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Pensando de maneira perversa sobre Deus - Tozer

Posted by Josemar Bessa on Sexta-feira, Novembro 20, 2009 , under , | comentários (1)




TAMANHO É PALAVRA CARACTERÍSTICA DA CRIATURA.


Para Deus a qualidade é imensamente importante, e o tamanho tem pouca importância. Quando postos em oposição mútua, a qualidade é tudo e o tamanho não é nada.

Não é difícil entender isso, visto que tamanho é palavra característica da criatura, e só se aplica a matéria. Tem a ver com dimensão, peso ou número de coisas criadas. Deus não tem tamanho, pela simples razão de que nenhum dos atributos da matéria se aplica a Ele, e tamanho é atributo da matéria.

Atribuir tamanho a Deus é faze-lo sujeito a graus, o que Ele nunca pode ser, visto que a própria idéia de grau relaciona-se unicamente com as coisas criadas. Aquilo que é infinito não pode ser mais ao menos, maior ou menor, e Deus é “Eu Sou o que Sou” é como Ele, em Sua condescendente paciência, explica a inteligência criada o Seu Ser incriado.

Qualidade, no sentido em que usamos aqui a palavra, tem a ver com o ser puro, com o intrínseco, e não admite propriamente grau. Por esta razão podemos atribuir qualidade a Deus, não tamanho, porém.

Deus fez o homem à sua imagem e lhe deu intelecto, emoção e vontade, juntamente com percepções moral e capacidade de conhecer e cultuar a seu Criador. Estes atributos constituem qualidade do ser e diferenciam o homem do mundo que o cerca, e mesmo do seu próprio corpo. Os corpos materiais têm extensão no espaço, peso e forma, mas lhes falta capacidade para pensar, sentir, amar, comover-se, cultuar. Porque lhes falta esta capacidade, e especialmente porque lhes falta o poder da vontade, não possuem qualidades morais e espirituais de nenhuma espécie. E porque não têm estas qualidades, não são nada em si mesmos. Seu único significado é aquele que ocasionalmente lhes pode ser outorgado por Deus ou pelo homem, que Ele fez a sua semelhança.

A queda moral do homem obscureceu a sua visão, confundiu o seu pensamento e o tornou sujeito à ilusão. Uma evidência disso é a sua quase incurável propensão para confundir os valores e pôr o tamanho antes da qualidade em sua apreciação das coisas. A fé cristã inverte esta ordem, mas até os cristãos tendem a julgar as coisas pela velha regra adâmica. QUE TAMANHO? QUANTO? QUANTOS? São as questões levantadas mais freqüentemente pelas pessoas religiosas quando tentam avaliar as coisas cristãs. Isto se faz mediante uma sorte de reflexo inconsciente, porque no mundo da matéria, do movimento , do espaço e do tempo, essas questões têm significação válida. No mundo do espírito nada significam, e, apesar disso, nós as carreamos para dentro do reino de Deus, prova suficiente de que as nossas mentes só foram renovadas imperfeitamente.

Nosso problema é que pensamos como homens. Temos gosta da terra, e não do céu, e a nossa psicologia não é a de Cristo, mas, sim, a de Adão. Todo o tempo insistimos teimosamente em que somos cristãos bíblicos, mas é para vergonha nossa que muitos filósofos pagãos tinham mais inclinação espiritual que nós. Sócrates, Epicteto, Marco Arrelio e muitíssimos mais poderiam apresentar-se para testemunhar contra nós. Foram mais sábios em sua geração destituída da luz do Novo Testamento do que nós a possuímos.

A fé cristã bate-se por um reino espiritual onde a qualidade do ser é tudo. “Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai e espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura pra seus adoradores. Deus é espírito e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. Com estas palavras Jesus mostrou como os judeus e os samaritanos estavam extraviados em seus argumentos sobre o lugar próprio para o culto. Nem a beleza de uma cidade, nem o vulto de um monte têm importância para o Pai. Verdade e espírito, e toda a riqueza de qualidades morais que os cercam: estas coisas são o supra-sumo de tudo.

Não é raro encontrar estudantes universitários cuja fé em Cristo foi lamentavelmente abalada por expor-se aos ensinamentos da ciência. Depois de algumas aulas de astronomia e uma olhada pelo telescópio, o seu pulcro e diminuto universo começa a desmoronar-se. A consumada enormidade dos corpos celestes e a imensidão do espaço os oprimem. A Terra é apenas uma pinta microscópica na vastidão do espaço, e o homem nada mais que uma cabeça de alfinete na superfície da Terra, e Deus é algo que está além da mais distante estrela, afastado bilhões de anos-luz – como, pois, poderia Deus fazer-se homem e habitar entre nós? E de que vale o homem, insignificantemente pequeno e de vida pateticamente curta?

Pensar deste jeito é confundir tamanho com qualidade; é pensar de maneira ignóbil do Deus Altíssimo; é identifica-lo com a matéria e fazê-lo servo do tempo e do espaço; é degradar o conceito cristão da Divindade e cair vítima da incredulidade.

A verdade é que uma só alma feita à imagem de Deus Lhe é mais preciosa do que todo o universo repleto de astros.

A astronomia lida com espaço, matéria e movimento; a teologia lida com a vida, a personalidade e o mistério do ser. O corpo do salmista Davi, por exemplo, embora de porte médio, era tão pequeno que podia ter ficado oculto numa fenda das montanhas da Judéia sem nunca ser encontrado, ainda que o procurassem durante mil anos. Tamanho é isso, e não é muito importante. Entretanto, numa hora de inspiração, Davi escreveu o Salmo do Pastor! Qualidade é isso, e quão preciosa é poder-se inferir do som de dez mil vozes contando aquele salmo todos os domingos do ano ao redor do mundo inteiro.

A igreja dedica-se a coisas que importam. Qualidade importa. Não nos deixemos arrastar para fora do rumo pelo tamanho das coisas.

O SEGREDO DO CARÁTER PURITANO

Posted by Josemar Bessa on Quinta-feira, Novembro 19, 2009 , under , , , | comentários (0)




Por causa da propensão ao mal presente na natureza humana, os puritanos estavam bem cientes do engodamento do pecado. John Owen enxergou três estágios no engano do pecado.


(1) - Primeiro, a perspectiva se perde na vileza do pecado e na maravilha da graça de Deus. A tendência do pecado é sempre diminuir a seriedade do pecado. A verdade bíblica perde sua empunhadura na imaginação e é reduzida a simples conteúdo cognitivo. À medida que as sendibilidades espirituais são entorpecidas, o cristão perde aquele "prazer santo" que já foi motivo primeiro em sua vida.


(2) - Em segundo lugar, quando as inclinações não estão firmemente direcionadas às coisas de Deus, a atração do pecado faz sua aparição na imaginação. À medida que o pecado é contemplado sem o correspondente senso de desgosto, ele capta a imaginação e a torna positivamente desejável. A imaginação "rola" o prazer do pecado, "tal qual o rolar da comida, feito pela língua, para agradar o paladar".


(3) - Em terceiro lugar, a vontade anui ou que parece ser bom à mente e cria racionalizações pra justificar o pecado que está sendo contemplado. As emoções são alteradas e inflamadas pelas representaçõe vívidas do prazer do pecado, enquanto as convicções da consciência são aliciadas. Se essa "corrente de engano" não for quebrada, ela conduzirá a atitudes e ações pecaminosas. "Mas tarde, após o pecado residente ter criado um padrão de hábito, o ciclo pode ocorrer tão rapidamente que não haverá mais quaisquer consciência dos "estágios", do "conferenciar e do seduzir". Em lugar disso, o comportamento acontecerá rapidamente e com pouca advertência".Nesse sentido, Thomas Brooks adverte contra o engano do pecado quando ele aparece por intermédio das cores da virtude. Em sua descrição acerca do efeito produzido pelo desmascarar do pecado, a eloqüência de Brooks condiz com a importância do evente e capta a o intensidade que é a marca registrada do puritanismo:

"Ah, almas! Quando te deitares sobre o leito de morte, e compareceres diante do tribunal, o pecado será desmascarado, suas veste serão retiradas, aí ele terá a aparência de mais vil, imundo, e terrível que o próprio inferno; dessa forma, aquilo que outrora aparntava er doce agora parecerá tremendamente amargo, e aquilo que aparentava ser mais prazeroso parecerá tão desprezível, tão assustador à alma. Ah! a vergonha, a dor, o fel, o amargor, o horror, o inferno que a realidade do pecado, quando despido, despertará nas pobres almas! O pecado certamente se demonstrará mau e amargo para a alma, quando suas veste forem arrancadas... até temos pecado, Satanás é um parasita: quando pecamos, ele se torna um tirano"

Brooks também adverte que dar preferência a um pecado menor impele o diabo a nos tentar a cometermos um pecado maior. "O pecado possui natureza usurpadora; ele rasteja, deslizando pelos degraus da alma, passo a passo". Com isso, Owen concordou, apresentando o pecado como uma força existente dentro do coração humano:

"Primeiro ele cobiça, mexendo e movimentando invenções imoderadas na mente; deseja, por meio dos apetites e dos interesses, propondo-os à vontade. Mas não pára por aí, pois não pode parar; ele insta, pressiona e persegue seus propósitos com determinação, força e vigor, luta, contende e guerreia para obter seu fim e propósito"

Dessa forma grande parte do aconselhamento puritano concentrava-se no problema do pecado por causa da sua extensão penetrante, seu caráter enganador e sua natureza pervertida. Reconhecendo o engano residente em cada coração, os conselheiros puritanos sabiam que aquilo que as pessoas menos queriam ouvir era o que elas mais precisavam ouvir. Por conseguinte, a solução que os pastores puritanos ofereceram aos dilemas criados pelo domínio do pecado foi o princípio da mortificação.

Mortificação significa matar as obras do corpo (Rm 8.13). Mortificar sognifica tirar toda a força, o vigor e o poder do pecado, de modo que ele não possa agir por conta própria ou se impor na vida do crente. Isto inclui não apenas o fruto do pecado nos padrões de conduta exterior, mas também a reiz do pecado nas motivações e desejos interiores.

Em seu desenvolvimento do conceito de mortificação, Owen explica primeiro o que o conceito não é, antes de descrever o que ele é. Mortificação não significa eliminar o pecado a tal ponto nesta vida que esse deixa de se constituir problema. Embora, esse seja o alvo da santificação, ele não pode ser alcançado na vida presente por causa da presença do pecado que em nós habita ( Rm 7.14-25). Em segundo lugar, mortificação não significa alcançar um grau de civilidade ou conformidade à moralidade exterior, pois tal "pode parecer para o próprio homem e para os outros que são bastante mortificados, quando, quem sabe, seus corações sejam um fosso permanente de todo tipo de abominações" Em terceiro lugar, a mortificação não significa substituir um pecado por outro, pois todo pecado é digno de morte. Por fim, vitórias ocasionais sobre o pecado não contituem mortificação do princípio do pecado.

O delinear de Owen daquilo que está presente na mortificação foi muito bem resumido por Fergson:


"Ao contrário, a mortificação envolve o enfraquecimento habitual do pecado, e o constante lutar contra ele, com certa medida de sucesso. A batalha precisa ser perpétua, pois cada manifestação do pecado contém as sementes do domínio ímpio do pecado, e inclina-se sempre para o mesmo fim. Existe uma crucificação universal necessária da carne por meio da qual o peado é enfraquecido"


O segredo do caráter puritano pode ser encontrado na atitude para com a vida cristã na constante batalha espiritual contra o pecado. Isso difere bastate da quantidade de seminários a respeito de batalha espiritual que estão sendo oferecidos hoje, em que o cristão aprendem a lutar contra forças demoníacas ao seu redor. Os puritanos não lutavam contra demônios, mas contra si mesmos, por conseguinte adquiriam certa maestria sobre si mesmos, produzindo piedade e vida.

É HORA DE SOFRER PELA VERDADE - JOÃO CALVINO

Posted by Josemar Bessa on , under , , , | comentários (0)




O grande Reformador - João Calvino - nos desafia a não nos conformarmos com uma ortodoxia correta - mas estar disposto a vivê-la e morrer pela Verdade, para a glória de Deus...

CRISTO MORREU PELOS ELEITOS - JOHN OWEN

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3º Vídeo da Série - Expiação Limitada do Grande Teólogo Puritano - John Owen - Cristo Morreu pelos Eleitos...

A DEPRAVAÇÃO ADÂMICA PROPAGADA - JOÃO CALVINO

Posted by Josemar Bessa on Quarta-feira, Novembro 18, 2009 , under , , | comentários (0)




A DEPRAVAÇÃO ADÂMICA PROPAGADA A TODOS OS SEUS DESCENDENTES



Ouvimos que a depravação dos pais de tal modo se transmite aos filhos, que todos, sem qualquer exceção, se fazem poluídos em sua concepção. Não se achará, porém, o ponto de partida desta poluição, se, como à fonte, não remontarmos ao primeiro genitor de todos. Desse modo deve-se, por certo, sustentar que Adão não foi apenas o progenitor, mas ainda como que a raiz da natureza humana, e daí, na corrupção daquele, foi com razão corrompido todo o gênero humano.
Isto o Apóstolo faz claro pela comparação daquele com Cristo. Diz ele: “Assim como através de um só homem entrou o pecado no mundo inteiro, e através do pecado a morte, que foi propagada a todos os homens, uma vez que todos pecaram, assim também, pela graça de Cristo, nos foram restituídas a justiça e a vida” [Rm 5.12, 17].

O que os pelagianos grasnarão aqui? O pecado de Adão propagado por imitação? Logo, outra coisa não usufruímos da justiça de Cristo, senão que ela nos é um exemplo proposto para imitação? Quem suportaria tão grande sacrilégio? Porque, se está fora de controvérsia que, mediante comunicação, a justiça de Cristo é nossa, e desta a decorrer a vida, segue-se, ao mesmo tempo, que em Adão foram ambas assim perdidas, como em Cristo ambas são recuperadas. De igual modo, assim se infiltraram o pecado e a morte através de Adão como são abolidos por meio de Cristo. Estas não são palavras obscuras: que muitos são justificados pela obediência de Cristo, da mesma forma que haviam sido constituídos pecadores pela desobediência de Adão [Rm 5.19]. E por isso, entre estes dois [Cristo e Adão], a relação é esta: que este, a nós envolvendo em sua ruína, consigo nos perdeu; Aquele, por sua graça, nos restituiu à salvação. Em luz tão meridiana da verdade, sou de parecer que não se faz necessária nenhuma comprovação mais extensa ou mais laboriosa.

Assim, na Primeira Epístola aos Coríntios, como visa a firmar os piedosos na confiança da ressurreição, o Apóstolo mostra que em Cristo é recuperada a vida que fora perdida em Adão [1Co 15.22]. Quem declara que todos nós morremos em Adão, já, ao mesmo tempo, também atesta abertamente estarmos enredilhados no estigma de seu pecado. Pois a condenação não alcançaria àqueles que não foram tocados pela culpa de iniqüidade. Mas, ao que Paulo visa, não se pode entender mais claramente que à luz da relação do outro membro da cláusula, onde ensina ser em Cristo restaurada a esperança de vida. Sabe-se sobejamente, porém, que isso não se pode dar de outra maneira senão onde, mercê dessa admirável comunicação, Cristo transmite a nós o poder de sua justiça, tal como está escrito em outro lugar: “O Espírito nos é vida em razão de sua justiça” [Rm 8.10].

Portanto, nem é defensável interpretar-se de outra forma o que se diz: que em Adão todos nós morremos; senão que ele, em pecando, não apenas acarretou a si próprio a miséria e a ruína, como também precipitou nossa natureza em semelhante derrocada. Isso não se deu somente por sua corrupção pessoal, a qual não nos diz respeito; ao contrário, porque infeccionou a toda sua descendência com essa depravação em que caíra. Tampouco se manteria, de outra maneira, também a declaração de Paulo de que todos são por natureza filhos da ira [Ef 2.3], a não ser que, já no próprio ventre, estivessem sob a maldição da culposidade. Depreende-se facilmente que por certo aqui não se deve entender natureza como foi criada por Deus; antes, como foi corrompida em Adão, pois que estaria muito longe de ser procedente que Deus se fizesse o autor da morte. Portanto, de tal forma se corrompeu Adão que o contágio se transmitiu dele a toda a descendência.

Além disso, onde ensina que todo o que é gerado da carne é carne [Jo 3.6], o próprio Juiz celestial, Cristo, proclama com sobeja clareza que todos nascem ímpios e depravados, e por isso a todos está fechada a porta da vida, até que sejam gerados de novo [Jo 3.6].

O JUMENTO E EU – C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on , under , , | comentários (0)




Todos os primogênitos de todos os animais tinham de ser do Senhor; mas, visto que o jumento era um animal imundo, não poderia ser apresentado como sacrifício – “O jumento, porém, que abrir a madre, resgatá-lo-ás com cordeiro; mas, se o não resgatares, será decapitado. Remirás todos os primogênitos de teus filhos. Ninguém aparecerá diante de mim de mãos vazias” (Êx 34.20). Então, o que devia ser feito? Ele ( o jumento) deveria ficar livre da lei universal? De maneira nenhuma. Deus não permite exceções às regras.
O jumento devia ser do Senhor, mas Ele não o aceitaria. Não havia outra maneira de escape, exceto a redenção – a criatura deveria ser salva mediante a substituição de um cordeiro em seu lugar. Se não fosse redimido, o jumentinho tinha de ser morto.
Minha alma, eis uma lição para ti. Aquele animal impuro é semelhante a ti. Tu és propriedade do Senhor, que te criou e te preserva. Mas tu és tão pecaminosa, que o Senhor não pode te aceitar, nem te aceitará. O Cordeiro de Deus tem de ser colocado em teu lugar, pois, do contrário, tu perecerás eternamente.
Que todo mundo conheça a tua gratidão para com aquele Cordeiro imaculado, que derramou seu sangue por ti e te livrou da maldição fatal da Lei. Às vezes, o israelita poderia ter perguntado quem deveria morrer, o cordeiro ou o jumento? Será que o bom israelita não avaliará e consideraria tais coisas? Certamente não existe comparação entre o valor da alma de um homem e a vida do Senhor Jesus. Apesar disso, o Cordeiro morreu, e o homem foi poupado. Ó minha alma, admira o ilimitado amor de Deus por ti e pelos outros membros da raça humana. Vermes foram comprados com o sangue do Filho do Altíssimo! Pó e cinzas foram redimidos com um preço mais elevado do que prata e ouro! A condenação teria sido a minha porção, se a redenção não houvesse sido encontrada. Infinitamente magnífico é o glorioso Cordeiro que nos redimiu da morte.

COMO O PECADO ORIGINAL NOS AFETA - JOÃO CALVINO

Posted by Josemar Bessa on Terça-feira, Novembro 17, 2009 , under , , | comentários (0)




O PECADO ORIGINAL DE ADÃO AFETA TODA SUA POSTERIDADE


Como a vida espiritual de Adão era permanecer ele unido e ligado a seu Criador, assim também, ao alienar-se dele veio-lhe a morte da alma. Portanto, não surpreende se, por sua defecção, afundou na ruína sua posteridade aquele que perverteu, no céu e na terra, toda a ordem da própria natureza. “Gemem todas as criaturas”, diz 5. Primeira edição: “Se vil e execrável ofensa é a apostasia, pela qual o homem se Paulo, “não por sua própria vontade, sujeitas à corrupção” [Rm 8.20, 22]. Caso se busque a causa disso, não há dúvida de que estão a sofrer parte daquele castigo que o homem mereceu, para cujo proveito elas foram criadas. Portanto, quando, de alto a baixo, por sua culpa atraiu a maldição que grassa por todos os recantos do mundo, nada há de ilógico se ela foi propagada a toda sua descendência. Logo, depois que a imagem celeste foi nele obliterada, não sofreu sozinho esta punição que, em lugar de sabedoria, poder, santidade, verdade, justiça, ornamentos de que fora ataviado, lhe sobreviessem as mais abomináveis pragas: cegueira, fraqueza, impureza, fatuidade, iniqüidade, mas ainda nas mesmas misérias enredilhou e submergiu sua progênie.
Esta é a corrupção hereditária que os antigos designaram de “pecado original”, entendendo pelo termo pecado a depravação de uma natureza antes disso boa e pura, matéria a respeito da qual muita lhes foi a contenção, uma vez que nada seja mais remoto do consenso geral que pela culpa de um só todos se façam culpados e, assim, o pecado se torne comum a todos. Esta parece ter sido a razão por que os doutores mais antigos da Igreja abordaram este assunto de forma tão obscura, pelo menos por que o explanaram menos lucidamente do que se fazia necessário.
Contudo, esta relutância não pôde impedir que Pelágio entrasse em cena, cuja profana invenção foi haver Adão pecado tão-somente para seu próprio dano, mas que aos descendentes nada afetou. Naturalmente, com esta artimanha de encobrir a enfermidade, Satanás tentou torná-la incurável. Como, porém, pelo claro testemunho da Escritura se mostrasse que o pecado foi transmitido do primeiro homem a toda a posteridade [Rm 5.12], sofismavam haver-se transmitido por imitação, não por geração. Portanto, bons homens, e acima dos demais Agostinho, nisto laboraram afincadamente para mostrar que não somos corrompidos mediante impiedade adquirida; ao contrário, trazemos depravação ingênita desde o ventre materno.
O não reconhecimento desse fato foi o supremo descaramento. Mas ninguém se surpreenderá
da temeridade dos pelagianos e dos celestianos quem, pela leitura dos escritos daquele santo varão, Agostinho, tenha percebido que monstros de perversa catadura foram eles em todos os demais pontos.
Por certo que não é ambíguo o que Davi confessa, a saber, ter sido gerado em iniqüidades e de sua mãe concebido em pecado [Sl 51.5]. Não está ele aí a censurar as faltas do pai ou da mãe; antes, para que melhor enalteça a bondade de Deus para consigo, faz remontar a confissão de sua iniqüidade à própria concepção. Uma vez ser evidente não ter sido isso peculiar a Davi, segue-se que sob seu exemplo se denota a sorte comum do gênero humano.
Portanto, todos que descendemos de uma semente impura, nascemos infeccionados pelo contágio do pecado. Na verdade, antes que contemplemos esta luz da vida, à vista de Deus já estamos manchados e poluídos. Pois, “quem do imundo tirará o puro?” Certamente, como está no livro de Jó [14.4], ninguém!

GUERREIRO DE CORAÇÃO DESFALECIDO - SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Segunda-feira, Novembro 16, 2009 , under , | comentários (0)




Pelo fato de Jesus ter ido adiante de nós, as coisas não ficariam como ficaram, se Ele nunca tivesse tomado aquele caminho. Ele venceu cada inimigo que obstruía a passagem. Entusiasme-se agora, guerreiro de coração desfalecido. Não somente Cristo palmilhou a estrada, Ele também destroçou seus inimigos.
Você receia o pecado? Ele for pregado na cruz. Tem medo da morte? Ele foi a morte da Morte. O inferno apavora-o? Ele bloqueou-o contra a chegada de qualquer de seus filhos; eles nunca verão o golfo da perdição. Quaisquer inimigos que possam estar diante do cristão serão subjugados.
Há leões, mas suas presas estão quebradas; há serpentes, mas suas presas foram extraídas; há rios, mas eles têm pontes e são vadeáveis; há chamas, mas usamos aquela inigualável vestimenta que nos torna invulneráveis ao fogo. A espada que foi forjada contra nós já está sem corte; os apetrechos de guerra que o inimigo está preparando já perderam sua ação.
Deus removeu na pessoa de Cristo todo poder que qualquer coisa possa ter para ferir-nos. Pois bem, o exército pode marchar em segurança, e você pode ir alegremente no curso da sua jornada, pois, todos os inimigos estão vencidos antecipadamente.
O que fará você, senão marchar para tomar sua presa? Eles foram batidos, foram vencidos; tudo o que você tem a fazer é dividir o espólio. Na verdade, muitas vezes você estará envolvido em combate; mas sua luta será com um inimigo derrotado. A cabeça dele está quebrada; ele pode tentar machucá-lo, mas não terá força suficiente para lograr êxito em seu intento maligno. A vitória da cristão será fácil, e seu tesouro estará acima de qualquer avaliação.

A SERIEDADE DO PECADO - JOÃO CALVINO

Posted by Josemar Bessa on , under , , | comentários (0)




DESOBEDIÊNCIA, O FATOR DA QUEDA NO ÉDEN-


Uma vez que não é um delito leve, mas um crime abominável, aquele que Deus puniu com tanta severidade, somos levados a considerar a própria natureza do pecado na queda de Adão, a qual transmitiu a todo o gênero humano horrível punição de Deus.
É pueril o que tem sido vulgarmente admitido quanto à intemperança da gula. Como se de fato, na abstinência de apenas uma única espécie de fruta, tenha residido a suma e essência de todas as virtudes, quando por toda parte sobejavam todas e quantas delícias apetecíveis, e naquela abençoada fecundidade da terra lhe estava à mão a fartar, não apenas abundância, como também variedade! Deve-se, portanto, mirar mais alto, visto que a proibição da árvore do conhecimento do bem e do mal foi um teste de obediência; de modo que, ao obedecer, Adão podia provar que se sujeitava à autoridade de Deus, de livre e deliberada vontade. Com efeito, o próprio nome da árvore evidencia que o propósito do preceito não era outro senão que, contente com sua sorte, o homem não se alçasse mais alto, movido de ímpia cobiça.
Mas a promessa mediante a qual ele poderia fazer jus à vida eterna por todo tempo em que comesse da árvore da vida, bem como, em contrário, o horrendo anúncio de morte, assim que provasse da árvore do conhecimento do bem e do mal, visava a testar-lhe e a exercitar-lhe a fé. Daqui, não é difícil concluir de que maneiras Adão provocou a ira de Deus contra si.
Na verdade, não de forma improcedente, pronuncia-se Agostinho,quando diz que o orgulho foi o princípio de todos os males, porque, não houvesse a ambição impelido o homem acima do que era próprio e justo, poderia ele permanecer em sua condição original. Contudo, da própria natureza da tentação que Moisés descreve deve buscar-se definição mais completa. Ora, uma vez que, por sua falta de fidelidade, a mulher é afastada da Palavra de Deus pela sutileza da serpente, já se comprova que o princípio da queda foi a desobediência. É o que também Paulo confirma, ensinando que, pela desobediência de um só homem, todos se tornaram perdidos [Rm 5.19].
Entretanto, ao mesmo tempo é preciso notar que o primeiro homem se alijou da soberania de Deus, porque não só se fez presa aos engodos de Satanás, mas ainda, desprezando a verdade, se desviou para a mentira. E de fato, desprezada a palavra de Deus, quebrantada lhe é toda reverência, pois não se preserva de outra maneira sua majestade entre nós, nem seu culto é mantido íntegro, a não ser enquanto atenciosamente ouvirmos sua voz. Conseqüentemente, a raiz da queda foi a falta de fidelidade.
Mas, daqui emergiram ambição e orgulho, aos quais foi adicionada ingratidão, porquanto, ao desejar mais do que lhe fora concedido, ignobilmente Adão desdenhou a tão grande liberalidade de Deus pela qual havia sido enriquecido. Na verdade, esta foi uma impiedade monstruosa, a saber, a um filho da terra parecer pouco que fosse criado à semelhança de Deus, se também não lhe fosse acrescentada a igualdade.
Se a apostasia, pela qual o homem se subtrai ao mando de seu Criador, é uma vil e execrável ofensa, ou, melhor dizendo, insolentemente lança de si o jugo, é debalde tentar atenuar o pecado de Adão.5 Se bem que não foi simples apostasia; ao contrário, apostasia associada com vis impropérios contra Deus, já que Adão e Eva subscrevem às caluniosas insinuações de Satanás, com que acusa falsamente a Deus de mentira, de inveja e de maldade.
Por fim, a falta de fidelidade abriu a porta à ambição; a ambição, porém, foi a mãe da obstinação, de sorte que os homens, alijando o temor de Deus, se arrojaram aonde quer que os levava a cupidez. E assim corretamente ensina Bernardo, que a porta da salvação nos está aberta quando, hoje, recebemos pelos ouvidos o evangelho, exatamente como, quando se escancararam a Satanás, foi por essas janelas introduzida a morte. Ora, jamais teria Adão ousado repudiar o imperativo de Deus, a não ser que não lhe desse crédito à palavra. Era este, de fato, o melhor freio para adequadamente regular-lhe todas as inclinações: que nada é melhor do que, mercê de estrita obediência aos preceitos de Deus, amar a justiça; em seguida, que a meta final da vida feliz é ser por ele amado. Portanto, arrebatado pelas blasfêmias do Diabo, Adão aniquilou, quanto estava a seu alcance, toda a glória de Deus.

COM O QUE SE PARECE A IRA DE DEUS

Posted by Josemar Bessa on Sábado, Novembro 14, 2009 , under , | comentários (0)




A raiz de nossa infelicidade parece ser a inquietante suspeita de que idéias sobre a ira sejam de alguma forma indignas de Deus. Para alguns, por exemplo, "ira" sugere perda do autocontrole, o ato de "ver tudo vermelho", o que, em parte, se não no todo, é puramente irracional. Para outros, sugere o furor da impotência consciênte, o orgulho ferido, ou simplesmente mau gênio. Certamente, dizem, seria errado atribuir a Deus atitudes como essas.
A resposta é: de fato seria, mas a Bíblia não nos pede que façamos isso. Parece haver aqui um mal-entendido quanto à linguagem antro-pomórfica das Escrituras, isto é, a descrição das atitudes e emoções de Deus em termos comumente usados para se referir aos seres humanos. A base dessa prática é o fato de que Deus fez o ser humano a sua imagem, assim nossa personalidade e nosso caráter são mais semelhantes à natureza de Deus que qualquer outra coisa conhecida. Entretanto, quando as Escrituras falam de Deus antropomorficamente, não implica que as limitações e imperfeições características das pessoas, criaturas pecadoras, pertençam também às qualidades correspondentes de nosso santo Criador; ao contrário, tem-se por certo que isso não acontece.
Assim, o amor divino, como a Bíblia o vê, nunca leva Deus a agir insensata, impulsiva e imoralmente, como seu correlato humano muito freqüentemente nos leva. Do mesmo modo, a ira de Deus na Bíblia jamais é caprichosa, auto-indulgente, irritável e moralmente ignóbil, como em geral é a ira humana. Ao contrário, a ira de Deus é a reação justa e necessária à perversidade moral. Deus só se ira quando a situação o exige.
Mesmo entre os seres humanos, há o que chamamos indignação justa, embora talvez seja raramente encontrada. Entretanto toda indignação de Deus é justa. Um Deus que tivesse tanto prazer no mal quanto no bem seria um Deus bom? Um Deus que não reagisse contra o mal em seu mundo seria moralmente perfeito? É claro que não. Pois é exatamente esta reação contra o mal, parte necessária da perfeição moral, que a Bíblia tem em vista quando fala da ira de Deus.
Para outros então, imaginar sobre a ira de Deus sugere crueldade. Pensam, talvez, no que se conta sobre o famoso sermão de Jonathan Edwards, Pecadores nas mãos de um Deus irado, usado para levar ao despertamento a cidade de Enfield, na Nova Inglaterra, em 1741. Nesse sermão, Edwards, ao desenvolver o tema de que "os homens impenitentes estão detidos nas mãos de Deus por cima do abismo do inferno", usou da mais vivida imagem da fornalha ardente para levar sua congregação a sentir o horror de sua situação e reforçar assim sua conclusão: "Portanto, todo aquele que está fora de Cristo desperte agora e fuja da ira vindoura".
Qualquer pessoa que leu esse sermão saberá que Augustus H. Strong, o grande teólogo batista, estava certo quando salientou que as imagens apresentadas por Edwards, embora claramente focalizadas, não passavam de imagens. Ou seja, que Edwards "não considera o inferno um lugar composto de fogo e enxofre, mas uma consciência culpada e acusada de falta de santidade e separação de Deus, as quais são simbolizadas pelo fogo e pelo enxofre". Mas isto não satisfaz inteiramente as críticas feitas a Edwards de que o Deus capaz de infligir uma punição que requer tal linguagem descritiva deve ser um monstro terrível e cruel.


Isto tem fundamento? Duas considerações bíblicas mostram que não.


Em primeiro lugar, a ira de Deus na Bíblia é sempre judicial, isto é, a ira do juiz aplicando a justiça. A crueldade é sempre imoral, mas a pressuposição explícita de tudo o que vemos na Bíblia — e no sermão de Edwards com respeito ao assunto — sobre os tormentos de quem experimentará a plenitude da ira de Deus é que cada um recebe exatamente o que merece. O "dia da ira", diz Paulo, é também o dia "quando se revelará o seu justo julgamento. Deus 'retribuirá a cada um conforme o seu procedimento'" (Rm 2:5,6). O próprio Jesus, que na realidade tinha mais para dizer sobre este assunto do que qualquer outra figura do Novo Testamento, salientou que a recompensa seria proporcional ao merecimento individual.


Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites. Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo receberá poucos açoites. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado muito mais será pedido.
Lucas 12:47,48


Diz Edwards no sermão já citado: Deus "fará que sofram na medida exata que sua rigorosa justiça vier a requerer"; mas é exatamente esse "estritamente exigido pela justiça", ele insiste, que será tão doloroso para os que morrem na descrença. Se se perguntar: pode a desobediência ao Criador realmente merecer um castigo tão grande e doloroso? Qualquer pessoa que já esteja convicta de seu pecado sabe sem sombra de dúvida que a resposta é afirmativa, e sabe também que aqueles cuja consciência não foi ainda despertada para considerar, como disse Anselmo, "como o pecado é pesado" não estão qualificados para opinar.
Em segundo lugar, a ira de Deus na Bíblia é algo que as pessoas escolhem por si mesmas. Antes de o inferno ser uma experiência imposta por Deus, é a condição pelo qual a pessoa optou, afastando-se da luz que Deus faz brilhar em seu coração para dirigi-lo por si. João escreveu: "quem não crê [em Jesus] já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus". E continuou explicando: "Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más" (Jo 3:18,19). É exatamente isso o que João quer dizer: o ato decisivo da condenação sobre os perdidos reside no juízo auto-imposto pela rejeição da luz que os alcança em Jesus Cristo e por meio dele. Em última análise, tudo o que Deus faz subseqüentemente, aplicando a ação judicial ao descrente, é com a finalidade de mostrar-lhe a conseqüência total da escolha que fez e levá-lo a senti-la.


A escolha básica sempre foi e continua sendo simples: responder à intimação "Venham a mim ... Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim" (Mt 11:28,29), ou não atendê-la; "salvar" sua vida evitando a censura de Jesus e resistindo a sua ordem para assumir o controle da mesma ou "perdê-la" negando a si mesmo, carregando sua cruz, tornando-se discípulo, deixando que Jesus atue em sua vida como lhe aprouver. No primeiro caso, Jesus nos diz, podemos ganhar o mundo, mas não tiraremos nenhum proveito disso, pois perderemos a alma, enquanto, no segundo caso, perdendo a vida por amor a ele, a encontraremos (Mt 16:24-26).
O que significa, então, perder a alma? Para responder a essa pergunta Jesus usa suas figuras solenes: Geena ("inferno", em Mc 9:47 e em outros dez textos do Evangelho), o vale fora de Jerusalém onde o lixo era queimado; o verme que não morre, imagem, ao que nos parece, da dissolução contínua da personalidade mediante a consciência acusadora; fogo, pela agonizante consciência do desprazer de Deus; trevas exteriores, pelo conhecimento da perda, não apenas de Deus, mas de tudo o que é bom e tudo o que torna a vida digna de ser vivida; ranger de dentes pela autocondenação e repulsa íntima.
Estas coisas são, sem dúvida, terrivelmente sombrias, embora os que estão convencidos do pecado conheçam um pouco de sua natureza. Tais punições, contudo, não são arbitrárias, ao contrário, representam o desenvolvimento consciente rumo à situação que a pessoa escolheu para si. O descrente preferiu ser independente, sem Deus, desafiando-o, tendo-o contra si, e terá, então, o que prefere. Ninguém permanecerá sob a ira de Deus a menos que o queira. A essência da ação divina na ira é dar às pessoas o que escolheram, com todas suas implicações; nada mais e nada menos. A presteza de Deus em respeitar a escolha humana em toda a extensão pode parecer desconcertante e mesmo aterradora, mas é claro que sua atitude aqui é essencialmente justa, e muito diferente do sofrimento infligido arbitrária e irresponsavelmente — o que consideramos crueldade.
Precisamos, portanto, lembrar que a chave da interpretação para muitas passagens bíblicas, no geral majoritariamente figuradas, que mostram o Rei e Juiz divino agindo contra o ser humano com ira e vingança, está em compreender que o que Deus faz nada mais é que confirmar o veredicto já proclamado sobre si mesmos por aqueles aos quais "visitou", tendo em vista o caminho que resolveram seguir. Isto aparece na narrativa do primeiro ato da ira de Deus para com ser humano, em Gênesis 3, onde vemos que Adão resolveu por si mesmo se esconder de Deus e sair de sua presença antes mesmo que Deus o expulsasse do jardim; e esse mesmo princípio é usado em toda a Bíblia.


James Ian

CONHECIMENTO PESSOAL VERDADEIRO - JOÃO CALVINO

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AS DUAS FACETAS DO REAL CONHECIMENTO DE NÓS MESMOS


Embora a verdade de Deus nisto concorde com o consenso geral de todos os mortais, a saber, que o segundo aspecto da sabedoria reside no conhecimento de nós mesmos, entretanto é grande a divergência na própria maneira de alcançar esse conhecimento. Ora, segundo o método da carne em seu julgar, o homem parece ter aprofundado conhecimento de si até que, arrimado tanto em seu entendimento, quanto em sua integridade, se deixa dominar pela ousadia e se incita aos reclamos da virtude, e declarada guerra aos vícios tenta aplicar-se com todo empenho àquilo que é nobre e honroso.
Quem, no entanto, se mira e examina segundo a norma do juízo divino, nada encontra que eleve seu ânimo à genuína confiança pessoal. E quanto mais penetrantemente a si perscruta, tanto mais se deprime, até que, havendo abdicado inteiramente a toda confiança pessoal, nada deixa a si mesmo para regular a vida retamente.
Contudo, tampouco quer Deus que nos esqueçamos de nossa nobreza primeva, nobreza que conferira a nosso pai Adão, nobreza que por certo deve, com razão, despertar nosso zelo pela justiça e pela bondade. Pois não podemos sequer pensar, seja em nossa própria condição original, seja para quê fomos criados, que não sejamos acicatados a meditar na imortalidade e a anelar pelo reino de Deus. Tão longe está, porém, este reconhecimento de fomentar-nos a presunção, ao contrário, subjugada esta, à humildade nos prostra.
Ora, que condição original é essa? Evidentemente, aquela da qual decaímos. Qual é o propósito de nossa criação? Aquele do qual estamos de todo alienados. Por isso, enfastiados de nossa mísera situação, gemamos; e, gemendo, suspiremos por aquela dignidade perdida. Quando, porém, dizemos que ao homem importa nada ver em si próprio que o torne presunçoso, queremos dizer que nada existe nele cujo arrimo se deva tomar como motivo de orgulho.
Portanto, se assim se prefere, dividamos o conhecimento de si próprio que o homem deve ter, de tal modo que, em primeiro lugar, considere para que fim foi criado e provido de dotes que não se deve desprezar, mercê de cuja reflexão se desperte à meditação do culto divino e da vida futura; em segundo lugar, pondere suas capacidades; ou, de fato, sua carência de capacidades, a qual, uma vez percebida, se prostre em extrema confusão, como que reduzido a nada. A primeira consideração tende a isto: que o homem reconheça qual seja seu dever; a segunda, de que recursos dispõe para desempenhá-lo. A um e outro desses dois aspectos haveremos de discutir, segundo o exigir a seqüência da exposição.

AUTOGLORIFICAÇÃO E IGNORÂNCIA - J. CALVINO

Posted by Josemar Bessa on Sexta-feira, Novembro 13, 2009 , under , , | comentários (0)




O CONHECIMENTO PRÓPRIO EMBOTADO PELA AUTOGLORIFICAÇÃO-


A verdade de Deus, indubitavelmente, prescreve que devemos examinar-nos a nós mesmos, isto é, ela requer conhecimento de tal molde que não só nos afaste para longe de toda confiança de capacidade pessoal, mas ainda, destituídos de toda razão de gloriar-nos, nos conduza à submissão. Esta regra convém manter, caso queiramos atingir à justa meta, seja do saber, seja do agir.
Nem me é oculto o quanto se deve aplaudir esse parecer, seja que nos convida antes a considerar o que haja de bom em nós, ou a atentar para nossa deplorável miséria, juntamente com nossa indignidade, a qual nos deve esmagar de vergonha.
Com efeito, nada há que a natureza humana mais cobice que ser afagada por lisonjas. E por isso onde ouve que seus predicados se revestem de grande realce, para esse rumo propende com extrema credulidade. Portanto, não é de admirar que, neste ponto, se haja transviado, de maneira profundamente danosa, a maioria esmagadora dos homens. Ora, uma vez que é ingênito a todos os mortais que sintam um cego amor por si mesmos, de muito bom grado se persuadem de que nada neles existe que, com justiça, deva ser abominado. Dessa forma, mesmo sem influência de fora, por toda parte obtém crédito esta opinião totalmente fútil: que o homem é a si amplamente suficiente para viver bem e venturosamente. Porque, se alguns há que se revelam possuidores de mais modéstia, a tal ponto que concedam algo a Deus para não parecer que atribuem tudo a si mesmos, de tal maneira repartem entre Deus e eles, que a principal parte da glória, e toda a presunção, sempre fica para eles.
Ora, se uma palavra ocorre que, com seus afagos, lisonjeie o orgulho que faz espontâneo comichão nas entranhas do homem, nada há que mais o deleite. Daí, ao ser acolhido com grande aplauso de quase todos os séculos, cada um, com seu encômio, sente que foi exaltada mui favoravelmente a excelência da natureza humana. Mas, na verdade, qualquer que seja tal enaltecimento da excelência humana que ensine o homem a estar satisfeito em seu íntimo, com nenhuma outra coisa mais se encanta do que com essa afabilidade própria; e de fato tanto o engana, que todos quantos concordam com isso, na mais deplorável ruína os perde. Pois, a que leva, estribados em toda fútil confiança pessoal, deliberar, planejar, tentar, empreender aquilo que julgamos pertinente à condição, e já em nossos primeiros esforços de fato nos quedamos deficientes e carentes, seja de são entendimento, seja da verdadeira virtude, contudo prosseguirmos, obstinadamente, até que nos precipitemos à ruína? E, no entanto, aos que confiam poder fazer algo de sua própria capacidade não pode suceder de outra maneira.
Portanto, se alguém dá ouvidos a tais mestres que nos incitam a tão-somente mirarmos nossas boas qualidades, não avançará no conhecimento de si próprio; ao contrário, se precipitará na mais ruinosa ignorância.

SOFRIMENTO, A ESCOLA DE DEUS – SPURGEON

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Dizemos que o Capitão da nossa salvação tornou-se perfeito por meio do sofrimento – “Embora sendo filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8) – portanto nós, que somos pecaminosos, e estamos longe de ser perfeitos, não nos admiremos se formos chamados a passar também por sofrimentos.
Será a cabeça coroada de espinhos, e estarão outros membros do corpo a rodopiar em torno dos regalos do bem-estar? Deve Cristo passar por mares de seu próprio sangue para conquistar a coroa, e estamos a caminhar em direção ao céu com os pés enxutos e sapatilhas de prata?
Não! A experiência de nosso Mestre ensina-nos que o sofrimento é necessário, e o filho nascido de Deus não deve escapar, e não escapará, se puder. Mas há um pensamento muito confortante no fato de “ser feito perfeito por meio do sofrimento” de Cristo. É que Ele pode ter completa simpatia por nós. “Ele não é um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas.”
Nesta simpatia de Cristo, encontramos um poder sustentador. Um dos antigos mártires disse: “Posso suportar tudo, pois Jesus sofreu, e Ele sofre em mim agora; Ele simpatiza comigo, e isto me faz forte”.
Crente, apodere-se dessa idéia em todos os momentos de agonia. Que a idéia de Jesus fortale-ça-o à medida que caminha em seus passos. Encontre um amável suporte em sua simpatia; e lembre-se de que sofrer é uma coisa honrosa – sofrer por Cristo é glória.
Os apóstolos regozijaram-se por terem sido contados dignos de fazer isto. Na medida em que o Senhor nos dá graça para sofrer por Cristo e sofrer com Cristo, Ele, na mesma proporção, nos honra. As jóias de um cristão são as suas aflições. As regalias dos reis que Deus tinha ungido são seus transtornos, suas angústias, suas mágoas.
Não evitemos, portanto, de ser honrados. Não nos desviemos de ser exaltados. As mágoas nos exaltam, e os transtornos elevam-nos. “Se sofremos com Ele, com Ele reinaremos”.

O CONHECIMENTO DE NÓS MESMOS - CALVINO

Posted by Josemar Bessa on Quinta-feira, Novembro 12, 2009 , under , , | comentários (0)




PELA QUEDA E DEFECÇÃO DE ADÃO TODO O GÊNERO HUMANO FICOU SUJEITO À MALDICÃO E DECAIU DA CONDIÇÃO DE ORIGEM: ONDE SE TRATA DO PECADO ORIGINAL-


1. NATUREZA E PROPÓSITO DO CONHECIMENTO DE NÓS MESMOS


Não foi sem causa que o provérbio antigo sempre e tanto recomendou ao homem o conhecimento de si mesmo. Ora, se por ser vergonhoso se há de ignorar quaisquer coisas que dizem respeito ao trato da vida humana, muito mais aviltante, na verdade, é a ignorância de nós mesmos, da qual resulta que, em tomando decisão acerca de qualquer coisa necessária, nos enganemos lamentavelmente e até cegos nos façamos.
Quanto, porém, mais útil é o preceito, tanto mais diligentemente nos importa ver que não o usemos de forma oposta, o que vemos ter acontecido a certos filósofos. Pois esses, enquanto exortam o homem a que conheça a si mesmo, propõemlhe, ao mesmo tempo, como fim que não ignore a dignidade e excelência pessoais, e querem que não contemple em si mais do que possa suscitar nele a vã confiança e enchê-lo de arrogância .
Mas, o conhecimento de nós mesmos situa-se, em primeiro lugar, nisto: que, atentando para o que nos foi outorgado na criação, e quão benignamente Deus continua sua graça para conosco, saibamos quão grande seria a excelência de nossa natureza, se porventura permanecera íntegra, contudo ao mesmo tempo reflitamos que em nós nada subsiste de próprio. Ao contrário, de pura graciosidade possuímos tudo quanto Deus nos tem conferido, de sorte que estejamos sempre a dele depender.
Em segundo lugar, que encaremos bem a miserável condição em que nos achamos após a queda de Adão, por cujo reconhecimento, posta por terra toda jactância e confiança própria, esmagados de vergonha, verdadeiramente nos humilhemos.
Ora, assim como inicialmente Deus nos formou à sua imagem, para que a mente nos alçasse tanto ao zelo da virtude, quanto à meditação da vida eterna, assim também, para que não seja aniquilada por nossa obtusidade tão grande nobreza de nossa espécie, a qual nos distingue dos seres irracionais, é relevante reconhecermos que fomos dotados de razão e inteligência, para que, cultivando uma vida santa e reta, avancemos rumo ao alvo proposto de uma imortalidade bem-aventurada.
Além disso, aquela dignidade original não pode vir à mente sem que logo se ofereça em contraposição que, na pessoa do primeiro homem, decaímos da condição original, sendo este um triste espetáculo de nossa sordidez e ignomínia. Do quê não só procede desagrado e descontentamento de nós mesmos, e verdadeira humildade, mas ainda se acende um novo empenho de buscar a Deus, em quem cada um possa recobrar estes valores de que somos apanhados de todo faltos e carentes.


NINGUÉM EM SI DESEJA AGRADAR A DEUS - CALVINO

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DE NÓS NÃO PROCEDE SEQUER UM MÍNIMO INTENTO DE FAZER O QUE DEUS REQUER; ISSO PROVÉM SOMENTE DA GRAÇA DE DEUS-


E Deus move a vontade, não da maneira como por muitos séculos se ensinou e se creu – que seja de nossa escolha em seguida obedecer ou resistir à operação de Deus –, ao contrário, dispondo-a eficazmente. Logo, é necessário que se repudie tal afirmação tantas vezes repetida por Crisóstomo: “Aquele a quem Deus atrai, atrai-o querendo”, com que insinua que o Senhor apenas espera, de mão estendida, se porventura nos agrade sermos ajudados por seu auxílio.
Admitimos que a condição do homem, até onde se manteve íntegro, tem sido tal que pode inclinar-se para uma ou outra parte. Quando, porém, tem ensinado, por seu próprio exemplo, quão mísero é o livre-arbítrio, a não ser que Deus em nós não apenas queira, mas também pode, o que nos acontecerá se ele nos confere sua graça nesta diminuta medida? Antes, pelo contrário, nós mesmos a obscurecemos e enfraquecemos com nossa ingratidão. Ora, o Apóstolo não está ensinando que, se a aceitarmos, se nos oferece a graça de uma boa vontade; ao contrário, que ele próprio efetua em nós o querer, o que outra coisa não é senão que o Senhor, por seu Espírito, nos dirige, inclina, governa o coração e nele reina como em domínio seu. Na verdade ele não está prometendo, através de Ezequiel [11.19, 20; 36.27], que haverá de dar aos eleitos um novo espírito apenas com esta finalidade: que sejam capacitados a andar em seus preceitos; ao contrário, para que, de fato, neles andem! Nem se pode interpretar diferentemente a afirmação de Cristo [Jo 6.45]: “Todo aquele que ouviu de meu Pai vem a mim”, senão que ensina que a graça de Deus é de si mesma eficaz. Exatamente assim contende também Agostinho. Por sua graça o Senhor não julga indiscriminadamente digno a qualquer um, como comumente se gaba esse dito, se não me engano, de Ockham: a ninguém que faça o que nele está é ela negada. Por certo que os homens devem ser ensinados que a benignidade de Deus é oferecida, sem exceção, a todos os que a buscam. Como, porém, somente aqueles a quem a graça celeste inspirou começam por fim a buscá-la, nem mesmo esta porçãozinha mínima deveria ser subtraída de seu louvor.
Esta, sem dúvida, é a prerrogativa dos eleitos, que, regenerados pelo Espírito de Deus, são conduzidos e governados por seu arbítrio. Por esta causa, com razão, tanto ri-se Agostinho daqueles que arrogam para si alguns aspectos do querer, quando repreende a outros que pensam que ela é dada a todos indiscriminadamente, o que é testemunho especial da eleição gratuita. “A natureza”, diz ele, “é comum a todos, não a graça”, chamando de “acumen vitreo”, que resplende de mera vaidade, quando se estende a todos em geral o que Deus confere apenas a quem ele quer.
Em outro lugar, porém: “Como vieste? Crendo. Teme que, enquanto arrogas para ti que o caminho justo foi por ti encontrado, do caminho justo não venhas a perecer. Dizes: Vim de meu livre-arbítrio; vim por minha própria vontade. Por que te inflas? Queres saber que também isso te foi dado? Ouve-o a proclamar: ‘Ninguém vem a mim, se meu Pai não o trouxer’” [Jo 6.44]. E, além de controvérsia, conclui-se das palavras de João que o coração dos piedosos é tão eficazmente governado por Deus que o seguem com inflexível disposição: “Quem foi gerado de Deus não pode pecar, porque a semente de Deus nele permanece” [1Jo 3.9]. Ora, o movimento intermédio que os sofistas imaginam, obedecer ou rejeitar livremente, vemos ser abertamente excluído quando se afirma que a constância eficaz para perseverar é outorgada por Deus somente.

O QUE SIGNIFICA PECADO ORIGINAL? - R. C. Sproul

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Pecado original se relaciona com o estado de queda da natureza humana. Jonathan Edwards escreveu um formidável tratado sobre o pecado original. Ele não apenas se dedicou a uma exposição extensa do que a Bíblia ensina sobre o caráter decaído do homem e sua propensão a iniqüidade, mas fez um estudo de uma perspectiva racional, secular, dirigida a uma filosofia que era muito difundida em seus dias: Todas as pessoas no mundo nascem inocentes, num estado de neutralidade moral no qual não têm qualquer predileção nem para o bem nem para o mal.
É a sociedade que corrompe esses recém-nascidos inocentes. À medida que somos expostos ao comportamento pecaminoso ao redor de nós, nossa inocência normal e natural é desgastada pela influência da sociedade. Mas isso incorre em petição de princípio: Como a sociedade ficou corrompida? A sociedade é composta de pessoas. Por que tantas (todas) pecaram? É quase exiomático em nossa cultura admitir que ninguém é perfeito.
E Edwards fez perguntas como: Por que não? Se todos nasceram em estado de neutralidade moral, você esperaria que, aproximadamente 50% dessas pessoas cresceriam e nunca pecariam. Mas não é isso que encontramos. Em todos os lugares encontramos seres humanos agindo contra os preceitos e padrões do Novo Testamento. De fato, quaisquer que sejam os padrões morais da cultura em que vivemos, ninguém os guarda perfeitamente. Mesmo o código de honra estabelecido pelos ladrões é violado por eles mesmos. Não importa quão baixo seja o nível moral de uma sociedade, o povo o quebra.
Existe algo incontestável a respeito do estado decaído do caráter humano. Todas as pessoas pecam.
A doutrina do pecado original ensina que as pessoas pecam porque são pecadoras. O fato não é que somos pecadores porque pecamos, mas que pecamos porque somos pecadores; isto é, desde a queda do homem, herdamos uma condição corrupta de pecaminosidade. Agora temos uma natureza pecaminosa. O Novo Testamento diz que estamos sob o pecado; temos uma disposição irresistível para a iniqüidade, de modo que, de fato, todos nós cometemos pecados. Mas essa não foi a natureza que Deus nos deu originalmente. No princípio éramos inocentes. Mas agora a raça mergunhou num estado de corrupção.

NÃO VOU PROFETIZAR COISAS BOAS A TEU RESPEITO

Posted by Josemar Bessa on Quarta-feira, Novembro 11, 2009 , under , , | comentários (0)




Eu não vou profetizar coisas boas a seu respeito, porém coisas más. "Então se mudou o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram, as juntas dos seus lombos se relaxaram, e seus joelhos bateram um no outro. " (Dan 5:6). Tenho algo a dizer-lhe, o qual está escrito com lamentação, tristeza e pesar. Possivelmente você está feliz e seguro, entretanto isso é como a alegria e o riso de um homem que está emocionalmente desequilibrado, cuja condição reflete que seu desequilíbrio é o mais doloroso. Pecador, você não tem razão para sorrir enquanto estiver nesse estado. Quantas ameaças pesam agora contra você? Suponha que estivesse cercado por canhões, todos prontos para serem disparados contra você. Isto seria considerado como nada se comparado às terríveis ameaças e maldições que o justo e zeloso Deus tem proferido. Abra os seus olhos e observe em toda e qualquer direção. Isso seria suficiente para que seu coração se enches­se de terror; acima um Deus irado; abaixo, um inferno flamejante; atrás uma inumerável hoste de pecados perseguindo você; na frente, satanás e o mundo lhe conduzindo ao longo de um largo caminho rumo a destruição.


Quero explicar mais particularmente as seguintes verdades e aplicá-las ao seu coração:


(1) Enquanto não for convertido, você também não estará perdoa­do. Está endividado em muitos milhões de cruzeiros e até agora nem um cruzeiro dessa dívida foi pago. A menor transgressão faz você sujeito à maldição da lei; poderia, então, imaginar o que seus muitos pecados têm feito de você, miserável condenado? Deus tem determi­nado eliminar tudo isso se retornar e confessar sua iniqüidade. Ele irá depositar todo o fardo nos ombros do Mediador, todavia, se você não concordar em ser salvo, então terá que suportar as conseqüências sozinho. O pecado é uma coisa diferente daquilo que você imagina. A primeira transgressão de Adão ao comer o fruto proibido (a qual foi agravada porque ele teria sido como Deus, porém ele creu na serpente e tornou Deus mentiroso, o que na realidade significou uma completa rejeição do pacto de vida feito com ele) oh, como isso lhe foi penoso! E não somente ele, mas toda a sua descendência, o que é o pior de tudo. E se um pecado trouxe a maldição sobre todos os filhos dos homens, pense, ó alma, como será possível a você suportar o peso de todos os pecados que tem cometido? O pecado faz toda a criação gemer, faz o condenado lamentar e se desesperar, pois estará com um fardo insu­portável sobre si para sempre.
Nosso Senhor achou o pecado pesado. Isso levou-O a agonizar e tornou Sua alma excessivamente triste até à morte. Deus lamenta que Cristo seja pressionado pela iniqüidade. A carroça é pressionada pela carga que leva, e você, pecador, tratará isso levianamente? Oh, um dia quão pesado você achará seu fardo!


(2). Enquanto não for convertido você estará entesourando mais e mais ira para o dia da ira. Sua contagem já é alta, mas a cada dia seu placar aumenta. Cada dia você faz novos pontos, embora a consciência esteja tão cauterizada que agora não sente nada. Como a sua pele cobre o seu corpo, proporcionalmente, assim também os vasos da indigna­ção divina ficam mais cheios, os quais por fim serão todos derramados sobre sua cabeça. É uma crueldade anormal fazer mal a si próprio, ser o assassino de sua própria alma. Você está continuamente afastando--se de Deus e fazendo com que Ele fique mais e mais contra você, Aquele que unicamente pode ser seu refúgio e salvação. Você verá afinal que tem sido seu próprio adversário e que tem agido para sua própria confusão. "Acaso é a mim que eles provocam à ira, diz o Senhor, e não antes a si mesmos, para confusão dos seus rostos?" (Jer.7:19).


(3) . Enquanto não for convertido você se torna cada vez menos apto para a glória e a santidade. Quanto mais impuro você for, menos apto estará para ver Deus. As abominações que você pratica e ama o tornam um habitante inadequado para a Nova Jerusalém. A herança celestial é a herança dos santos. É uma herança incorruptível e impoluta. (I Ped. 1:4). A companhia toda é santa e santos são todos os afazeres. Não há sequer uma palavra vã ou pecaminosa falada, nem é encontrado sequer um desejo ou pensamento impuro dentre os que estão lá. E o que faria lá entre eles, a não ser que uma mudança fosse operada em você?


(4) . Se não se arrepender, é certo que morrerá eternamente. Assim como a vida é longínqua, assim a morte está próxima. O salmista nos fala que "Deus é um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias. Se o homem se não converter, Deus afiará a sua espada; já tem armado o seu arco e está aparelhado. " (Sal. 7:11-12). E quando os instrumen­tos da morte estiverem preparados é um sinal que Deus fará um trabalho rápido e repentinamente eliminará o ofensor. A morte é chamado de "Rei dos Terrores", e em relação aos ímpios este nome é bem merecido. As coisas boas deles são todas recebidas e seus males vêm sobre eles, os quais nunca serão removidos. Tem início seus tormentos para nunca terem um fim. Enquanto Deus for Deus, eles O terão como inimigo. Enquanto Deus for feliz, eles estarão na mais extrema miséria! Poderia a língua pronunciar ou o coração imaginar o horror de tudo isso? Um Senhor irado, vingando-Se do pecado colocará sobre você a carga que merece, e ainda impedirá que você afunde no nada. Ele susterá seu ser para que não se esvaia e você possa ser atormentado para sempre. Ele mostrará Seu supremo poder ao levantá-lo com uma das mãos, para que possa chicoteá-lo com a outra por toda a eternidade.

N. VINCENT (1669)

COMO TER PAZ NA CONSCIÊNCIA? JOÃO CALVINO

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O QUE ASSEGURA A PLENA PAZ DE CONSCIÊNCIA É TÃO-SOMENTE A JUSTIFICAÇÃO COM BASE NOS MÉRITOS DE CRISTO, NÃO EM NÓS MESMOS-


Ora, se indagarmos de que maneira nossa consciência possa tranqüilizar-se diante de Deus, outra resposta não acharemos senão que isso nos é assegurado pela graciosa justiça de Deus. Sempre nos vem à mente esta interpelação de Salomão: “Quem poderá dizer: Limpo fiz meu coração; purificado estou de meu pecado?” [Pv 20.9]. Certamente não há ninguém que não esteja submerso em infinita voragem de águas imundas. Portanto, que cada um desça à sua consciência, por muito perfeito que seja, e convoque seus feitos a prestar contas. Que resultado terá, afinal? Porventura descansará tranqüilamente, como se todas as coisas estivessem bem dispostas com Deus, e não se verá antes cercado de terríveis tormentos, quando, se for julgado à base de suas obras, haverá de sentir que em si reside causa de condenação? É inevitável que a consciência, se olha para Deus, ou sentirá tranqüila paz com seu juízo, ou se verá assediada dos horrores dos infernos. Portanto, ao discutir acerca da justiça, nada extraímos de proveito, a menos que tenhamos estabelecido essa em cuja solidez se pode suster nossa alma no juízo de Deus. Quando nossa alma tiver aquela justa mercê da qual não só compareça sem temor diante da face de Deus, mas também receba seu o juízo imperturbada; então poderemos pensar que já achamos uma justiça sem falsificação.
Portanto, não é sem motivo que o Apóstolo insiste com tanta veemência neste ponto, o que prefiro expressar com as palavras dele, antes que com as minhas. “Se a herança procede da lei”, diz ele, “então a fé está aniquilada e abolida a promessa” [Rm 4.14]. Antes do mais ele infere que a fé é aniquilada e anulada, caso a promessa de justiça tem em vista os méritos de nossas obras ou dependa da observância da lei.
Pois ninguém jamais poderia descansar confiadamente nela, já que nunca acontecerá de alguém no mundo poder se assegurar de que satisfez à lei; e de fato jamais houve quem satisfizesse inteiramente através das obras. E para não buscar provas muito longe, cada um pode ser testemunha a si mesmo, se quiser contemplar atentamente. 187 E daqui se põe à mostra em quão profundos e tenebrosos recessos a hipocrisia sepulta as mentes dos homens, enquanto se mimoseiam tão confiadamente que não hesitam em opor suas lisonjas ao juízo de Deus, como se quisessem, por assim dizer, impor-lhe que suspendesse sua ação legal. Mas os fiéis que a si mesmos sinceramente examinam, bem outra é a solicitude que os angustia e os crucia. Portanto, se deveria subir à mente de todos, primeiro a incerteza; depois, até mesmo a desesperança; enquanto cada um por si só consideraria de quão grande volume de dívida estaria ainda sobrecarregado, e quão longe distaria da condição que lhe foi imposta.
Eis aqui a fé já oprimida e aniquilada, porque ter fé não significa estar flutuante, permanecer mudando, ser levado de um lado para o outro, hesitar, manter-se suspenso, vacilar, finalmente ceder ao desespero; pelo contrário, o ânimo deve firmar-se de constante certeza e sólida confiança e ter onde apoiar e firmar o pé.

A LEI ESTÁ CANCELADA? JOÃO CALVINO

Posted by Josemar Bessa on Terça-feira, Novembro 10, 2009 , under , , | comentários (0)




A LEI ESTÁ CANCELADA NO TOCANTE À MALDIÇÃO, NÃO A SEU MAGISTÉRIO


Portanto, visto que agora a lei tem em relação aos fiéis o poder de exortação, não aquele poder que ate suas consciências na maldição, mas aquele que, com instar repetidamente, lhes sacode a indolência e lhes espicaça a imperfeição, enquanto querem significar sua libertação da maldição, muitos dizem que a lei (continuo falando da Lei Moral) foi suprimida aos fiéis, não significando que não mais lhes ordene o que é reto, mas somente que não mais lhes é o que lhes era antes, isto é, que não mais lhes condena e destrói a consciência, aterrando-as e confundindo-as.

E, sem dúvida, Paulo não ensina obscuramente esse cancelamento da lei. Que esse cancelamento foi também pregado pelo Senhor, disso se evidencia o fato de que ele não refutou aquela opinião de que a lei teria sido abolida por ele, a não ser que essa idéia viesse a prevalecer entre os judeus. Como, porém, não poderia ela emergir ao acaso, sem qualquer pretexto, crê-se que ela se originou de uma falsa interpretação de sua doutrina, exatamente como quase todos os erros costumeiramente se arrimam na verdade. Nós, porém, para que não tropecemos na mesma pedra, distingamos acuradamente o que foi cancelado na lei e o que permanece firme até agora.

Quando o Senhor testifica que não viera para abolir a lei, mas para cumpri-la, até que se passem o céu e a terra não deixaria fora da lei um til sem que tudo se cumpra [Mt 5.17, 18], confirma ele sobejamente que, por sua vinda, nada seria detraído da observância da lei. E com razão, uma vez que ele veio antes para este fim, a saber, para que lhe remediasse às transgressões. Por parte de Cristo, portanto, permanece inviolável o ensino da lei, a qual, instruindo, exortando, reprovando, corrigindo, nos plasma e prepara para toda obra boa.

TEMPESTADES NOS TREINAM - C. H. Spurgeon

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A fé não provada pode ser fé verdadeira, mas certamente uma fé pequena, sendo provável que permaneça acanhada enquanto não enfrenta provações. A fé prospera muito bem quando todas as coisas são contra ela: As tempestades são suas treinadoras e os raios são seus iluminadores.
Quando reina uma calmaria sobre o mar, estendam as velas como quiserem, o navio não se move pra o seu porto; pois sobre um oceano sonolento a quilha também adormece. Deixemos que os ventos soprem uivando e que as águas se levantem, e então, embora o barco possa balançar, o convés seja levado pelas ondas, e seu mastro possa ranger pela pressão da vela distendida e expandida, ele tomará o rumo do encoradouro desejado.
As flores não ostentam azul tão encantador como aquelas que crescem ao pé de uma geleira; as estrelas que cintilam não o fazem tão brilhantemente como aquelas que faíscam no céu polar; ad águas não têm sabor mais doce que as que jorram no meio da areia do deserto; e nenhuma fé é mais preciosa do que a que vive e triunfa na adversidade.
A fé provada traz-nos experiência – “O valor da vossa fé” (1Pe 1.7). Você não poderia ter acreditado em sua própria fraqueza, se não tivesse sido compelido a passar através de rios; e nunca teria conhecido a força de Deus, se não tivesse suportado as correntes de água. A fé aumenta na solidez, certeza a intensidade, quanto mais ela for exercitada com tribulação. A fé é preciosa, e seus testes são igualmente preciosos.
Não permitamos, porém, que isto desanime aqueles que são jovens na fé. Você terá suficiente provações sem precisar procurá-las: a plena porção será medida para você na devida ocasião. Enquanto isto, se você ainda não pode reivindicar o resultado de longa experiência, agradeça a Deus a graça que possui; louve-o por aquele grau de santa confiança que você já alcançou: onde de acordo com aquela regra, e terá ainda mais e mais bênçãos de Deus, até que sua fé remova montanhas e vença os impossíveis

A PERSEVERANÇA DOS SANTOS - JOÃO CALVINO

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OBRA EXCLUSIVA DE DEUS, NÃO PRODUTO DO MÉRITO HUMANO


Quanto à perseverança, não deveria restar mais dúvida de que ela deve ser tida por dom gratuito de Deus, não fora o fato de haver prevalecido o perniciosíssimo erro de que esta é dispensada segundo o mérito dos homens, conforme cada um não se mostre ingrato para com a primeira graça. Ora, pois, uma vez que esse erro nasceu daí, a saber, que os homens pensavam estar em nosso arbítrio rejeitar ou aceitar a graça de Deus oferecida, refugada esta opinião, também aquele por si só se esboroa.
Contudo, aqui se erra de duas maneiras, a saber: além de ensinarem que nossa gratidão é para com a primeira graça, e seu legítimo uso é remunerado por dons subseqüentes, ainda acrescentam que a graça já não opera em nós sozinha, ao contrário, ela é apenas cooperante.
Quanto ao primeiro desses pontos, deve-se sustentar o seguinte: enquanto a seus servos dia a dia os enriquece e de novas dádivas de sua graça os cumula, visto que tem por grata e aceitável a obra que neles começou, neles o Senhor acha o que será acompanhado de maiores graças. E a isto se aplicam estas afirmações: “Ao que tem, dar-se-lhe-á” [Mt 25.29; Lc 19.26]; igualmente: “Muito bem, servo bom, porque foste fiel em umas poucas coisas, sobre muitas te colocarei” [Mt 25.21, 23; Lc 19.17]. Aqui, porém, é preciso precaver-se de duas coisas: que não se diga ou que o legítimo uso da primeira graça é remunerado por graças subseqüentes, como se de sua própria diligência o homem tornasse eficaz a graça de Deus, ou que seja de tal modo julgada a recompensa que deixe de ser tida por graciosa mercê de Deus.
Portanto, confesso que os fiéis devem esperar esta bênção de Deus: quanto melhor uso fizerem das graças precedentes, de tanto maiores bênçãos haverão de ser aumentadas a seguir. Todavia, afirmo que esse uso também procede do Senhor, e que esta recompensa provém de sua graciosa benevolência, e que usam perversamente, não menos que desgraçadamente, essa desgastada distinção de graça operante e graça cooperante. É verdade que Agostinho fez uso desta distinção, contudo atenuando-a com uma cômoda definição: Deus executa, cooperando, o que começa, operando; e é a mesma graça, porém muda o nome, conforme o diferente modo do efeito.88 Do quê se segue que ele não está dividindo-a entre Deus e nós, como se do próprio movimento de um e de outro houvesse mútua convergência; ao contrário, está assinalando a multiplicidade da graça. A isto se aplica o que diz em outro lugar: a boa vontade do homem precede as muitas dádivas de Deus, entre as quais está também a própria boa vontade. Do quê se deduz que nada credita à vontade humana que ela mesma possa arrogar para si com propriedade. O que também Paulo declarou expressamente. Ora, depois de haver dito que Deus é quem opera em nós tanto o querer quanto o executar, em seguida acrescentou que o Senhor, de sua boa vontade, faz a ambos [Fp 2.13], significando por esta expressão que sua benignidade é graciosa.
A isto, porém, que costumam dizer, ou, seja, que depois que dermos lugar à graça inicial, então nossos esforços cooperam com a graça subseqüente, respondo: Nada reclamo se entendem que, desde quando, uma vez, fomos pelo poder do Senhor subjugados à obediência da justiça, por nós mesmos avançamos e somos inclinados a seguir a ação da graça, pois certíssimo é que onde reina a graça de Deus existe essa prontidão de obedecer. Entretanto, donde procede isso senão que o Espírito de Deus, sempre consistente consigo mesmo, nutre e fortalece a constância da disposição de perseverar na obediência que gerou a princípio? Ao contrário, se são de opinião que o homem possa presumir de si mesmo capacidade para colaborar com a graça de Deus, enganam-se pestilentissimamente.

DEUS CASTIGA O PECADO DOS CRENTES? JOÃO CALVINO

Posted by Josemar Bessa on Segunda-feira, Novembro 09, 2009 , under , , , | comentários (0)




AOS CRENTES O SENHOR CASTIGA OS PECADOS, PORÉM LHES É PROPÍCIO EM AMOR, NÃO DEVENDO ISSO SER PARA SEU ACABRUNHAMENTO, MAS PARA ENCORAJAMENTO-


Com estas reflexões importa que o fiel seja sustentado na agrura das aflições. “É tempo de o juízo começar pela casa do Senhor” [1Pe 4.17], na qual seu nome era invocado [Jr 25.29]. O que os filhos de Deus haveriam de fazer, se cressem que sua vingança era a severidade que sentiam? Ora, aquele que, tocado pela mão de Deus, a este concebe como um juiz punitivo, não pode imaginá-lo senão irado e para consigo adverso; de fato, não pode senão detestar o próprio azorrague de Deus como real maldição e perdição. Enfim, jamais poderá persuadir-se de que é amado por Deus aquele que sentir que toda sua inclinação é puni-lo.
Mas, afinal, alcança proveito sob os açoites de Deus aquele que o considera como irado contra suas faltas, contudo é para com ele propício e benévolo. Ora, de outra sorte aconteceria necessariamente o que o Profeta se queixa de haver experimentado: “Sobre mim passaram tuas iras, ó Deus; teus terrores me oprimiram” [Sl 88.16]. De igual modo, o que escreve Moisés: “Pois temos desfalecido em tua ira e em tua indignação temos sido conturbados. Puseste nossas iniqüidades diante de teus olhos, nossos pecados ocultos, à luz de teu rosto. Pois que todos os nossos dias são dissipados em tua ira; nossos anos foram consumidos como uma palavra que sai da boca” [Sl 90.7-9].
Em contrário, porém, assim canta Davi acerca dos castigos paternais, quando ensina que eles mais ajudaram os fiéis do que oprimiram: “Feliz o homem a quem castigas, ó Senhor, e em tua lei é ele instruído, para que lhe propicies descanso dos dias maus, enquanto se cava um fosso para o pecador” [Sl 94.12, 13]. Dura prova é, certamente, quando Deus, poupando os incrédulos, e não atentando para seus crimes, se mostra mais rígido para com os seus. E, por isso, como causa de consolo acrescenta a admoestação da lei, mercê da qual aprendam a exercitar sua salvação enquanto são chamados de volta ao caminho; os ímpios, porém, são lançados de ponta cabeça em seus erros, cujo fim é o fosso da perdição. Não importa se a pena é eterna ou temporal. Ora, as guerras, a fome, as pestes, as doenças são tanto maldições de Deus quanto o próprio juízo da morte eterna, enquanto são infligidas com este propósito: que sejam instrumentos da ira e da vingança do Senhor contra os
réprobos.

APENAS DUAS PALAVRAS – C. H. SPURGEON

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“Socorro, Senhor!” (Sl 12.1)



A oração em si é extraordinária, pois é curta, mas propícia, judiciosa e sugestiva. Davi lamentou a escassez de homens fies, e por isso ergueu seu coração em súplica – quando a criatura pecou, ela fugiu do Criador. Ele sentia evidentemente sua própria fraqueza, ou não teria clamado por socorro; mas, ao mesmo tempo, intentou honestamente empenhar-se pela causa da verdade, pois a palavra “socorro” é inaplicável onde nós mesmos nada fazemos.
Há muito de retidão, clareza de percepção e distinção de elocução em sua súplica de duas palavras; muito mais, certamente, do que as efusões desconexas de certos professos. O salmista vai diretamente a seu Deus, com a oração bem ponderada; ele sabe o que está procurando e onde encontrá-lo. Senhor, ensina-nos a orar da mesma bendita maneira.
As ocasiões para o uso desta oração são freqüentes. Nas aflições providenciais, quão adequada é ela para os crentes provados quando falham seus ajudadores. Estudantes, em dificuldades doutrinais, podem muitas vezes conseguir ajuda ao erguer este clamor: “Socorro, Senhor” ao Espírito Santo, o grande Ensinador.
Os guerreiros espirituais em conflitos íntimos podem buscar reforços no trono, e este será o modelo para sua petição. Obreiros no labor celestial podem obter graça em tempo de necessidade. Os pecadores questionadores, em dúvidas e sobressaltos, podem elevar a mesma súplica angustiante; na verdade, em todos estes casos, tempos e lugares, isto transformará as circunstâncias das almas necessitadas. “Socorro, Senhor” ajusta-se a muitas situações, como morte, sofrimento, trabalho, regozijo ou pesar. Nele, nosso socorro é encontrado; não seja descuidado em clamar a Ele
A resposta à oração é certa, se for sinceramente oferecida por intermédio de Jesus. O caráter do Senhor assegura-nos que Ele não deixará seu povo; sua relação como Pai e Esposo garante-nos sua ajuda; sua dádiva em Jesus é um penhor de toda coisa boa; e sua firme promessa permanece – “NÃO TEMAS, EU TE AJUDAREI.”

O LIVRE-ARBÍTRIO É FALSO - MARTINHO LUTERO





(Mensagem em vídeo) - De todas as suas obras - obra essa que é enorme - Lutero dizia que a mais importante foi aquela que surgiu do seu debate com Erasmo de Roterdã - sobre o Livre-arbítrio. Sua obra é tão vasta e tão preciosa, que temos dificuldade em eleger a mais importante - mas se ele diz que foi esta - aceitemos seu julgamento - Ao olharmos a obra de Lutero sobre o livre-arbítrio, podemos ver com clareza o quanto a igreja se afastou da verdade que a Reforma tirou das cadeias e da escuridão da ignorância a respeito do Grande Deus Soberano que a Bíblia nos apresenta.

MATE O PECADO EM VOCÊ - RICHARD BAXTER - 1616-1691

Posted by Josemar Bessa on Sábado, Novembro 07, 2009 , under , , , | comentários (0)




A estatura espiritual de Richard Baxter está fora de questão. Mesmo vivendo em uma época em que havia gigantes na terra, tais como John Owen e Thomas Goodwin, a sua estatura espiritual era tal que o fazia sobressair-se. John Owen e Thomas Goodwin estão entre os escritores mais copiosos do século XVII; mas ele, Baxter, produziu aproximadamente o dobro desses autores. Cerca de 168 tratados - boa parte volumosos, conhecidos e apreciados - foram escritos por este gigante puritano do século XVII.

BEIJOS ENGANOSOS – C. H. SPURGEON

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“Os beijos de quem odeia são enganosos”. Quero manter-me cauteloso quando o mundo simula um rosto amável, pois ele vai, se possível, trair-me, como fez ao meu Mestre – “com um beijo trais o Filho do Homem?” – com um beijo.

Sempre que um homem mostra-se disposto a apunhalar a verdade, ele geralmente professa um grande respeito por ela. Quero evitar a hipocrisia cheia de lisonjas que carrega por trás a armadura da heresia e da infidelidade.

Conhecendo a falácia e a maldade, quero ser astuto como uma serpente para detectar e evitar os desígnios do inimigo. O jovem, falto de entendimento, foi desencaminhado pelo beijo de uma mulher estranha. Que minha alma seja tão graciosamente instruída por toda esta vida para que a fala macia do mundo e do engano não possa ter nenhum efeito sobre mim. Espírito Santo, faze com que eu, pobre e frágil ser humano, não seja traído com um beijo!

Mas, o que acontece se devo ser culpado do mesmo pecado maldito de Judas, aquele filho da perdição? Fui batizado em nome do Senhor Jesus; sou membro da sua Igreja visível; tomo assento à mesa da comunhão: todos estes privilégios são os muitos beijos de meus lábios. Sou eu sincero neles? Se não, sou um traidor vil. Vivo no mundo tão negligentemente como os outros e, no entanto, faço uma profissão de fé de ser um seguidor de Jesus? Então exponho o Evangelho ao ridículo e levo os homens a falarem mal do santo nome pelo qual sou chamado.

Certamente, se procedo assim inconsistentemente como um Judas, teria sido melhor pra mim nunca ter nascido. Ouso esperar que sou claro nesta questão?

“Então, ó Senhor, mantém-me assim. Ó Senhor, faze-me sincero e verdadeiro. Preserva-me de todo caminho falso. Jamais permitas que eu traia meu Salvador. Amo-te, Jesus, e, embora muitas vezes te ofenda, desejo manter-me fiel até a morte. Ó Deus, impede que eu, de professo proeminente, venha a cair por fim no lago de fogo, por ter traído meu Mestre com um beijo.

Ano 70 d.C. Tito destrói Jerusalém - História da Igreja

Posted by Josemar Bessa on Sexta-feira, Novembro 06, 2009 , under | comentários (0)




Erguido no fórum de Roma, o Arco de Tito celebra a vitória em JerusalémGéssio Floro amava o dinheiro e odiava os judeus. Como procurador romano, governava a Judéia e pouco se importava com as sensibilidades religiosas. Quando a entrada de impostos era baixa, ele se apoderava da prata do Templo. Em 66, quando a oposição cresceu, ele enviou tropas a Jerusalém para crucificar e massacrar alguns judeus. A ação de Floro foi o estopim para uma revolta que já estava em ebulição havia algum tempo.
No século anterior, Roma não tinha tratado os judeus de maneira adequada. Primeiramente, Roma havia fortalecido o odiado usurpador Herodes, o Grande. Apesar de todos os belos edifícios que construíra, Herodes não conseguiu lugar no coração das pessoas.
Arquelau, filho de Herodes e seu sucessor-, era tão cruel que o povo pediu a Roma que lhe desse um alívio. Roma atendeu a esse pedido enviando diversos governadores: Pôncio Pilatos, Félix, Festo e Floro. Eles, assim como outros, tinham a tarefa, nada invejável, de manter a paz em uma terra bastante instável.
O espírito independente dos judeus nunca morreu. Eles olhavam com orgulho para os dias dos macabeus, quando se livraram do jugo de seus senhores sírios. Agora, suas desavenças mesquinhas e o fabuloso crescimento de Roma os colocavam novamente sob o comando de mãos estrangeiras.
O clima de revolução continuou durante o governo de Herodes. Os zelotes e os fariseus, cada um à sua maneira, queriam que as mudanças acontecessem. O fervor messiânico estava em alta. Jesus não estava brincando quando disse que as pessoas falariam: "'Vejam, aqui está o Cristo!' ou Ali está ele!'". Esse era o espírito da época.
Foi em Massada (formação rochosa praticamente inexpugnável, que se eleva próximo ao mar Morto, onde Herodes construiu um palácio e os romanos ergueram uma fortaleza) que a revolta judaica teve seu início e um fim trágico.
Inspirados pelas atrocidades de Floro, alguns zelotes ensandecidos decidiram atacar a fortaleza. Para surpresa de todos, eles a conquistaram, massacrando o exército romano que estava acampado ali.
Em Jerusalém, o capitão do Templo, quando interrompeu os sacrifícios diários a favor de César, declarou abertamente uma rebelião contra Roma. Não demorou muito para que toda a Jerusalém ficasse alvoroçada, e as tropas romanas fossem expulsas ou mortas. A Judéia se revoltou, e a seguir a Galiléia. Por um breve período de tempo, parecia que os judeus estavam virando o jogo.
Céstio Galo, o governador romano da região, saiu da Síria com 20 mil soldados. Cercou Jerusalém por seis meses, mas fracassou, deixando para trás seis mil soldados romanos mortos e grande quantidade de armamentos que os defensores judeus recolheram e usaram.
O imperador Nero enviou Vespasiano, general condecorado, para sufocar a rebelião. Vespasiano foi minando a força dos rebeldes, eliminando a oposição na Galiléia, depois na Transjordânia e por fim na Idu-méia. A seguir, cercou Jerusalém.
Contudo, antes do golpe de misericordia, Vespasiano foi chamado a Roma, pois Nero morrera. O pedido dos exércitos orientais para que Vespasiano fosse o imperador marcou o fim de uma luta pelo poder. Em um de seus primeiros atos imperiais, Vespasiano nomeou seu filho, Tito, para conduzir a guerra contra os judeus.
A situação se voltou contra Jerusalém, agora cercada e isolada do restante do país. Facções internas da cidade se desentendiam com relação às estratégias de defesa. Conforme o cerco se prolongava, as pessoas morriam de fome e de doenças. A esposa do sumo sacerdote, outrora cercada de luxo, revirava as lixeiras da cidade em busca de alimento.
Enquanto isso, os romanos empregavam novas máquinas de guerra para arremessar pedras contra os muros da cidade. Aríetes forçavam as muralhas das fortificações. Os defensores judeus lutavam durante todo o dia e tentavam reconstruir as muralhas durante a noite. Por fim, os romanos irromperam pelo muro exterior, depois pelo segundo muro, chegando finalmente ao terceiro muro. Os judeus, no entanto, continuaram lutando, pois correram para o Templo — sua última linha de defesa.
Esse foi o fim para os bravos guerreiros judeus — e também para o Templo. Josejo, historiador judeu, disse que Tito queria preservar o Templo, mas os soldados estavam tão irados com a resistência dos oponentes que terminaram por queimá-lo.
A queda de Jerusalém, essencialmente, pôs fim à revolta. Os judeus foram dizimados ou capturados e vendidos como escravos. O grupo dos zelotes que havia tomado Massada permaneceu na fortaleza por três anos. Quando os romanos finalmente construíram a rampa para cercar e invadir o local, encontraram todos os rebeldes mortos. Eles cometeram suicídio para que não fossem capturados pelos invasores.
A revolta dos judeus marcou o fim do Estado judeu, pelo menos até os tempos modernos.
A destruição do Templo de Herodes significou mudança no culto judaico. Quando os babilônios destruíram o Templo de Salomão, em 586 a.C, os judeus estabeleceram as sinagogas, onde podiam estudar a Lei de Deus. A destruição do Templo de Herodes pôs fim ao sistema ‘sacrificai judeu’ e os forçou a contar apenas com as sinagogas, que cresceram muito em importância.
Onde estavam os cristãos durante a revolta judia? Ao lembrar das advertências de Cristo (Lc 21.20-24), fugiram de Jerusalém assim que viram os exércitos romanos cercar a cidade. Eles se recusaram a pegar em armas contra os romanos e retiraram-se para Pela, na Transjordânia.
Uma vez que a nação judaica e seu Templo tinham sido destruídos, os cristãos não podiam mais confiar na proteção que o império dava ao judaísmo. Não havia mais onde se esconder da perseguição romana.

SINAIS E MARAVILHAS? C. H. SPURGEON

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Nesta mensagem em vídeo - Spurgeon fala que a ansiedade por ver sinais e maravilhas é característica de uma geração doentia e incrédula, e nos mostra a resposta de Cristo a uma geração assim

CORAGEM PARA SOFRER PELA VERDADE - JOÃO CALVINO

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(Mensagem em vídeo) - Vivemos dias em que não há coragem nem para defender a Verdade diante de um mundo pós-moderno e uma igreja cheia de heresias em seu culto antropocêntrico - que dirá sofrer por essa verdade - Calvino nos fala de dias ainda mais escuros que estes, em que milhares e milhares escolheram sofrer pela Verdade de Deus. (Mensagem em vídeo do grande Reformador).

ELE RECEBE PECADORES - C. H. SPURGEON

Posted by Josemar Bessa on Quinta-feira, Novembro 05, 2009 , under , | comentários (0)




Observe a condescendência revelada por estas palavras: “Este recebe pecadores” (Lc 15.2).
Este Homem que é o mais elevado de todos, inculpável, sem mácula, santo, puro e separado dos pecadores – este Homem recebe pecadores. O fato de alguns de nós se mostrarem dispostos a procurar os perdidos não é nada admirável – eles fazem parte de nossa raça. Mas o Deus santo contra o Qual as transgressões têm sido cometidas tomou sobre Si mesmo a forma de servo. Ele levou sobre Si o pecado de muitos e se tornou disposto a receber o mais ímpio dos pecadores. Isto é maravilhoso!!
Ele não recebe pecadores para que continuem sendo pecadores. O Senhor Jesus os recebe para perdoar-lhe os pecados, justificar e limpar-lhes o coração, por meio de sua Palavra purificadora, preservar suas almas por meio da habitação do Espírito Santo. Ele os capacita a servirem-No, a proclamarem o seu louvor e a desfrutarem de comunhão com Ele mesmo. Em seu coração de amor, o Senhor Jesus recebe os pecadores, resgata-os do abismo de miséria e os veste como jóias em sua coroa.
O Senhor Jesus resgata os pecadores da fornalha ardente e os preserva como monumentos preciosos de sua graça. Ninguém é tão precioso aos olhos de Jesus quanto os pecadores em favor dos quais Ele morreu. Quando Jesus recebe pecadores, ele não o faz em um lugar de recepção pública, onde Ele caridosamente os entretém como mendigos transeuntes. Pelo contrário, o Senhor Jesus abre as portas de ouro de seu coração real e recebe o pecador imediatamente em sua própria presença. Ele admite o humilde penitente em uma união pessoal, tornando-o membro de seu corpo, de sua carne e de seus ossos. O Senhor Jesus ainda recebe pecadores. Ore para que pecadores O recebam.