mais ajudaram os fiéis do que oprimiram: “Feliz o homem a quem castigas, ó Senhor, e em tua lei é ele instruído, para que lhe propicies descanso dos dias maus, enquanto se cava um fosso para o pecador” [Sl 94.12, 13]. Dura prova é, certamente, quando Deus, poupando os incrédulos, e não atentando para seus crimes, se mostra mais rígido para com os seus. E, por isso, como causa de consolo acrescenta a admoestação da lei, mercê da qual aprendam a exercitar sua salvação enquanto são chamados de volta ao caminho; os ímpios, porém, são lançados de ponta cabeça em seus erros, cujo fim é o fosso da perdição. Não importa se a pena é eterna ou temporal. Ora, as guerras, a fome, as pestes, as doenças são tanto maldições de Deus quanto o próprio juízo da morte eterna, enquanto são infligidas com este propósito: que sejam instrumentos da ira e da vingança do Senhor contra os
réprobos.

APENAS DUAS PALAVRAS – C. H. SPURGEON

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“Socorro, Senhor!” (Sl 12.1)



A oração em si é extraordinária, pois é curta, mas propícia, judiciosa e sugestiva. Davi lamentou a escassez de homens fies, e por isso ergueu seu coração em súplica – quando a criatura pecou, ela fugiu do Criador. Ele sentia evidentemente sua própria fraqueza, ou não teria clamado por socorro; mas, ao mesmo tempo, intentou honestamente empenhar-se pela causa da verdade, pois a palavra “socorro” é inaplicável onde nós mesmos nada fazemos.
Há muito de retidão, clareza de percepção e distinção de elocução em sua súplica de duas palavras; muito mais, certamente, do que as efusões desconexas de certos professos. O salmista vai diretamente a seu Deus, com a oração bem ponderada; ele sabe o que está procurando e onde encontrá-lo. Senhor, ensina-nos a orar da mesma bendita maneira.
As ocasiões para o uso desta oração são freqüentes. Nas aflições providenciais, quão adequada é ela para os crentes provados quando falham seus ajudadores. Estudantes, em dificuldades doutrinais, podem muitas vezes conseguir ajuda ao erguer este clamor: “Socorro, Senhor” ao Espírito Santo, o grande Ensinador.
Os guerreiros espirituais em conflitos íntimos podem buscar reforços no trono, e este será o modelo para sua petição. Obreiros no labor celestial podem obter graça em tempo de necessidade. Os pecadores questionadores, em dúvidas e sobressaltos, podem elevar a mesma súplica angustiante; na verdade, em todos estes casos, tempos e lugares, isto transformará as circunstâncias das almas necessitadas. “Socorro, Senhor” ajusta-se a muitas situações, como morte, sofrimento, trabalho, regozijo ou pesar. Nele, nosso socorro é encontrado; não seja descuidado em clamar a Ele
A resposta à oração é certa, se for sinceramente oferecida por intermédio de Jesus. O caráter do Senhor assegura-nos que Ele não deixará seu povo; sua relação como Pai e Esposo garante-nos sua ajuda; sua dádiva em Jesus é um penhor de toda coisa boa; e sua firme promessa permanece – “NÃO TEMAS, EU TE AJUDAREI.”

O LIVRE-ARBÍTRIO É FALSO - MARTINHO LUTERO





(Mensagem em vídeo) - De todas as suas obras - obra essa que é enorme - Lutero dizia que a mais importante foi aquela que surgiu do seu debate com Erasmo de Roterdã - sobre o Livre-arbítrio. Sua obra é tão vasta e tão preciosa, que temos dificuldade em eleger a mais importante - mas se ele diz que foi esta - aceitemos seu julgamento - Ao olharmos a obra de Lutero sobre o livre-arbítrio, podemos ver com clareza o quanto a igreja se afastou da verdade que a Reforma tirou das cadeias e da escuridão da ignorância a respeito do Grande Deus Soberano que a Bíblia nos apresenta.

MATE O PECADO EM VOCÊ - RICHARD BAXTER - 1616-1691

Posted by Josemar Bessa on Sábado, Novembro 07, 2009 , under , , , | comentários (0)




A estatura espiritual de Richard Baxter está fora de questão. Mesmo vivendo em uma época em que havia gigantes na terra, tais como John Owen e Thomas Goodwin, a sua estatura espiritual era tal que o fazia sobressair-se. John Owen e Thomas Goodwin estão entre os escritores mais copiosos do século XVII; mas ele, Baxter, produziu aproximadamente o dobro desses autores. Cerca de 168 tratados - boa parte volumosos, conhecidos e apreciados - foram escritos por este gigante puritano do século XVII.

BEIJOS ENGANOSOS – C. H. SPURGEON

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“Os beijos de quem odeia são enganosos”. Quero manter-me cauteloso quando o mundo simula um rosto amável, pois ele vai, se possível, trair-me, como fez ao meu Mestre – “com um beijo trais o Filho do Homem?” – com um beijo.

Sempre que um homem mostra-se disposto a apunhalar a verdade, ele geralmente professa um grande respeito por ela. Quero evitar a hipocrisia cheia de lisonjas que carrega por trás a armadura da heresia e da infidelidade.

Conhecendo a falácia e a maldade, quero ser astuto como uma serpente para detectar e evitar os desígnios do inimigo. O jovem, falto de entendimento, foi desencaminhado pelo beijo de uma mulher estranha. Que minha alma seja tão graciosamente instruída por toda esta vida para que a fala macia do mundo e do engano não possa ter nenhum efeito sobre mim. Espírito Santo, faze com que eu, pobre e frágil ser humano, não seja traído com um beijo!

Mas, o que acontece se devo ser culpado do mesmo pecado maldito de Judas, aquele filho da perdição? Fui batizado em nome do Senhor Jesus; sou membro da sua Igreja visível; tomo assento à mesa da comunhão: todos estes privilégios são os muitos beijos de meus lábios. Sou eu sincero neles? Se não, sou um traidor vil. Vivo no mundo tão negligentemente como os outros e, no entanto, faço uma profissão de fé de ser um seguidor de Jesus? Então exponho o Evangelho ao ridículo e levo os homens a falarem mal do santo nome pelo qual sou chamado.

Certamente, se procedo assim inconsistentemente como um Judas, teria sido melhor pra mim nunca ter nascido. Ouso esperar que sou claro nesta questão?

“Então, ó Senhor, mantém-me assim. Ó Senhor, faze-me sincero e verdadeiro. Preserva-me de todo caminho falso. Jamais permitas que eu traia meu Salvador. Amo-te, Jesus, e, embora muitas vezes te ofenda, desejo manter-me fiel até a morte. Ó Deus, impede que eu, de professo proeminente, venha a cair por fim no lago de fogo, por ter traído meu Mestre com um beijo.

Ano 70 d.C. Tito destrói Jerusalém - História da Igreja

Posted by Josemar Bessa on Sexta-feira, Novembro 06, 2009 , under | comentários (0)




Erguido no fórum de Roma, o Arco de Tito celebra a vitória em JerusalémGéssio Floro amava o dinheiro e odiava os judeus. Como procurador romano, governava a Judéia e pouco se importava com as sensibilidades religiosas. Quando a entrada de impostos era baixa, ele se apoderava da prata do Templo. Em 66, quando a oposição cresceu, ele enviou tropas a Jerusalém para crucificar e massacrar alguns judeus. A ação de Floro foi o estopim para uma revolta que já estava em ebulição havia algum tempo.
No século anterior, Roma não tinha tratado os judeus de maneira adequada. Primeiramente, Roma havia fortalecido o odiado usurpador Herodes, o Grande. Apesar de todos os belos edifícios que construíra, Herodes não conseguiu lugar no coração das pessoas.
Arquelau, filho de Herodes e seu sucessor-, era tão cruel que o povo pediu a Roma que lhe desse um alívio. Roma atendeu a esse pedido enviando diversos governadores: Pôncio Pilatos, Félix, Festo e Floro. Eles, assim como outros, tinham a tarefa, nada invejável, de manter a paz em uma terra bastante instável.
O espírito independente dos judeus nunca morreu. Eles olhavam com orgulho para os dias dos macabeus, quando se livraram do jugo de seus senhores sírios. Agora, suas desavenças mesquinhas e o fabuloso crescimento de Roma os colocavam novamente sob o comando de mãos estrangeiras.
O clima de revolução continuou durante o governo de Herodes. Os zelotes e os fariseus, cada um à sua maneira, queriam que as mudanças acontecessem. O fervor messiânico estava em alta. Jesus não estava brincando quando disse que as pessoas falariam: "'Vejam, aqui está o Cristo!' ou Ali está ele!'". Esse era o espírito da época.
Foi em Massada (formação rochosa praticamente inexpugnável, que se eleva próximo ao mar Morto, onde Herodes construiu um palácio e os romanos ergueram uma fortaleza) que a revolta judaica teve seu início e um fim trágico.
Inspirados pelas atrocidades de Floro, alguns zelotes ensandecidos decidiram atacar a fortaleza. Para surpresa de todos, eles a conquistaram, massacrando o exército romano que estava acampado ali.
Em Jerusalém, o capitão do Templo, quando interrompeu os sacrifícios diários a favor de César, declarou abertamente uma rebelião contra Roma. Não demorou muito para que toda a Jerusalém ficasse alvoroçada, e as tropas romanas fossem expulsas ou mortas. A Judéia se revoltou, e a seguir a Galiléia. Por um breve período de tempo, parecia que os judeus estavam virando o jogo.
Céstio Galo, o governador romano da região, saiu da Síria com 20 mil soldados. Cercou Jerusalém por seis meses, mas fracassou, deixando para trás seis mil soldados romanos mortos e grande quantidade de armamentos que os defensores judeus recolheram e usaram.
O imperador Nero enviou Vespasiano, general condecorado, para sufocar a rebelião. Vespasiano foi minando a força dos rebeldes, eliminando a oposição na Galiléia, depois na Transjordânia e por fim na Idu-méia. A seguir, cercou Jerusalém.
Contudo, antes do golpe de misericordia, Vespasiano foi chamado a Roma, pois Nero morrera. O pedido dos exércitos orientais para que Vespasiano fosse o imperador marcou o fim de uma luta pelo poder. Em um de seus primeiros atos imperiais, Vespasiano nomeou seu filho, Tito, para conduzir a guerra contra os judeus.
A situação se voltou contra Jerusalém, agora cercada e isolada do restante do país. Facções internas da cidade se desentendiam com relação às estratégias de defesa. Conforme o cerco se prolongava, as pessoas morriam de fome e de doenças. A esposa do sumo sacerdote, outrora cercada de luxo, revirava as lixeiras da cidade em busca de alimento.
Enquanto isso, os romanos empregavam novas máquinas de guerra para arremessar pedras contra os muros da cidade. Aríetes forçavam as muralhas das fortificações. Os defensores judeus lutavam durante todo o dia e tentavam reconstruir as muralhas durante a noite. Por fim, os romanos irromperam pelo muro exterior, depois pelo segundo muro, chegando finalmente ao terceiro muro. Os judeus, no entanto, continuaram lutando, pois correram para o Templo — sua última linha de defesa.
Esse foi o fim para os bravos guerreiros judeus — e também para o Templo. Josejo, historiador judeu, disse que Tito queria preservar o Templo, mas os soldados estavam tão irados com a resistência dos oponentes que terminaram por queimá-lo.
A queda de Jerusalém, essencialmente, pôs fim à revolta. Os judeus foram dizimados ou capturados e vendidos como escravos. O grupo dos zelotes que havia tomado Massada permaneceu na fortaleza por três anos. Quando os romanos finalmente construíram a rampa para cercar e invadir o local, encontraram todos os rebeldes mortos. Eles cometeram suicídio para que não fossem capturados pelos invasores.
A revolta dos judeus marcou o fim do Estado judeu, pelo menos até os tempos modernos.
A destruição do Templo de Herodes significou mudança no culto judaico. Quando os babilônios destruíram o Templo de Salomão, em 586 a.C, os judeus estabeleceram as sinagogas, onde podiam estudar a Lei de Deus. A destruição do Templo de Herodes pôs fim ao sistema ‘sacrificai judeu’ e os forçou a contar apenas com as sinagogas, que cresceram muito em importância.
Onde estavam os cristãos durante a revolta judia? Ao lembrar das advertências de Cristo (Lc 21.20-24), fugiram de Jerusalém assim que viram os exércitos romanos cercar a cidade. Eles se recusaram a pegar em armas contra os romanos e retiraram-se para Pela, na Transjordânia.
Uma vez que a nação judaica e seu Templo tinham sido destruídos, os cristãos não podiam mais confiar na proteção que o império dava ao judaísmo. Não havia mais onde se esconder da perseguição romana.

SINAIS E MARAVILHAS? C. H. SPURGEON

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Nesta mensagem em vídeo - Spurgeon fala que a ansiedade por ver sinais e maravilhas é característica de uma geração doentia e incrédula, e nos mostra a resposta de Cristo a uma geração assim

CORAGEM PARA SOFRER PELA VERDADE - JOÃO CALVINO

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(Mensagem em vídeo) - Vivemos dias em que não há coragem nem para defender a Verdade diante de um mundo pós-moderno e uma igreja cheia de heresias em seu culto antropocêntrico - que dirá sofrer por essa verdade - Calvino nos fala de dias ainda mais escuros que estes, em que milhares e milhares escolheram sofrer pela Verdade de Deus. (Mensagem em vídeo do grande Reformador).

ELE RECEBE PECADORES - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Quinta-feira, Novembro 05, 2009 , under , | comentários (0)




Observe a condescendência revelada por estas palavras: “Este recebe pecadores” (Lc 15.2).
Este Homem que é o mais elevado de todos, inculpável, sem mácula, santo, puro e separado dos pecadores – este Homem recebe pecadores. O fato de alguns de nós se mostrarem dispostos a procurar os perdidos não é nada admirável – eles fazem parte de nossa raça. Mas o Deus santo contra o Qual as transgressões têm sido cometidas tomou sobre Si mesmo a forma de servo. Ele levou sobre Si o pecado de muitos e se tornou disposto a receber o mais ímpio dos pecadores. Isto é maravilhoso!!
Ele não recebe pecadores para que continuem sendo pecadores. O Senhor Jesus os recebe para perdoar-lhe os pecados, justificar e limpar-lhes o coração, por meio de sua Palavra purificadora, preservar suas almas por meio da habitação do Espírito Santo. Ele os capacita a servirem-No, a proclamarem o seu louvor e a desfrutarem de comunhão com Ele mesmo. Em seu coração de amor, o Senhor Jesus recebe os pecadores, resgata-os do abismo de miséria e os veste como jóias em sua coroa.
O Senhor Jesus resgata os pecadores da fornalha ardente e os preserva como monumentos preciosos de sua graça. Ninguém é tão precioso aos olhos de Jesus quanto os pecadores em favor dos quais Ele morreu. Quando Jesus recebe pecadores, ele não o faz em um lugar de recepção pública, onde Ele caridosamente os entretém como mendigos transeuntes. Pelo contrário, o Senhor Jesus abre as portas de ouro de seu coração real e recebe o pecador imediatamente em sua própria presença. Ele admite o humilde penitente em uma união pessoal, tornando-o membro de seu corpo, de sua carne e de seus ossos. O Senhor Jesus ainda recebe pecadores. Ore para que pecadores O recebam.

A LEI E O LIVRE-ARBÍTRIO - JOÃO CALVINO

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-OS PRECEITOS DA LEI NÃO SÃO A MEDIDA DE NOSSO LIVRE-ARBÍTRIO-


Extremamente laboriosos são nossos oponentes em coligir testemunhos da Escritura, e isto fazem zelosamente para que ao menos pelo número nos levem de vencida, já que não o podem pelo peso. Mas, tal como se dá nas batalhas quando a luta vem a ser corpo a corpo, sem importar o que tenha de pompa e ostentação, com uns poucos golpes de imediato se destroça e em debandada se põe a multidão não adestrada para a guerra, assim facílimo nos será desbaratá-los juntamente com sua
turba.
Ora, já que, onde forem distribuídas em suas classes, a pouquíssimos tópicos convergem todas as referências de que usam mal contra nós, uma só resposta será bastante para muitas, nem será preciso aplicar-se a refutá-las uma a uma. A força principal é posta nos preceitos divinos, os quais consideram ser de tal modo ajustados às nossas faculdades, que tudo quanto se prova ser por eles exigido, segue-se necessariamente poder-se cumprir. Portanto, os percorrem a todos, um por um, e
deles medem a extensão de nossas forças. Pois, dizem eles, ou Deus está a zombar de nós quando ordena santidade, piedade, obediência, castidade, amor, mansidão, quando proíbe impureza, idolatria, imoralidade, ira, furto, soberba e coisas afins, ou apenas exige aquilo que está em nosso poder.
Com efeito, quase todos os preceitos que amontoam podem ser distribuídos em três categorias. Uns, em primeiro lugar, requerem a conversão em relação Deus; outros simplesmente falam da observância da lei; outros ordenam perseverar na graça de Deus recebida. Tratemos primeiramente de todas no geral; a seguir desceremos às categorias propriamente ditas.
Estender as capacidades humanas à medida dos preceitos da lei divina, na verdade começou isto a ser comum já de longa data, e tem alguma consistência, mas afinal provém da mais crassa ignorância da lei. Ora, aqueles que consideram ser grande crime dizer ser impossível a observância da lei, insistem no argumento aparentemente poderosíssimo de que, de outra sorte, a lei foi dada em vão. Pois arrazoam exatamente como se Paulo em parte alguma houvesse falado acerca da lei.

Pergunto, pois, que lhes significam estas passagens: “A lei foi outorgada por causa das transgressões” [Gl 3.19]; “O conhecimento do pecado é mediante a lei” [Rm 3.20]; “A lei engendra o pecado” [Rm 7.7, 8]; “Sobreveio a lei para que abundasse a ofensa” [Rm 5.20]? A lei deveria limitar-se às nossas forças, para que não fosse dada em vão? Pelo contrário, antes a lei foi posta muito acima de nós, para que nos convencesse de nossa incapacidade. Na verdade, à luz da própria definição do mesmo Paulo, o propósito e cumprimento da lei é o amor [1Tm 1.5]. Com efeito,quando ora para que dele plenifique o coração dos tessalonicenses [1Ts 3.12], confessa sobejamente que a lei nos soa aos ouvidos sem proveito, a menos que Deus nos instile no

CHAMADOS PARA SOFRER - JOÃO CALVINO

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Mensagem em vídeo de João Calvino - que toca num ponto vital da igreja dos nossos dias - que trocou o Evangelho pelo culto a ambição -sem Cruz, sem Discipulado, sem Deus.

ONDE ESTÁ O SEU CORAÇÃO? RICHARD BAXTER

Posted by Josemar Bessa on Quarta-feira, Novembro 04, 2009 , under , , | comentários (0)




É apenas justo que nosso coração esteja em Deus, quando o coração de Deus está tanto em nós. Se o Senhor da glória pode inclinar-se tanto a ponto de fazer seu coração repousar em seres pecadores, feitos de pó, certamente seríamos persuadidos a pôr nosso coração em Cristo e na glória, e ascender a ele, que se digna a ser condescendente conosco, em nossos sentimentos diários! Ó, se o deleite de Deus não estivesse mais em nós na mesma proporção que o nosso não está nele, o que deveríamos fazer?

Em que situação estaríamos! Cristão, você não percebe que o coração de Deus está sobre você? E que ele ainda cuida de você com amor cuidadoso, mesmo quando se esquece de si mesmo e dele? Você não o vê quando o acompanha com suas misericórdias diárias, movendo-se em sua alma e provendo para seu corpo, a fim de preservar ambos? Ele não o acolhe continuamente nos braços do amor e promete que tudo coopera para o seu bem? E ajusta todas as formas de lidar com você para seu próprio benefício? E não pede que seus anjos tomem conta de você?

E você não consegue encontrar em seu coração um lugar para ele, pois está muito ocupado com as alegrias terrenas, a ponto de esquecer seu Senhor que não se esquece de você? Esse não foi o pecado que Isaías clamou, de forma solene, para que o céu e a terra testemunhassem contra ele? "O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende" (Is 1.3). Se o boi e o jumento desgarram-se durante o dia, eles, provavelmente, voltam para sua casa à noite, mas nós não elevamos nossos pensamentos a Deus nem uma vez ao dia. Portanto, permita que sua alma ascenda até Deus e o visite todas as manhãs, e que seu coração se volte para ele todos os momentos.

ARGUMENTOS NA ORAÇÃO - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Sábado, Outubro 31, 2009 , under , , | comentários (0)




Com isto não quero dizer enchendo a boca com palavras, frases bonitas, expressões agradáveis, e sim de argumentos, como os santos da antigüidade costu­mavam arrazoar na oração. Quando nos aproximamos da porta da misericórdia, argumentos convincentes são as batidas na argola que fazem com que a porta se abra.
Por que os argumentos deveriam ser usados? Certamente não é porque Deus demore para dar; não é porque podemos mudar o propósito divino, nem porque Deus necessite ser informado acerca de quaisquer circunstâncias concernentes a nós ou sobre a benção pedida. Os argumentos a serem usados são para nosso próprio benefício, não benefício dEle. Deus exige que pleiteemos com Ele e apresentemos nossas razões fortes, como diz Isaías, pois isso mostrará que valorizamos a bênção. Quando um homem busca argumentos em favor de uma determinada coisa é porque ele atribui importância àquilo que está procurando.
Reitero, o uso de argumentos nos ensina a base pela qual obtemos a bênção. Se um homem vier com um argumento baseado em seu próprio mérito, não conse­guirá nada; o argumento bem sucedido está sempre fundamentado sobre a graça, e daí a alma que assim suplica começa a entender intensamente que é pela graça, e graça somente, que um pecador obtém algo do Senhor. Além disso, o uso de argumentos é destinado a estimular o nosso fervor. A pessoa que usa um argumento com Deus terá mais força para usar o segundo, e usará o terceiro com poder ainda maior, e o quarto com maior poder ainda. As melhores orações que já ouvi em nossas reuniões de oração foram aquelas mais repletas de argumentos. Às vezes minha alma tem-se comovido por completo ao escutar irmãos que vieram a Deus sentindo a real necessidade da benção e que realmente era preciso tê-la, pois a princípio pleiteavam de Deus que a concedesse por essa razão, e depois por uma segunda, terceira, quarta e quinta, até que tivessem despertado o fervor de todos ali presentes.
No que se refere a Deus, a oração não é necessária de forma nenhuma, mas quanto a nós ela é inteiramente necessária. Se não fôssemos constrangidos a orar, du­vido que poderíamos vi ver como cristãos. Se as bênçãos de Deus chegassem até nós sem serem pedidas, não teriam metade do valor que têm, pois, ao pedi-las, obtemos uma dupla bênção - uma em obter, outra em pedir. O próprio ato de orar é uma bênção. Orar é, de certa forma, banhar-se em águas cristalinas, e assim escapar do calor do sol de verão. Orar é subir em asas de águia acima das nuvens e chegar ao céu claro onde Deus habita. Orar é entrar na tesouraria de Deus e enriquecer-se de um reservatório inexaurível. Orar é tomar o céu nos braços, é abraçar a Deidade dentro da alma e sentir o corpo feito o templo do Espírito Santo. Independente da resposta, a oração em si mesma é uma bênção. Orar é desfazer-se de seus fardos, despir-se de seus trapos, lançar fora suas enfermidades, ficar cheio de vigor espiritual, alcançar o mais alto ponto da saúde cristã. Que Deus nos ajude a sermos diligentes na santa arte de argumentar com Ele mediante a oração.
Ainda resta a parte mais interessante do nosso assunto; trata-se de um catálogo resumido de alguns dos argumentos que têm sido usados com grande sucesso junto a Deus. Não posso te fornecer uma lista completa; para tanto seria necessário um tratado do tipo que só John Owen poderia produzir.


1. Os atributos de Deus


Abraão fundamentou-se neles quando tentou sustar a justiça de Deus. Era necessário que alguém orasse por Sodoma, e Abraão começou assim: "Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruí-los-á também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti seja. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?" Aqui começa a luta. Com este poderoso argu­mento o patriarca segurou a mão esquerda do Senhor e prendeu-a exatamente quando o raio estava prestes a cair. Mas, então, veio uma resposta. Foi comunicado a ele que isso não pouparia a cidade e você se recorda como aquele bom homem, quando duramente pressio­nado foi recuando pouco a pouco, e por último, quando não mais podia deter a justiça, agarrou a mão direita de Deus, a da misericórdia, e isso lhe deu grande segurança quando suplicou para que a cidade fosse poupada se nela houvesse pelo menos dez justos. Assim sendo, eu e você podemos nos agarrar, a qualquer instante, à justiça, misericórdia, fidelidade, sabedoria, paciência e ternura de Deus, e descobriremos que todos os atributos do Altíssimo são, em certo sentido, um grande aríete com o qual poderemos abrir as portas do céu.

2. A promessa de Deus


Quando Jacó estava do outro lado do vau do Jaboque e seu irmão Esaú vinha ao seu encontro com homens armados, ele implorou a Deus para que não o permitisse destruir a mãe e as crianças, e a razão prin­cipal usada foi esta: "Tu disseste: certamente te farei bem". Que força tem esse argumento! Ele estava responsabilizando Deus pelo cumprimento de Sua palavra: "Tu disseste". O atributo serve como um ótimo chifre do altar para segurarmos, mas a promessa, a qual contém o atributo é algo mais, é um chifre ainda mais forte. "Tu disseste". Lembramo-nos como Davi se expressou. Depois de Nata ter proferido a promessa, Davi disse no final de sua oração: "Faz como tu dis­seste". Este é um argumento legítimo para todo homem honesto usar. E tendo Deus falado, não o fará? "Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso". Não será Ele verdadeiro? Não manterá Ele Sua palavra? Porven­tura não permanecerá de pé e não será cumprida toda palavra que sai de Seus lábios?
Salomão, quando da inauguração do templo, usou o mesmo argumento poderoso. Ele suplica a Deus para que Se lembre da palavra que havia falado a seu pai Davi e abençoe aquele lugar. Quando um homem emite uma nota promissória, sua honra está comprometida. Ele a assina com sua mão e deve pagá-la ao chegar o dia do vencimento, senão ficará desacreditado. Jamais devemos dizer que Deus não paga Suas contas. O crédito do Altíssimo nunca foi contestado e nunca o será. Ele é pontual, jamais está adiantado, mas também não Se atrasa. Podemos procurar por todo o Seu livro e compará-lo com a experiência do povo de Deus, e veremos que os dois estão em acordo, do começo ao fim; muitos dos antigos patriarcas disseram como Josué na sua velhice: "Nenhuma promessa falhou de todas as boas palavras que o Senhor falara à casa de Israel: tudo se cumpriu" (Josué 21:45). Se há para você uma promessa divina, não precisa pedir o cumprimento dela com o "se", pode fazê-lo com toda a confiança. Se a bênção que deseja está prometida pela palavra empenhada de Deus, dificilmente haverá necessidade de acautelar-se quanto à insubmissão à Sua vontade. Você conhece a vontade dEle. Essa vontade está na promessa; fundamente-se nela. Não dê descanso a Ele até que a cumpra. Deus deseja cumpri-la; de outra forma não a teria proferido. Ele não profere Suas palavras apenas para silenciar o nosso barulho e nos manter esperançosos por alguns momentos, com a intenção de, afinal, fazer-nos desistir; quando Ele fala é porque tem intenção de agir.

3. O grande nome de Deus


Quão poderosamente Moisés argumentou com Deus, certa ocasião, fiando-se nessa base! "O que farás pelo Teu grande nome? Os egípcios dirão: porquanto o Senhor não podia pôr este povo na terra que lhes tinha jurado; por isso os matou no deserto." Há algumas ocasiões em que o nome de Deus está intimamente ligado à história do Seu povo. Às vezes um crente será obrigado a seguir um curso de ação, baseado numa promessa divina. Ora, se o Senhor não cumprisse a Sua promessa, não somente o crente estaria enganado, mas o mundo perverso olharia para ele, dizendo: ah! ah! onde está teu Deus? Tomemos, por exemplo, o caso do nosso respeitado irmão, o Sr. Jorge Müller, de Bristol. Durante muitos anos ele declarou que Deus ouve e atende as orações e, firme nessa convicção, construiu casa após casa para abrigar órfãos. Posso imaginar, portanto, que se ele estivesse necessitando de meios para o sustento daquelas mil ou duas mil crianças, teria usado o seguinte argumento: "O que farás pelo Teu grande nome?" E você, em meio a um problema angustiante, quando tiver se apossado firmemente da promessa, pode dizer, "Senhor, Tu disseste: "Em seis angústias te livrarei; e na sétima o mal não te tocará" (Jó 5:19). Eu disse a meus amigos e vizinhos que tenho posto minha confiança em Ti, e se Tu não me libertares agora, onde estará Teu nome? Levanta-Te, ó Deus, e faz isso, para que a Tua honra não seja lançada ao pó."
Juntamente com isso podemos empregar o argu­mento das duras coisas ditas pelos injuriadores. Ezequias, rei de Judá, fez muito bem quando pegou a carta de Rabsaqué e a expôs diante do Senhor. Isso o ajudaria? Ela está cheia de blasfêmias; isso o ajudaria? "Onde estão os deuses de Arpade e Sefarvaim? Onde estão os deuses das cidades que destruí? Não deixem que Ezequias vos engane, dizendo que Jeová vos libertará." Será que isso surtirá algum efeito? Claro que sim! Foi uma coisa abençoada o fato de Rabsaqué ter escrito essa carta, pois ela moveu o Senhor a ajudar o Seu povo. Às vezes os filhos de Deus podem se regozijar quando vêem seus inimigos dando vazão ao seu mau humor e dizendo injúrias. "Agora", podem dizer, "inju­riaram o próprio Senhor; não atacaram somente nós, mas o próprio Altíssimo". Agora não é mais o pobre insignificante Ezequias com seu pequeno grupo de soldados que vão lutar contra Rabsaqué, mas é Jeová, o Senhor dos anjos. O que vocês farão agora orgulhosos soldados do altivo Senaqueribe? Porventura não serão completamente destruídos, desde que Jeová entrou na luta? Todo o avanço feito pelo catolicismo romano, todas as coisas erradas ditas por ateus bisbilhoteiros e quejandos, deveriam ser usados pelos cristãos como argumentos perante Deus para que Ele faça prosperar o evangelho. Senhor, veja como eles reprovam o evangelho de Jesus! Tira Tua mão direita do Teu seio! O Deus, eles Te desafiam! O anticristo se lança no lugar onde Teu Filho foi uma vez honrado, e dos púlpitos onde o evangelho foi outrora pregado, o catolicismo romano é agora anunciado. Levanta-Te ó Deus, desperta o Teu zelo, permita que Tua santa ira se inflame! Teu antigo inimigo novamente prevalece. Eis que a prostituta de Babilônia mais uma vez montada na besta de vestes escarlates cavalga em triunfo! Vem Senhor, vem Senhor e novamente mostra o que o Teu braço sozinho pode fazer! Este é um modo legítimo de importunar a Deus, por causa do Seu grande nome.

4. As tristezas do povo de Deus


Isto é freqüentemente usado na Bíblia. Jeremias é o grande mestre nesta arte. Assim diz ele: "Os seus nazireus eram mais alvos do que a neve, eram mais brancos do que o leite, eram mais roxos de corpo do que os rubis, mais polidos do que a safira; mas agora sua aparência é mais escura do que a fuligem" (Lamentações 4:7,8). "Os preciosos filhos de Sião, comparáveis a ouro puro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro" (Lamentações 4:2). Ele fala de todas as suas tristezas e apertos por que passou durante o cerco. Ele clama ao Senhor pedindo que olhe para Sua Sião sofredora, e logo depois seus clamores melancó­licos são ouvidos. Nada tão eloqüente para um pai como o clamor de seu filho; oh sim, existe algo mais tocante ainda, é o gemido - quando o filho está tão doente que não consegue mais chorar e permanece deitado jeremiando de maneira que indica extremo sofrimento e intensa fraqueza. Quem pode resistir a tal gemido? E quando o Israel de Deus for conduzido a uma situação tão ruim que já não possa clamar, onde somente seus gemidos podem ser ouvidos, aí então virá de Deus a libertação, e certamente Ele mostrará que ama o Seu povo. Quando vocês, irmãos, estiverem em tal situação, podem usar os vossos sofrimentos como um argumento para que Deus se volte e salve o remanescente do Seu povo. Procedam da mesma maneira em relação à igreja em transe de sofrimento.

5. O passado


Povo experiente de Deus, você sabe como apropriar-se disso. Aqui está o exemplo de Davi: "Tu tens sido o meu auxílio. Não me deixes, nem me desampares". Ele se baseia na misericórdia de Deus desde a sua mocidade. Fala de sua dependência de Deus desde o nascimento, e então suplica: "Agora, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus...". Moisés tam­bém, falando com Deus, diz: "Tu tiraste do Egito o teu povo". É como se ele dissesse: "Não deixeis o Teu trabalho incompleto ;começaste a construir, complete-o. Tu travaste a primeira batalha; Senhor, termine a campanha! Prossiga até conseguir a vitória completa". Quantas vezes, estando em problemas, temos clamado: "Senhor, Tu me libertaste de duras provações, quando parecia não haver nenhum socorro por perto; não me abandonaste até agora, Tenho levantado meu Ebenézer em Teu nome. Se Tua intenção era me abandonar, por que me mostraste tais coisas? Trouxeste Teu servo até aqui para expô-lo à vergonha?" Temos de tratar com um Deus imutável, que fará no futuro o que tem feito no passado, pois nunca muda de propósito e o Seu desígnio não pode ser frustrado; assim sendo, o passado torna-se um poderoso meio de conseguir bênçãos de Deus.
Podemos até mesmo usar nossa própria indig­nidade como argumento com Deus. "Do comedor saiu comida, e doçura saiu do forte." Davi em determinado lugar argumenta da seguinte forma: "Senhor, perdoa a minha iniqüidade, pois é grande". Esse é um modo especial de raciocinar, mas sendo interpretado significa: "Senhor, por que farias coisas pequenas? Tu és um grande Deus e eis aqui um grande pecador. Eis uma oportunidade em mim para demonstrar a Tua graça. A enormidade do meu pecado faz de mim um palco para manifestar a grandeza da Tua misericórdia. Permite que a grandeza do Teu amor seja vista em mim." Moisés parece estar pensando desta mesma maneira quando pede a Deus que mostre Seu grande poder em poupar Seu povo pecaminoso. Realmente, o poder com que Deus Se restringe é grande. Existe alguma coisa como rastejar aos pés do trono, fazer uma reverência e clamar: "O Deus, não me quebres, pois sou uma cana esmagada. Não pises sobre minha pequena vida, a qual não passa de pavio que fumega. Tu me caçarás? Sairás, como disse Davi, atrás de um cachorro morto ou de uma pulga? Perseguir-me-ás como uma folha soprada pela tempestade? Olhar-me-ás, como disse Jó, como se fosse um vasto mar ou uma grande baleia? Sou tão pequeno, e desde que a grandeza da Tua misericórdia pode ser mostrada em alguém tão insignificante e tão vil, ó Deus, então tenha misericórdia de mim".
Houve uma vez em que a própria Deidade de Jeová serviu de base para um clamor triunfante do profeta Elias. Podemos imaginar a excitação mental dele naquela augusta ocasião quando mandou seus adversários verem se seus deuses poderiam lhes respon­der através do fogo. Com que duro sarcasmo ele disse: "Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e necessite de que o acordem". E, enquanto eles se cortavam com facas e saltavam sobre o altar, veja o escárnio com que aquele homem de Deus deve ter olhado para tais esforços impotentes e seus gritos extremos e inúteis! Mas pense como seu coração teria palpitado, se não fosse a força de sua fé, quando reparou o altar de Deus que estava quebrado, pôs a lenha em ordem e matou o novilho. Ouça-o exclamar: "Derramem água sobre ele. Não quero que pensem que eu esteja escondendo o fogo; derramem água sobre a vítima". Quando o fizeram, ele lhes ordenou: "Fazei-o segunda vez" e o fizeram segunda vez. Disse ainda: "Fazei-o terceira vez". Quando o altar estava completamente coberto de água, embebido e saturado, ele se levanta e clama a Deus: "O Senhor, manifeste-Se hoje que Tu és Deus". Aqui tudo foi posto à prova. A própria existência de Jeová foi aqui posta, de certo modo, em jogo diante dos olhos dos homens por este ousado profeta. E como ele foi ouvido! O fogo desceu e consumiu não somente o sacrifício, mas também a lenha, as pedras e mesmo a própria água que havia nas valas, pois o Senhor Jeová respondera à oração do Seu servo. Nós podemos tam­bém, em certas ocasiões fazer o mesmo e dizer a Ele: "Oh, por Tua Deidade, por Tua existência, se verdadeiramente Tu és Deus, mostra-Te agora para socorro do Teu povo!"

6. O sofrimento, morte, mérito e intercessão de Cristo Jesus


Receio que não estamos compreendendo o que está à nossa disposição quando somos permitidos supli­car a Deus baseados nos méritos de Cristo. Deparei-me com esse pensamento um dia desses; foi algo novo para mim, mas acho que não devia ter sido. Quando pedimos a Deus que nos ouça, enquanto invocamos no nome de Cristo, geralmente queremos dizer: "Ó Senhor, Teu amado Filho merece isso de Ti; faze-o para mim porque Ele merece". Mas se nós soubéssemos poderíamos ir adiante. Suponha que você tenha um armazém na cidade e diz a mim: "Meu amigo, vá até o meu escritório e use o meu nome e diga que devem lhe dar o que deseja". Eu poderia ir e usar o teu nome e obteria o meu pedido como uma questão de direito e de necessidade. Isto é virtualmente o que Jesus Cristo diz a nós. "Se você necessita algo de Deus, tudo o que o Pai tem pertence a Mim; vá e use Meu nome." Suponha que você dê a um homem o seu talão de cheques assinados com seu pró­prio nome e com os cheques em branco a serem preenchidos conforme ele desejasse; isso se aproxima muito do que Jesus fez quando disse: "Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei". Se eu tivesse um bom nome assinando um cheque, estou certo que ele seria trocado por dinheiro ao apresentá-lo ao banco. Semelhante­mente, quando você tem o nome de Cristo, a quem a própria justiça de Deus é devedora, e cujos méritos fazem reivindicações diante do Altíssimo, não há necessidade de falar com medo, temor ou com o fôlego suspenso. Não fique indeciso e não deixe que a fé vacile! Quando você pleiteia no nome de Cristo, está usando algo que balança as portas do inferno e ao qual os exércitos do céu obedecem. Até o próprio Deus sente o poder sagrado desse clamor divino.
Seria melhor se em tuas orações você pensasse mais nos sofrimentos e tristezas de Cristo. Apresente diante do Senhor as Suas chagas; fale ao Senhor sobre Seus clamores; faça com que os gemidos de Jesus clamem novamente do Getsêmani, e Seu sangue fale novamente desde o Calvário horrível. Clame e diga ao Senhor que devido tais tristezas, lamentos e gemidos, você não pode aceitar uma resposta negativa.

Na Vida Tudo é Laço - Richard Baxter (1615 - 1691)

Posted by Josemar Bessa on Sexta-feira, Outubro 30, 2009 , under , , | comentários (0)




Para nós, todos os sentidos, todos os membros, todas as criaturas, todas as misericórdias e todas as responsabilidades são um laço. Mal podemos abrir os olhos, e já estamos em perigo. Se consideramos os outros acima de nós, corremos o risco da inveja; se os consideramos inferiores a nós, corremos o risco do desdém. Se o que vemos são prédios suntuosos, casas agradáveis, honras e riquezas, corremos o risco de nos deixar levar pelos desejos cobiçosos; se o que vemos são os trapos e a pobreza dos outros, corremos o risco da inclemência e dos pensamentos em que aplaudimos a nós mesmos; se o que vemos é a beleza, essa é uma isca para a cobiça; se o que vemos é a deformidade, essa é uma isca para o desprezo e a aversão.

Mal podemos ouvir uma palavra, e já ela representa um motivo para a tentação. E, por essa passagem, muito rapidamente relatos difamadores, zombarias vis, falas devassas insinuam-se em nosso coração! Como nosso apetite pela tentação é forte e dominante, e como isso exige vigilância firme e constante! Temos graça e beleza? Que combustível para o orgulho. Temos alguma deformidade? Que oportunidade para o lamento. Temos bom raciocínio e facilidade para aprender? Como é difícil não se orgulhar disso! Impulsionar a nós mesmos; caçar aplauso; desprezar nossos irmãos; desgostar-se da simplicidade que há em Cristo: tanto na essência quanto no estilo das Escrituras, na doutrina, na disciplina, na adoração e nos santos; prestigiar um culto pomposo, carnal e ilusório a Deus e exaltar a razão acima da fé. Somos pessoas cujas mentes são superficiais e incultas e cujos membros são insuficientes? Como somos aptos a desprezar o que não temos e a subestimar o que não conhecemos; e a errar confiantes graças a nossa ignorância: e se a presunção e o orgulho se fizerem presentes, tornamo-nos, com o pretexto da santidade e da verdade, zelosos inimigos da verdade e principal perturbador da paz na igreja.

Somos homens eminentes e ocupamos cargos de autoridade? Quão forte é nossa tendência de diminuir nossos irmãos, de abusar de nossa confiança, de impulsionar a nós mesmos, de fundamentar-nos em nossa honra e privilégios; de ignorar a nós mesmos, a nossos irmãos pobres e ao bem de todos: como é difícil devotar nosso poder à glória do Senhor, de quem o recebemos; como somos propensos a tornar nosso desejo nossa lei e a eliminar toda a alegria dos outros, tanto religiosos quanto leigos, por intermédio de nossas malditas regras e detestáveis modelos que apenas buscam satisfazer nosso próprio interesse e diretriz! Somos inferiores e vassalos? Como somos propensos a julgar a importância dos outros e tomar a liberdade de apresentar todas suas ações no tribunal de nosso incompetente julgamento; e a censurá-los, e a difamá-los, e a murmurar a respeito das medidas adotadas! Somos ricos e não somos muito exaltados? Somos pobres e não estamos descontentes e tornamos nossas necessidades um pretexto para roubar a Deus em todo seu serviço?
Mas para sempre seja abençoado o amor onipotente que nos salva disso tudo, e que faz com que nossas restrições e dificuldades resultem nos benefícios da glória de sua graça salvadora. No céu, o perigo e os problemas ficam para trás; não há nada exceto o que promove nossa alegria.
Descansamos das tentações, como também dos abusos e das perseguições que sofremos nas mãos de homens perversos. Não mais seremos desprezados, escarnecidos, aprisionados, banidos, massacrados; as orações da alma derramadas diante do altar de Deus serão respondidas, e Deus vingará o sangue deles sobre os que habitam na terra. Este é o tempo em que os santos receberão a coroação com espinhos, os tapas e as cuspidas; aquele é o tempo para sermos coroados com glória.

Agora, devemos ser odiados por todos os homens por causa do nome de Cristo e do evangelho; depois, Cristo será admirado em seus santos que foram odiados desse modo. Agora, por não sermos do mundo, pois Cristo nos tirou do mundo, o mundo, portanto, realmente nos odeia; depois, por não sermos do mundo, pois fomos retirados de suas calamidades, o mundo, portanto, realmente nos admirará.. Agora, da mesma forma que odiaram a Cristo, eles também nos odiarão; depois, da mesma forma que honrarão a Cristo, eles também nos honrarão.

Quando a onda de perseguições cessar, e a igreja for chamada para sair do deserto, e a Nova Jerusalém descer do céu, e a misericórdia e a justiça forem totalmente glorificadas, então não mais sentiremos a fúria deles. Deixamos tudo isso para trás de nós, assim que entrarmos na cidade de nosso descanso; os nomes lollardista, huguenotes, puritanos não mais serão utilizados; a inquisição da Espanha será ali condenada; os estatutos dos "Seis Artigos" serão ali repelidos; a lei de haereticis comburendis [os hereges devem ser queimados] mais justamente executada; a data do interim [interino] ali se expiará; o consentimento e a obediência não mais serão estimulados; o silêncio e o aprisionamento serão ali mais que suspensos; não há bispos nem cortes do chanceler; não haverá visitas nem julgamentos da Alta Comissão; nem censuras quanto à perda de membros, não haverá a prisão perpétua, nem o banimento. Cristo não será ali vestido com um manto suntuoso nem ficará com os olhos vendados; tampouco a verdade estará revestida com os mantos da mentira, nem será influenciada por aquilo que ela contradiz mais diretamente; não teremos feridas que levem aos cismas, nem se verá um santo sangrando; tampouco nossos amigos nos influenciarão, embora nos confundam com seus inimigos. Ali, não há nada desse trabalho louco e cego.

Até aquele momento, guarde sua alma com paciência; amarre todo opróbrio como uma coroa para nossa cabeça; considere-o como riquezas maiores que os tesouros humanos; considere motivo de alegria quando enfrentar tribulações. Você, nesses momentos, vê que Deus pode libertar-nos; mas isso não é nada comparado com nossa conquista final. Ele recompensará com tribulação os que lhe causaram problemas; e você que foi atormentado receberá o descanso com Cristo.

A MISÉRIA DA AMBIÇÃO - AGOSTINHO

Posted by Josemar Bessa on Quinta-feira, Outubro 29, 2009 , under , | comentários (0)




Eu aspirava às honras, à riqueza... E tu rias de mim. Nesses desejos amargos eu sofria dissabores, e tu me querias tanto mais bem quanto menos consentias que eu experimentasse consolação naquilo que não eras tu.

Olha o meu coração, Senhor, tu que me inspiraste estas lembranças e esta confissão. Que se una agora a ti a minha alma, que arrancaste do visgo tão tenaz da morte. Como eu era miserável! E tocavas na minha chaga viva, a fim de que eu deixasse tudo e me convertesse a ti, que estás acima de todas as coisas.

Sem ti nada existiria. Tu me revolvias a ferida para que eu me convertesse e ela pudesse sarar. Como eu era infeliz! E como agiste para que eu sentisse minha miséria, naquele dia em que me preparava para declamar um panegírico ao imperador! Aliás, um tecido de mentiras que seriam, no entanto, aplaudidas pelos ouvintes, que sabiam tratar-se de mentiras. Meu coração agitava-se com esses cuidados e ardia na febre de pensamentos indignos, quando, passando por uma viela de Milão, reparei num pobre mendigo que, talvez meio bêbado, estava alegre e de bom humor. Entristeci-me, e fiz notar aos amigos, que me acompanhavam, as angústias provocadas por nossas loucuras. Pois, com todos os nossos esforços (como eram então os meus, carregando sob o aguilhão das paixões o peso da miséria, peso que aumentava à medida que eu o arrastava), onde queríamos chegar, senão à alegria segura em que nos precedera o mendigo e onde talvez nunca chegaríamos?

Ele, de fato, com aquelas poucas moedas recebidas de esmola, tinha alcançado a alegria da felicidade efêmera, que eu me esforçava para conseguir dando voltas por tantos caminhos tortuosos e cheios de angústias.
É claro que a alegria dele não era a verdadeira; mas o objeto de minha ambição era bem mais falso. Ele, pelo menos, estava satisfeito com sua alegria, e eu, preocupado; ele era livre, estava tranqüilo, e eu, cheio de inquietações.
Se alguém me perguntasse pela minha preferência entre a alegria e o temor, é claro que haveria de responder: a alegria. Mas se ainda me perguntassem se preferia ser como aquele mendigo ou permanecer como eu era, teria escolhido continuar como era, apesar das preocupações e temores que me acabrunhavam. Erro de julgamento ou juízo acertado? É claro que não deveria considerar-me superior a ele por ter mais cultura, pois desta não me vinha nenhuma alegria, mas com ela pretendia agradar os homens, não para instruí-los, mas unicamente para ser-lhes agradável. Por isso mesmo, tu me quebravas os ossos com a vara da tua justiça.
Longe de mim quem diga: "O importante é saber a causa da alegria: aquele mendigo encontrava a felicidade na embriaguez, tu procuravas a tua alegria na glória". Mas, que glória, Senhor? Uma glória que não se fundava em ti. E se a alegria do mendigo não era a verdadeira, tampouco era verdadeira a minha glória, que cada vez mais me perturbava. Na mesma noite, aquele mendigo teria curado sua embriaguez, enquanto eu havia dormido e acordado com a minha, e ainda com ela tornaria a dormir e acordar; e quem sabe por quanto tempo! Bem sei que o importante é saber de onde vem a alegria de cada um, e a felicidade que vem da esperança da fé é profundamente diferente daquela vaidade.
Mas havia ainda outra diferença entre nós dois: ele era realmente mais feliz, não só porque transbordava de alegria enquanto eu era devorado pelas preocupações, mas também porque ele adquiria o vinho desejando o bem enquanto eu buscava a glória através da vanglória. Eu disse então muita coisa nesse sentido aos amigos e, muitas vezes, me examinava em circunstâncias análogas, para ver como estava, constatando que ia mal, e me afligia por isso, e assim aumentava minha infelicidade. Se me sorria um momento de felicidade, hesitava em segurá-lo, pois estava cônscio de que voaria antes mesmo que eu o alcançasse.

CRISTO É A PRECIOSIDADE - C. H. SPURGEON

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Assim como todos os rios correm para o mar, assim também todos os deleites se centralizam em nosso Amado: “Ele é a preciosidade” (1Pe 2.7).
O olhar de seus olhos supera o brilho do sol. A beleza do rosto dEle é mais linda do que as floria mais primorosas. Pedras preciosas da terra e pérolas do mar não possuem valor algum, quando comparadas à preciosidade de nosso Amado. Nenhum de nós pode calcular o valor do dom inefável de Deus. As palavras não podem expressar a preciosidade do Senhor Jesus para o seu povo, nem descrever plenamente quão essencial ele é para a felicidade e a satisfação deles.
Crente, você encontraria fome em meio à abundância, se o Senhor não estivesse ali. Ou, se a resplandecente estrela da manhã desaparecesse, você sentiria que nenhuma outra estrela lhe poderia dar qualquer raio de luz.
Que deserto terrível é este mundo sem o nosso Senhor! Se Ele se oculta de nós apenas por um momento, as flores de nosso jardim murcham, os frutos agradáveis deterioram-se, os pássaros cessam o seu canto e uma tempestade assola nossas esperanças.
Todas as lâmpadas do mundo não podem trazer luz ao nosso dia, se o Sol da Justiça está eclipsado. O que você faria no mundo sem o Senhor Jesus, em meio as tentações e aos cuidados desta vida? O que você faria sem Ele pela manhã, quando se levantasse e enfrentasse uma nova batalha diária? O que você faria à noite, quando chegasse em casa fatigado e exausto, se não houvesse qualquer meio de comunhão entre você e Cristo? O Senhor Jesus não permitirá que enfrentemos um dia sem Ele, visto que nunca abandona aqueles que Lhe pertencem.

FUGIRAM DA BONDADE, ENCONTRARAM JUSTIÇA - AGOSTINHO

Posted by Josemar Bessa on Quarta-feira, Outubro 28, 2009 , under , , | comentários (0)




Afastem-se, fujam de ti os revoltados e os maus. Tu os vês e lhes distingues as sombras: o universo com eles é belo, embora sejam feios e disformes!

Mas, que mal puderam fazer-te? Como puderam desonrar-te o reino, puro e santo, desde o mais alto dos céus às últimas extremidades da terra? Para onde fugiram, ao fugirem, de tua face? Em que lugar não os podes encontrar? Fugiram para não verem teu olhar a observá-los, ofuscados e para esbarrarem contigo - pois não abandonas as tuas criaturas; - sim, para esbarrarem contigo e serem com justiça punidos.

Quiseram fugir de tua bondade, e esbarraram na tua justiça, e incidiram na tua severidade. Evidentemente não sabem que estás em toda parte, que nenhum espaço te encerra, e que somente tu sempre estás presente, mesmo àqueles que se afastam de ti. Que voltam atrás e te procurem, porque não abandonas as tuas criaturas, como estas abandonam o Criador.

Voltem a procurar-te, eis que aí estás, em seus corações, no coração de cada um que te reconhece e se lança a teus pés, e chora no teu seio, após longa e difícil jornada. Tu estás pronto a enxugar as suas lágrimas; choram ainda mais e no pranto encontram a alegria, porque tu, Senhor, não és um homem qualquer de carne e osso, mas és tu o Senhor, que os fizeste, que agora os encoraja e consola. Onde estava eu quando te procurava? Estavas diante de mim, e eu até de mim mesmo me afastava, e se não encontrava nem a mim mesmo, menos podia encontrar-te a ti.

UM DURO CORAÇÃO - C. H. SPURGEON

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Não há exceções – “Toda a casa de Israel é de fronte obstinada e dura de coração”. (Ez 3.7).
Não há exceções?
Não, nenhuma. Mesmo a raça favorecida é descrita como um povo de fronte obstinada e duro de coração. Considere a sua participação nessa acusação universal e disponha-se a reconhecer a sua culpa. A primeira acusação é a FRONTE OBSTINADA. Isto se refere a uma dureza de rosto, uma falta de vergonha santa ou uma ousadia na prática do mal.
Antes de minha conversão, eu podia pecar e não sentir qualquer remorso; podia ouvir a minha culpa e não me humilhar; podia até confessar a minha iniqüidade e não experimentar nenhuma tristeza em meu íntimo, por causa da iniqüidade. Um pecador que vai à casa de Deus e finge orar e dirigir-Lhe louvores demonstra uma hipocrisia descarada do pior tipo. Todavia, desde o dia do meu novo nascimento, tenho duvidado de meu Senhor, em sua face, murmurada insolentemente em sua presença, adorado-O com desmazelo e pecado, sem arrependimento sincero. Se a minha fronte não fosse tão inflexível, eu teria mais temor santo e mais contrição de espírito.
A segunda acusação é a DUREZA DE CORAÇÃO. Também não posso dize que sou inocente dessa acusação. Antes eu não tinha nada, exceto um coração de pedra. Mesmo que, pela graça de Deus, agora eu tenha um coração novo, um coração de carne, ainda permanece em mim muito de minha teimosia. Não sou tão afetada pela morte de Jesus como eu deveria ser.
Também não sou comovido pela perdição do meu próximo, pela impiedade de minha época, pela disciplina de meu Pai celestial e pelas próprias faltas como eu deveria ser. Oh! Que meu coração seja amolecido tão-somente pela menção dos sofrimentos e da morte de meu Salvador! O precioso sangue de meu Salvador é o solvente universal. Este sangue me amolecerá, até que meu coração se derreta como a cera diante do fogo!