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Mensagem pregada na Igreja Evangélica Congregacional em Jardim da Luz no dia 08 de Fevereiro de 2009 ( Pr. Josemar Bessa) - Escute no Blog ou faça o download ( 57:55)As Dez Virgens - AGOSTINHO
Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens..." (Mt 25-1) VOCÊS que estavam presentes ontem se lembram de minha promessa, a qual, com a ajuda do Senhor, será cumprida hoje, não somente a vocês, mas aos muitos outros que também se reuniram aqui.
Não é questão fácil dizer quem são as dez virgens, cinco das quais são sábias e as outras cinco, tolas. Não obstante, de acordo com o contexto desta passagem a qual desejei que fosse lida hoje novamente a vocês,amados, não penso, até onde o Senhor me conceder entendimento, que esta parábola ou similitude relacione-se somente com essas mulheres.
Estas, por uma santidade peculiar e mais excelente, são chamadas virgens na igreja, as quais, por um termo mais habitual, também chamamos "as religiosas"; mas, se não me engano, esta parábola se relaciona com a totalidade da Igreja. No entanto, embora devamos entendê-la somente acerca daquelas que são chamadas "as religiosas", não são dez? Deus proíba que tão grande companhia de virgens seja reduzida a tão pequeno número! Porém, talvez alguém diga: "Mas, e se embora sejam tantas em profissão exterior, contudo, na verdade sejam tão poucas, que escassas dez podem ser encontradas!" Não é assim. Pois se Ele tivesse querido dizer que as virgens boas só deveriam ser entendidas pelas dez. Ele não teria representado cinco tolas entre elas. Se este é o número das virgens que são chamadas, por que as portas são fechadas contra as cinco?
Entendamos, amados irmãos, que esta parábola se relaciona com todos nós, isto é, com toda a Igreja, não somente com o clero de quem falamos ontem; nem somente com o laicato, mas com todos em geral.
Então, por que as virgens são dois grupos de cinco? Estas virgens são todas as almas cristãs. Mas para que eu possa lhes dizer o que pela inspiração do Senhor penso, não são almas de todo tipo, mas as almas que têm fé e parecem ter boas obras na Igreja de Deus; e, não obstante, até entre elas, "cinco são sábias e cinco são tolas". Primeiro, vejamos por que são chamadas "cinco" e por que "virgens" e, depois, consideremos o restante.
Cada alma no corpo é denotada pelo número cinco, porque faz uso dos cinco sentidos. Não há nada de que tenhamos percepção pelo corpo, senão pela porta de cinco dobras: a visão, a audição, o olfato, o paladar ou o tato. Aqueles que se privam da visão ilícita, da audição ilícita, do olfato ilícito, do paladar ilícito e do tato ilícito, por causa da sua incorrupção, receberam o nome de virgens.
Mas se é bom abster-se dos estímulos ilícitos dos sentidos e. por conta disso cada alma cristã recebeu o nome de virgem, por que cinco são admitidas e cinco rejeitadas? Todas são virgens e, não obstante, cinco são rejeitadas. Não é o bastante que sejam virgens e que tenham lâmpadas.
São virgens por causa da abstinência do uso ilícito dos sentidos; têm lâmpadas por causa das boas obras. De cujas boas obras o Senhor disse: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus" (Mt 5.16).
Outra vez Ele diz aos discípulos: "Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias" (Lc 12.35). Nos "lombos cingidos" está a virgindade; nas "candeias acesas", as boas obras.
O título de virgindade não é normalmente aplicado aos casados; contudo, até neles há certa virgindade de fé que produz castidade de casados. Saibam, santos irmãos, que todo aquele que, como a tocar a alma, tem fé incorrupta, pratica abstinência de coisas ilícitas e faz boas obras, não é adequadamente chamado de "virgem". Toda a Igreja, que consiste em virgens, meninos, homens casados e mulheres casadas, é por um nome chamada de virgem. Como provamos isso? Ouçam a declaração do apóstolo Paulo, que diz não somente às mulheres religiosas, mas a toda a Igreja: "... porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo" (2 Co 11.2).
E porque devemos nos precaver contra o Diabo, o corruptor desta virgindade, o apóstolo acrescentou: "Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo" (v. 3). Poucos têm virgindade física; no coração, todos devemos tê-la. Se a abstinência do que é ilícito é bom, pelo que recebeu o nome de virgindade, e as boas obras são louváveis, que são significadas pelas lâmpadas, por que cinco são admitidas e cinco rejeitadas? Se há uma virgem e uma que leva lâmpada, que contudo não é admitida, onde ela se verá, que nem preserva a virgindade das coisas ilícitas e que nem desejando ter boas obras anda em trevas?
Destes, meus irmãos, sim, destes vamos tratar. Aquele que não vê o que é mau, aquele que não ouve o que é mau, aquele que desvia seu olfato dos fumos ilícitos e seu paladar da comida ilícita dos sacrifícios, aquele que recusa o abraço da esposa de outro homem, reparte o pão com os famintos, traz o estranho à sua casa, veste os desnudos, reconcilia os litigiosos, visita os doentes, sepulta os mortos; ele com certeza é uma virgem, ele com certeza tem lâmpadas. O que mais buscamos? Algo, contudo, ainda busco.
O santo Evangelho me colocou nesta busca. Está escrito que até entre estas virgens que levam lâmpadas, algumas são sábias e algumas tolas.
Como vemos isso? Como fazemos distinção? Através do óleo. Alguma coisa grande, alguma coisa sumamente grande significa este óleo. Vocês acham que não é o amor? Isto dizemos à medida que investigamos o que é; não nos aventuramos a julgamento precipitado. Eu lhes direi por que o amor parece estar significado pelo óleo. O apóstolo diz: "... e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente. Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine" (1 Co 12.31b; 13-1). A caridade é o caminho acima dos demais, a qual com boa razão está significada pelo óleo, pois o óleo mantém-se acima de todos os líquidos. Coloque água, derrame óleo, e este se manterá sobre a água. Coloque óleo, derrame água, e o óleo ainda assim permanecerá sobre a água. Se você mantiver a ordem habitual, ele ficará no ponto mais alto; se você mudar a ordem, ele continuará no ponto mais alto. "A caridade nunca falha".
Tratemos agora das cinco virgens sábias e das cinco virgens tolas. Elas desejavam ir ao encontro do Esposo. Qual é o significado de "sair ao encontro do Esposo?" Ir com o coração, estar esperando por sua vinda. Mas Ele tarda. "E, tardando o esposo, tosquenejaram todas". O que significa "todas"? Tanto as tolas quanto as sábias "tosquenejaram todas e adormeceram". Este sono é bom? O que quer dizer este sono? É que com a tardança do Esposo, "por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará" (Mt 24.12)? Devemos entender este sono assim? Não gosto disso.
Eu lhes direi por quê. Porque entre elas estão as virgens sábias; e, certamente, quando o Senhor disse: "E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará", Ele continuou, dizendo: "Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo" (v. 13). Onde estariam essas virgens
sábias? Elas não estão entre aquelas que vão **perseverar até ao fim"? Elas não seriam admitidas entre todas, irmãos, por nenhuma outra razão senão porque elas perseverariam até o fim. Nenhuma frieza de amor se insinuou sobre elas; nelas o amor não esfriou, mas conserva seu brilho ainda até o fim. E porque brilham até o fim, as portas do Esposo estão abertas para elas. É dito a elas que entrem, como àquele servo excelente: "Entra no gozo do teu senhor" (Mt 25-21). Qual é o significado de "todas dormiram"? Há outro sono do qual ninguém escapa. Lembram-se da declaração do apóstolo: "Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança" (1 Ts 4.13), ou seja, concernente àqueles que estão mortos? Por que eles são chamados 'os que já dormem", mas estão no seu próprio dia? Então, "todas dormiram". Vocês acham que pelo fato de alguém ser sábio, não morre? Seja a virgem tola ou a sábia, todas sofrem o sono de morte igualmente.
Mas os homens dizem continuamente para si mesmos: "Eis que o Dia do Julgamento está vindo. Tantos males estão acontecendo, tantas tribulações se multiplicam; vejam, todas as coisas que os profetas disseram estão quase cumpridas. O Dia do Julgamento já está às portas". Aqueles que falam assim, em fé, superam astuciosamente tais pensamentos para "encontrarem-se com o Esposo". Mas, vejam! guerra sobre guerra, tributação sobre tribulação, terremoto sobre terremoto, fome sobre fome, nação contra nação e o Esposo ainda não veio. Enquanto se espera que Ele venha, todos os que dizem: "Vejam, Ele está vindo, e o Dia do Julgamento nos encontrará aqui", dormem. Enquanto dizem isto, continuam a dormir.
Que cada um de nós tenha em vista este seu sono e persevere até ao eu
sono de amor; que o sono o ache esperando assim. Pois, suponha que ele dormiu. "Aquele que dorme não ressuscitará?" Então, "todas dormiram". Tanto as sábias quanto as virgens tolas, na parábola, todas dormiram.
"Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor". O que é "à meia-noite"? Quando não há nenhuma expectativa, absolutamente nenhuma convicção. A noite indica ignorância. O indivíduo faz um cálculo consigo mesmo: "Vejam, tantos anos se passaram desde Adão, e os seis mil anos estão se completando, e então imediatamente de acordo com a computação de certos expositores, o Dia do Julgamento virá". Contudo, estes cálculos vêm e passam, e ainda a chegada do Esposo tarda, e as virgens que haviam ido encontrá-lo, dormem. E, vejam, quando Ele não é esperado, quando os homens dizem: "Os seis mil anos foram esperados, e, passaram-se. Como saberemos quando Ele virá?" Ele virá à meia-noite. O que significa "virá à meia-noite"? Virá quando vocês não estiverem cientes.
Por que Ele virá quando vocês não estiverem cientes? Ouçam o próprio Senhor: "Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder" (At 1.7). "O Dia do Senhor", diz o apóstolo, "virá como o ladrão de noite" (1 Ts 5-2). Portanto, vigiem de noite para que não sejam surpreendidos pelo ladrão. Pois o sono da morte — quer vocês durmam ou não — virá.
Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor" (Mt 25.6). Que clamor foi este. senão acerca do qual o apóstolo diz: "Num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta"? "... porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados" (1 Co 15-52). E quando o clamor foi dado à meia-noite: "Aí vem o esposo!", o que se segue?
"Então, todas aquelas virgens se levantaram". O que significa todas "elas" se levantaram? "Vem a hora", disse o próprio Senhor, "em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz [...1 [e] sairão" (Jo 5.28,29). Então, ante a última trombeta. todos se levantarão. "As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas" (Mt 25.3,4). Qual é o significado de "não levaram óleo em suas vasilhas"? O que quer dizer "em suas vasilhas"?
Em seus corações. O apóstolo diz: "Nossa glória é esta, o testemunho de
nossa consciência". Há o óleo, o óleo precioso; este óleo é proveniente do dom de Deus. Os homens podem pôr óleo em suas vasilhas, mas não
podem criar a azeitona. Vejam, eu tenho óleo, mas vocês criaram o óleo? É proveniente do dom de Deus. Vocês têm óleo. Levem-no consigo. O que é "levá-lo convosco"? Tenham-no dentro de si para agradar a Deus.
Essas virgens tolas que não levaram óleo consigo desejam agradar os homens mediante essa abstinência, por meio da qual são chamadas virgens, e mediante suas boas obras, quando parecem levar lâmpadas.
E se desejam agradar os homens, e por conta disso fazem todas essas obras louváveis, elas não levam óleo consigo. Se vocês levam-no consigo, levam-no no interior onde Deus vê; ali levam o testemunho de sua consciência.
Pois aquele que anda para ganhar o testemunho de outrem não leva óleo
consigo. Se vocês se privam das coisas ilícitas e fazem boas obras para serem louvados pelos homens, não há óleo interior. E assim, quando os homens começam a deixar seus louvores, as lâmpadas falham. Observem, amados, antes que essas virgens dormissem, não está escrito que as lâmpadas se apagavam.
As lâmpadas das virgens sábias queimavam com um óleo interior, com a garantia de uma boa consciência, com uma glória interior, com uma caridade interna. Contudo, as lâmpadas das virgens tolas também queimavam. Por que queimavam? Porque ainda não havia falta dos louvores dos homens. Mas depois que se levantaram, na ressurreição dos mortos, elas começaram a preparar as lâmpadas, ou seja, começaram a se preparar para prestar contas a Deus das suas obras. E porque não há ninguém a louvar, cada um está inteiramente engajado em sua própria causa, não há ninguém que não pense em si mesmo, então não havia ninguém para lhes vender óleo; assim as lâmpadas começaram a falhar, e as tolas correram até as cinco sábias e disseram: "Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam" (Mt 25.8).
Elas procuravam o que se acostumaram a buscar, para brilhar com o óleo de outrem, para andar segundo os louvores de outrem. Porém, as sábias disseram: "Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós" (v. 9). Esta não era a resposta daqueles que dão conselho, mas daqueles que escarnecem. Por que elas escarnecem? Porque eram sábias, porque a sabedoria estava nelas. Porque elas não eram sábias de si mesmas; mas essa sabedoria estava nelas, acerca da qual está escrito em certo livro, ela dirá àqueles que a menosprezaram, quando eles caíram nos males que ela as prenunciou: "Eu rirei em sua destruição". O que significa, então, esta zombaria das virgens sábias diante das tolas?
"Ide. antes, aos que o vendem e comprai-o para vós", vocês que nunca viveram bem, mas pelo fato de os homens os louvarem, eles lhes vendiam óleo. O que significa "lhes vendiam óleo"? Vendiam louvores, elogios. Quem vende elogios, senão os lisonjeiros? O quanto teria sido melhor vocês não terem aquiescido com os lisonjeiros e terem levado óleo consigo, e em prol de uma boa consciência terem feito todas as boas obras. Então vocês podem dizer: "O justo me corrigirá em misericórdia e me reprovará, mas o óleo do pecador não engordará minha cabeça". Antes, ele diz, que o justo me corrija, que o justo me reprove, que o justo me esbofeteie, que o óleo do pecador engorde minha cabeça. O que é o óleo do pecador, a não ser as blandícias do lisonjeiro?
Então, "ide, antes, aos que o vendem"; isto vocês se acostumaram a fazer. Mas nós não lhes daremos. Por quê? 'Não seja caso que nos falte a nós e a vós". O que significa 'não seja caso que nos falte"? Isto não foi falado em falta de esperança, mas em humildade sóbria e piedosa. Pois embora o homem bom tenha uma boa consciência, como ele sabe como Deus pode julgar quem não é enganado por ninguém? Ele tem uma boa consciência, nenhum pecado concebido no coração o solicita, contudo, ainda que sua consciência seja boa, por causa dos pecados diários da vida humana, ele disse a Deus: "Perdoa-nos as nossas dívidas"; considerando que ele fez o que vem a seguir, "assim como nós perdoamos aos nossos devedores". Ele repartiu o pão aos famintos de coração, de coração ele vestiu os desnudos; daquele óleo interior ele fez boas obras, e contudo nesse julgamento até sua boa consciência treme.
Vejam então o que significa "dai-nos do vosso azeite". Foi dito: "Ide, antes, aos que o vendem". Considerando que vocês estavam acostumados a viver segundo os louvores dos homens, vocês não levam
óleo consigo; mas não lhes podemos dar nada, para que "não seja caso que nos falte a nós e a vós". Pois dificilmente julgamos a nós mesmos, quanto menos julgaremos vocês? O que significa "dificilmente julgamos a nós mesmos"? Porque "quando o Rei justo se assentar no trono, quem se gloriará que o seu coração é puro?" Pode ser que você não descubra nada em sua própria consciência. Mas aquele que vê melhor, cujo olhar divino penetra as coisas mais profundas, descobre algo; Ele vê que pode ser algo, Ele descobre algo. Quanto é melhor você lhe dizer: "Não entres agora em julgamento com o teu servo", quanto melhor: "Perdoa-nos as nossas dívidas".
Porque também lhe será dito por causa dessas tochas, por causa dessas lâmpadas, "tive fome, e deste-me de comer". E então? As virgens tolas também não fizeram o mesmo? Sim, mas elas não o fizeram diante dEle. Como o fizeram? Conforme, que Deus nos livre, Ele disse: "Guardaivos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. [...] E, quando orares, não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão" (Mt 6.1,5).
Elas compraram óleo, deram o preço, não foram defraudadas pelos louvores dos homens: buscaram os louvores dos homens e os tiveram. Estes louvores dos homens não as ajudaram no Dia do Julgamento. Mas as outras virgens, como o fizeram?
"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus" (Mt 5.16). Ele não disse: 'podem glorificar você". Porque você tem óleo de si mesmo. Orgulhe-se e diga: Eu o tenho; mas tenho o óleo dEle, "e que tens tu que não tenhas recebido"? Assim desse modo agiu uma, e de outro, a outra.
Não é de se admirar que "tendo elas ido comprá-lo", enquanto buscavam por pessoas por quem serem louvadas, não acharam nenhuma; enquanto estão buscando por pessoas por quem serem consoladas, não
acham nenhuma; que a porta é aberta e "o esposo chega"? A Noiva, a Igreja, é glorificada com Cristo, para que os vários membros se reúnam no seu todo. "... e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta" (Mt 25.10). Então as virgens tolas vieram em seguida; mas tinham comprado ou encontrado óleo de quem pudessem comprar? Portanto, acharam as portas fechadas; passaram a bater, mas era muito tarde.
É dito, e é verdade, não se trata de declaração enganosa: "Batei, e abrir-se-vos-á"; mas agora quando é o tempo da misericórdia e não quando é o tempo do julgamento. Pois esses tempos não podem ser confundidos, visto que a Igreja canta ao seu Senhor da "misericórdia e julgamento". É o tempo da misericórdia; arrependam-se. Vocês podem se arrepender no
tempo do julgamento? Então, vocês serão como essas virgens contra quem a porta estava fechada. "Senhor, senhor. abre-nos a porta!" O quê! Elas não se arrependeram por não terem levado óleo consigo? Sim, mas de que proveito foi o seu último arrependimento, quando a verdadeira sabedoria escarneceu delas? Portanto, 'a porta estava fechada". E o que lhes foi dito? "Eu não vos conheço". Ele não as conhecia, aquEle que conhece todas as coisas? O que Ele quer dizer com "eu não vos conheço"? Eu as repilo, Eu rejeito vocês. Segundo meu conhecimento, Eu não as reconheço; meu conhecimento não conhece vícios.
Agora, isto é coisa maravilhosa, não conhece vícios e julga os vícios. Não os conhece na prática; julga reprovando-os. Assim, "não vos conheço".
As cinco virgens sábias vieram e "entraram". Quantos de vocês, meus irmãos, estão na profissão do nome de Cristo! Que haja entre vocês as cinco sábias, mas que não sejam somente cinco. Que haja entre vocês as cinco sábias que pertencem a esta sabedoria do número cinco. Pois a hora virá, e vem quando não sabemos. Virá à meia-noite; vigiem. Assim o Evangelho conclui: "Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora" (Mt 25.13). Mas se todos dormirmos, como vigiaremos? Vigiem com o coração, vigiem com fé, vigiem com esperança, vigiem com amor, vigiem com boas obras; e então, quando dormirem no corpo, virá o tempo em que vocês ressuscitarão. E quando vocês tiverem ressuscitado, preparem as lâmpadas. Então não se apagarão mais, serão renovadas com o óleo interno da consciência; o Noivo os abraçará no seu abraço espiritual, Ele os trará à sua casa, onde vocês nunca dormirão, onde sua lâmpada nunca se apagará.
Porém, no momento estamos no trabalho, e as nossas lâmpadas alumiam entre os ventos e as tentações desta vida. Mas deixemos que nossa chama queime fortemente, que o vento da tentação aumente o fogo, em vez de apagá-lo.
Este texto está no tópico - AGOSTINHO
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Ao introduzir a fórmula o que se tornou a doutrina da Trindade, Tertuliano extraiu sua terminologia não dos filósofos, mas dos tribunais romanos. A palavra latina substantia não significava "material", mas carregava a idéia de "direito à propriedade". A substantia de Deus era o seu "torrão", por assim dizer. A palavra persona não significava "pessoa", do modo como usamos a palavra. Ela se referia a uma das partes na ação legal. Conforme esse uso, o termo permite que seja concebível que três personae pudessem compartilhar a mesma substantia. Três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) compartilham uma substância (a soberania divina).
IMUTABILIDADE DE DEUS - C. H. SPURGEON
1. Oferecerei uma exposição desse texto, dizendo primeiro, que Deus é Jeová e Ele não muda em Sua essência. Não somos capazes de lhes dizer o que a Deidade é. Não sabemos qual é a substância dAquele que chamamos Deus. É uma existência, é um ser; mas o que Ele é, nós não sabemos. Entretanto, seja o que for, chamamos isso de Sua essência e essa essência nunca muda. A substância das coisas mortais sempre muda. As montanhas com seus topos brancos de neve perdem seus velhos diademas no verão em rios que correm ao pé delas, enquanto nuvens de tempestade os coroam; o oceano, com suas poderosas marés, perde sua água quando os raios de sol beijam as ondas e as arrebata em evaporação para o céu; até mesmo o sol necessita de combustível novo da mão do infinito Todo-poderoso para encher o seu eterno forno ardente. Todas as criaturas mudam. O homem, especialmente em seu corpo, está sempre sofrendo revolução. Muito provavelmente, não existe uma única partícula em meu corpo que esteve nele alguns anos atrás. Este corpo tem sido gasto pela atividade, seus átomos têm sido removidos através de fricção, partículas novas de matéria têm, nesse ínterim, constantemente se acumulado em meu corpo, e assim tem sido reabastecido; mas sua substância é alterada. O material do qual este mundo é feito está em decadência; como um fluxo de água, as gotas estão caindo e outras vindo atrás, ainda que mantendo o rio cheio, porém sempre mudando os seus elementos. Contudo, Deus é perpetuamente o mesmo. Ele não é composto de qualquer substância ou matéria, mas é espírito - puro, essencial e etéreo espírito - e por isso é imutável. Ele permanece para sempre o mesmo. Não há nenhuma ruga em Sua eterna testa. Nenhuma época O paralisou; nenhum ano O marcou com recordações passageiras; Ele vê as eras passarem, mas com Ele está sempre o agora. Ele é o grande Eu sou - o Grande Imutável. Lembre-se, a essência dEle não sofreu nenhuma mudança quando se tornou unido com a natureza humana. Quando Cristo outrora cingiu-Se com barro mortal, a essência da deidade dEle não foi mudada; a carne não se tornou Deus, nem Deus Se tornou carne por uma mudança real de natureza; as duas naturezas estavam unidas numa união hipostática, entretanto a Deidade ainda era a mesma. Era a mesma quando Ele era um bebê na manjedoura, como quando Ele estendeu as cortinas do céu; era o mesmo Deus que foi pregado na cruz e cujo sangue fluiu abaixo num rio escarlate, o mesmo Deus que sustenta o mundo com Seus eternos ombros e mantém em Suas mãos as chaves da morte e do inferno. Ele nunca mudou na Sua essência, nem mesmo pela Sua encarnação; Ele permanece sempiterno, eternamente, o único Deus imutável, o Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação (Tiago 1:18).
A eternidade não apagará; Impresso permanece em Seu coração, Em marcas de indelével graça.
Se apenas um dos santos de Deus pudesse perecer, então todos poderiam perecer; se um daqueles que fazem parte da aliança pudesse se perder, então todos poderiam se perder. Dessa forma não haveria nenhuma promessa verdadeira no evangelho, a Bíblia seria uma mentira e não haveria nada nela digno da minha aceitação. Eu me tornaria um infiel imediatamente, se pudesse crer que um santo de Deus pode vir a se perder no final. Se Deus me amou uma vez, Ele me amará para sempre.
Os objetos do amor perpétuo nunca mudam. Aqueles que Deus chamou, Ele justificará; aqueles que Ele justificou, Ele santificará; e aqueles que Ele santificou, Ele glorificará (Rom. 8:30).
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A MEMORIZAÇÃO DAS ESCRITURAS
Outros simplesmente nunca tentaram decorar as Escrituras. Como qualquer outra tarefa que nunca foi executada, temor e incerteza podem inibir uma primeira tentativa. Outros que já superaram esse temor, ainda assim, caminham com dificuldade, sem saber por onde começar e como fazer para decorar versículos bíblicos.
Quando comecei a pregar em 1 Pedro, aos domingos pela manhã, pedi à congregação que memorizasse aquela epístola. Mesmo aqueles que têm memorizado as Escrituras durante muitos anos, nunca decoraram um livro inteiro de uma só vez. Meditar em 1 Pedro, nos domingos pela manhã, pareceu-nos uma grande oportunidade de tentarmos memorizar todo o livro.
Um membro comentou: “Fico feliz que o pastor Tom não nos pediu isso quando começou a pregar em Jeremias!” Este seria um bom livro para colocarmos no topo de nossa lista de livros da Bíblia para decorar! Mas 1 Pedro tem apenas 105 versículos. Se aprendermos aproximadamente três versículos por semana, teremos memorizado o livro todo em pouco mais de oito meses. Por que devemos tentar fazer isso? Bem, a Bíblia nos oferece muitas boas razões. Deixe-me apresentar-lhe rapidamente três delas:
1.Memorizar a Palavra de Deus nos ajuda a viver com mais fidelidade a vida cristã
No Salmo 119, verso 11, Davi ora: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”. Ao “guardar” a Palavra de Deus em seu coração, você estará bem equipado para lutar em sua batalha diária contra o pecado. O sábio Salomão nos fala assim: “Inclina o ouvido, e ouve as palavras dos sábios, e aplica o coração ao meu conhecimento. Porque é coisa agradável os guardares no teu coração e os aplicares todos aos teus lábios. Para que a tua confiança esteja no Senhor, quero dar-te hoje a instrução, a ti mesmo” (Pv 22.17-19).
Guardar as palavras do Senhor nos ajudará a colocar nossa confiança nEle. Em outras palavras, esta disciplina nos auxiliará na luta pela fé. Isto é claramente demonstrado pelo próprio Senhor Jesus, durante
as tentações no deserto, descritas em Mateus 4.1-11. Ele foi capaz de resistir aos assaltos do diabo recitando a Escritura de cor.
2. Memorizar a Escritura nos ajuda a testemunhar
Quando Pedro teve a oportunidade inesperada de pregar durante o Pentecostes, ele o fez citando versículos do Antigo Testamento (At 2). Ele não possuía um pergaminho para ler; ele precisou comunicar-se a partir daquilo que havia memorizado. Não é de admirar que Pedro tenha escrito: “Estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15). A Palavra de Deus é a espada do Espírito (Ef 6.17).
Para empunharmos esta espada de maneira efetiva, precisamos tê-la prontamente disponível em nossa mente. A memorização das Escrituras torna isso possível.
3. Memorizar a Escrituraauxilia na meditação
O Senhor nos recomenda a meditação como uma valiosa disciplina espiritual. Esta será auxiliada e encorajada, se a memorização da Escritura tornar-se habitual em nossa vida. O salmista diz: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” (Sl 119.97). Além disso, o livro de Salmos começa com estas palavras: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido” (Sl 1.1-3). O Senhor fez uma referência semelhante para Josué, antes que ele conduzisse o povo à Terra Prometida: “Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido” (Js 1.8).
A probabilidade de meditarmos na Palavra de Deus será muito maior, se tivermos porções dela na memória e prontamente disponíveis em nossa mente e coração. Andy Davis é um amigo que pastoreia a Primeira Igreja Batista de Durhan, NC. Andy empenhou sua vida no esforço e encorajamento de outros, a fim de engajarem-se na tarefa de memorização de passagens extensas da Escritura. Ele contribuiu com um capítulo sobre exatamente este assunto no livro que editei, Dear Timothy (Amado Timóteo, Editora
Fiel). A seguir, estão seus argumentos em favor da memorização de capítulos e livros inteiros da Bíblia:
1. Isto honra o testemunho que as Escrituras dão sobre si mesmas: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3.16); e, “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4). Deus não
desperdiça o seu sopro, pois não há palavras supérfluas nas Escrituras.
E você descobrirá que alguns de seus momentos mais poderosos de convicção, discernimento e encorajamento virão de textos inesperados da Bíblia.
2. Uma vez que boa parte da Bíblia é escrita como um fluxo de pensamento, com o autor expondo alguns pontos gerais, de argumentação lógica, memorizar a passagem inteira possibilita um entendimento maior da idéia central. Você não irá perder a floresta pelas árvores. E nem as árvores pela floresta. Todo o livro de Hebreus soará como uma única sinfonia da verdade, e cada verso individualmente na seqüência de idéias tocará suas próprias notas com uma nova claridade. Este benefício da “floresta e das árvores” [ou seja, abrangendo o todo e suas partes] também irá ajudá-lo a construir uma teologia bíblica completa, sem defeitos, e sistemática, ao mesmo tempo que lhe dará entendimento, capacidade para pregar e
ensinar versículos, individualmente, da forma adequada.
3. Você estará menos propenso a usar versículos fora de seu contexto, como resultado da memorização de todo o livro. Um dos argumentos mais comuns usados pelas pessoas que se opõem a você em uma discussão doutrinária é: “Você está tirando isto do contexto!” Um trabalho cuidadoso no livro todo irá ajudá-lo a evitar este tipo de erro.
4. Sua alegria continuará aumentando, assim como sua reverência à miraculosa infinidade da verdade nas Escrituras, conforme você descobre novas verdades dia após dia, mês após mês. A disciplina de memorizar livros inteiros irá levá-lo a territórios nunca antes desbravados, e, uma vez que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil…” (2 Tm 3.16), você receberá benefícios desta jornada de descobrimento.
Encorajamento para memorizar a Palavra de Deus
1. Lembre-se que o Senhor tem poder sobre sua mente. “Então, [Cristo] lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras” (Lc 24.45). Jesus operou de modo eficaz na mente de seus discípulos para que entendessem. Ele pode, do mesmo modo, operar em você, a fim de capacitá-lo a memorizar. Dedique o seu melhor. Faça um esforço sincero e ore para que Ele abençoe os seus esforços.
2. Pense nos benefícios que advém da memorização da Palavra de Deus! Quem dentre nós não desejaria
ter a vida moldada mais e mais pelas Escrituras? Todo crente gostaria de ter as palavras da Bíblia em sua mente, prontas para serem incorporadas em suas conversas. Estes são dois dos benefícios da memorização das Escrituras. É claro que há muitos outros, como indicam os versos que citei anteriormente.
Nós não memorizamos a Escritura com muita freqüência, simplesmente porque ela não é muito importante para nós. Não gostamos de admitir, mas isso tende a ser verdade. Como ficaríamos motivados, se alguém nos oferecesse cem mil reais a cada capítulo que conseguíssemos memorizar! Você faria isso? Ao menos tentaria? Os benefícios de memorizar a palavra de Deus, como sabemos, são mais altos que qualquer quantia em dinheiro. . Elabore um plano. Onde quer que você comece, para continuar memorizando versículos, é de importância vital que estabeleça um tempo a cada dia, a fim de trabalhar em versículos específicos. Ainda que sejam cinco ou dez minutos por dia, já será um bom começo. Se você puder fazer isso duas vezes por dia, seu progresso será ainda maior.
Faça o possível para ser constante e trabalhar na memorização das Escrituras todos os dias. Acho bastante útil anotar os versículos em pedaços de papel ou cartão. Desse modo, posso levá-los comigo e trabalhar neles durante o dia. Reveja o que aprendeu. À medida que você decorar mais versículos, precisará adicionar algum tempo para revisar os versículos mais antigos, enquanto trabalha nos mais recentes. Muitas vezes, é no processo de revisão que emergem alguns dos mais frutíferos pensamentos para meditação.
Por fim, peça a outros que o auxiliem — orando por você e ajudam-do-lhe a memorizar. Uma das bênçãos de trabalharmos juntos em um livro como 1 Pedro é que podemos dar assistência um ao outro durante a nossa vida diária. Quando estiver falando ao telefone, em público, antes de uma aula ou após o almoço, peça a um amigo ou a alguém da família que confira os versículos nos quais você está trabalhando. Ofereça-se para fazer o mesmo por eles. Ore para que o Senhor faça sua Palavra permanecer no coração e na vida de seu povo e que nós nos conformemos mais à imagem de Jesus Cristo.
Homens em adversidade - C. H. SPURGEON
Nada me deixa mais doente com a natureza humana que a forma como alguns homens tratam os outros, quando estes caem da escada da fortuna. Eles gritam: "Abaixo com ele, nunca foi bom para nada".
Para baixo, entre os homens mortos,
Para baixo, para baixo, para baixo,
Para baixo, entre os homens mortos
Deixem que ele fique ali.
Cães não comem cães, mas os homens se devoram como canibais e ainda se gabam disso. Há milhares de pessoas neste mundo que voam como abutres para se alimentar de um negociante ou comerciante tão logo ele tem dificuldades. Onde houver carcaças, haverá águias reunidas. Em vez de uma pequena ajuda, elas dão ao homem caído muita crueldade e gritaria. Bem feito para ele, todo mundo açoita o homem a quem a fortuna golpeia. Se a providência o golpeia, os chicotes de todos os homens se levantam para golpeá-lo. O cão está se afogando, por isso, todos seus amigos esvaziam os baldes de água sobre ele. A árvore caiu, e todo mundo corre com seu machadinho. A casa pega fogo, e todos os vizinhos se aquecem com o calor. O homem tem aparência de doente, e seus amigos lhe dão um tratamento doentio; ele capota na estrada, e os outros passam com o carro por cima dele; ele cai e o egoísmo grita: "Deixe que fique caído, assim sobra mais espaço para quem está de pé".
Como é triste, quando os que o derrubam, ficam chutando-o por nada. Não é muito agradável ouvir que você foi um grande tolo, pois havia, pelo menos, cinqüenta formas de se manter fora de dificuldade e só você não conseguiu ver. Você não podia perder o jogo, até mesmo um João Bobo consegue ver onde você errou: "Ele deveria ter fechado as portas do estábulo!" –, todo mundo enxergou isso, mas ninguém se ofereceu para comprar um cavalo novo para o perdedor. "Que pena, ele conseguiu ir tão longe na neve!" –, é verdade, mas isso não salvou o pobre camarada do afogamento. É muito fácil dizer que há buracos em um casaco gasto, e mais fácil ainda, é fazer um buraco nele. Um bom conselho é um alimento pobre para uma família faminta.
Um homem de palavras, e não de ações – É como um jardim cheio de ervas daninhas.
Quando eu chegar em casa, empreste-me um pedaço de barbante para amarrar os tirantes e consertar defeitos em meu velho arreio. Ajude meu velho cavalo com um pouco de aveia, e depois peça-lhe para apressar o passo. Sinta por mim, e eu me sentirei muito agradecido a você, mas esteja atento para sentir em seu bolso ou seu sentimento não vale uma bagatela.
Muitos homens que descem a montanha encontram-se com Judas antes de chegar ao fim dela. Em geral, os que eles ajudaram em seus tempos bons esquecem a dívida ou a pagam com indelicadeza. O broto novo foge com a seiva da velha árvore. A cria suga sua mãe e, depois, a chuta. O velho ditado diz: "Eu te ensinei a nadar, agora você pode me afogar", e muitas vezes isso acontece. O cão abana a cauda até conseguir o osso, depois, ele morde a mão que o alimentou. O pão que se comeu é esquecido, e a mão que o deu é desprezada. A vela ilumina os outros e apaga. A maioria das pessoas esquece com facilidade uma reviravolta boa. A lei dourada do mundo é a do cada um por si mesmo, e todos sabemos quem fica com a última parte. A raposa toma conta da própria pele e não pensa em perder a cauda por gratidão a um amigo.
Um espírito nobre sempre fica do lado dos fracos, mas os espíritos nobres não cavalgam com freqüência ao longo de nossas estradas. Eles são raros como as águias, você pega grande quantidade de pombas, falcões e aves de rapina, mas a raça mais nobre você não vê nem uma vez sequer durante a vida. Você já ouviu os corvos lerem o preâmbulo fúnebre em cima de uma ovelha morta antes de devorá-la? Bem, isso é muito parecido com os vizinhos pranteando: "Que pena! Como aconteceu? Ó querido! Ó querido!", em seguida, apressam-se no trabalho de garantir sua parte no despojo. A maior parte das pessoas ajuda quem não precisa; cada viajante atira uma pedra onde já existe uma pilha delas; todos os cozinheiros regam com molho ou gordura o porco gordo, mas deixam queimar a carne magra.
Em tempos de prosperidade os amigos são abundantes: Em tempos de adversidade não há um entre vinte.
Quando o vento está a favor, tudo ajuda. Enquanto a panela ferve, a amizade floresce. Mas os aduladores não visitam cabanas, e nenhum noivo conhece a rosa murcha. Todos os vizinhos são primos do homem rico, mas o irmão do homem pobre não o conhece. Quando temos uma ovelha e um cordeiro, todos gritam: "Seja bem-vindo, Pedro!". Se o fazendeiro der um suspiro é ouvido à distância de quase um quilômetro, mas ninguém ouve a viúva Needy do outro lado das grades do parque, deixem que ela chame enquanto puder. Há homens dispostos a despejar água em uma banheira cheia de água e a dar festas para os que não estão com fome, porque querem receber o mesmo, ou até mais, em retorno. Coma um ganso e consiga um ganso. Tenha um cavalo seu e, depois, você também pode pedir um emprestado. É seguro emprestar cevada quando o celeiro está cheio de trigo, mas quem empresta ou dá para quem não tem nada? Quem, a não ser uma alma velha e antiquada que realmente acredita em sua Bíblia e ama o seu Deus e, por isso, dá sem esperar nada de volta?
Observo que certas pessoas da nobreza pretendem ser grandes amigos do homem que passa por dificuldades porque ainda há alguns restos a serem retirados de seus ossos. O advogado e o homem que empresta dinheiro cobrem o pobre infeliz com suas asas e, depois, mordem-no com suas contas até que não reste nada. Quando essas pessoas são muito polidas e têm muita consideração, os infelizes têm de se acautelar. Não foi um bom sinal quando a raposa entrou no galinheiro e disse: "Bom dia para todas vocês, minhas amigas muito queridas".
No entanto, os homens em adversidades não devem se desesperar, pois Deus está vivo e é amigo dos que não têm amigos. Se não houver mais ninguém para dar uma mão para quem está em necessidade, a mão do Senhor não deixará de trazer libertação para os que confiam nele. Um homem bom pode ser colocado no fogo, mas não pode ser queimado. Sua esperança pode ficar encharcada, mas não se afoga. Ele recobra a coragem, faz de seu coração valente uma muralha de pedra e sai do solo áspero em que outros ficam caídos e morrem. Enquanto há vida, há esperança. Por isso, meu amigo, se você passa por adversidades, João Lavrador convida-o a não ficar no fosso, mas a levantar-se e tentar de novo. Jonas chegou ao fundo do mar, mas voltou á praia, e muito melhor depois de sua jornada aquática.
Apesar do pássaro estar no ninho,
Ele logo vai embora;
Apesar de eu estar no pó,
Confio muito no meu Deus,
Espero nele,
E entrego tudo a sua vontade;
Com certeza, ele virá,
E banirá meu medo.
Jamais esqueça que o homem que passa por adversidades tem uma grande oportunidade de confiar em Deus. A fé falsa flutua apenas em água plácida; mas a fé verdadeira fé, como o barco salva-vidas, está em casa na tempestade. Se nossa religião não nos desnuda em tempos de provação, qual é sua utilidade? Não acreditamos de fato em Deus se não conseguimos acreditar nele quando as circunstâncias aprecem adversas. Confiamos em um ladrão contato que possamos vê-lo, será que ousamos tratar a Deus da mesma forma? Não, não. O Senhor é bom. E ele ainda aparece para seus servos, e nós devemos louvar seu nome.
Para baixo, entre os homens mortos!
Não, senhor, eu não.
Para baixo, entre os homens mortos!
Eu não me deitarei.
Para cima, entre os esperançosos,
Eu irei,
Para cima, entre os alegres,
cante para sempre.





















