Jonas obedeceu a uma
mentira. Essa mentira foi dupla: 1) ele creu que seu desejo a favor da
destruição de Nínive era mais digno que o desejo de YHWH quanto ao
arrependimento daquela cidade; e 2) ele acreditou que poderia realmente fugir
da "presença do SENHOR" (1.3). E difícil aceitar que Jonas realmente
creu em tal mentira; ele era, afinal de contas, um verdadeiro profeta de YHWH
(2 Reis 14.25).
É uma afronta à
credulidade sugerir que um profeta que ministrava foi persuadido de que seus
desejos transcendiam o mandamento de Deus em valor ou importância, ou que tal
porta-voz de Deus conscientemente concebeu YHWH como sendo uma divindade local
tão presa ao espaço que uma pessoa pudesse fugir de Sua presença, em um navio.
Mas a questão se Jonas realmente creu na mentira ou se estaria conscientemente
proclamando a credibilidade de suas pretensões é digna de discussão em processo
simulado; o fato histórico, registrado na Bíblia, é que ele obedeceu a uma
mentira.
Jonas confessou que por
causa de seus próprios desejos ("ídolos inúteis : mentiras vazias e que
serviam a seus próprios fins) foi tão espiritualmente tolo que se comportou
como se essa mentira fosse verdade ("aqueles que acreditam : que se
apegam, que abraçam, que acalentam a despeito de todas as influencias em
contrário) e dessa forma trouxe sofrimento sobre si.
A horrenda realidade
espiritual da experiência de Jonas é a seguinte: o poder de uma mentira não é
intrínseco à sua inerente credibilidade, mas sim à sua força de atração. A
questão moral principal não é se o povo crera na mentira, mas se eles a
obedecerão! O pai das mentiras aprendeu no Jardim que uma mentira de uma
improbabilidade quase que infinita ( no dia em que comeres... serão como
deuses") seduzirá caso seja suficientemente tentadora ("era boa para
comer... agradável aos olhos... sereis conhecedores do bem e do mal"). Em
suma, uma mentira é poderosa não porque e enganosa, mas porque é deliciosa.
Para explicar a questão
por um prisma diferente, a mentira é eficaz apenas por causa da nossa
predisposição egoísta, já que como criaturas caídas somos inclinados a
favorecer nossos próprios desejos, que estamos dispostos a ser tão
espiritualmente tolos a ponto de obedecer a uma mentira que jamais
declararíamos de forma consciente. Mas a predisposição egoísta é, em todos os
casos, destrutiva. Quando as pessoas determinam abandonar o que sabem ser
verdade para abraçar uma mentira sedutora, elas abandonam a misericórdia de
Deus. Este é o testemunho do profeta Jonas.
Qualquer um que
aconselha, pela natureza de seu ministério, haverá de confrontar quem obedeceu
a mentiras sedutoras, e que desprezou a misericórdia. Essa pessoa obedeceu à
mentira por causa de sua predisposição egoísta. Em outras palavras, ela
rejeitou o foco na Pessoa de Deus em favor de um foco voltado para si mesma, e
o resultado vem sendo destruição espiritual, emocional, física e/ou relacional.
Essa pessoa está vivendo no meio de Jonas 2.8, mas sua única esperança
encontra-se em Jonas 2.9.
Ela colocou seus olhos
sobre si mesma e trouxe destruição à sua própria vida. Devemos confrontá-la com
tal impiedade e desafiá-la a colocar seus olhos em Deus, para obedecer à
Palavra dEle, viver sua vida para a glória dEle, e nisto confessar e
experimentar que "ao Senhor pertence a salvação"!
ÍDOLOS
INÚTEIS NO ACONSELHAMENTO BÍBLICO
A tragédia no mercado
contemporâneo é que vários modelos de aconselhamento cristão estão baseados em
teorias mais precisamente subordinadas sob o erro de Jonas 2.8 ("ídolos
inúteis") do que sob a verdade de Jonas 2.9 ("Ao Senhor pertence a
salvação!"). Intencionalmente ou não, alguns conselheiros provaram ser
líderes cegos para cegos; têm concordado com posturas que agradam a seus
ouvidos, que são subbíblicas e que desonram a Deus - posturas que apenas tornam
as pessoas mais confortáveis em sua impiedade.
É angustiante
contemplar a lista de "ídolos inúteis" que têm se insinuado como os
mais diversos modelos de aconselhamento "cristão": modelos que
legitimam uma preocupação narcisista com o eu; modelos que fabricam uma
dimensão para a psique humana, cuja existência não pode ser comprovada, mas
cujo reconhecimento possui o efeito prático insidioso de tornar o indivíduo
vítima das forças diante das quais não pode ser responsabilizado, e por
conseguinte negando que as pessoas são moralmente responsáveis pela forma que
agem, pensam ou sentem; modelos que validam a postura de que criaturas finitas
têm o direito de se enraivecerem contra o Juiz infinito do universo (que tem,
de fato, nos assegurado que fará aquilo que é correto, Génesis 18.25), e que é
possível obter benefícios espirituais e terapêuticos por meio do expressar tal
atitude de raiva contra Deus; modelos que falam de cura e crescimento
espiritual nos relacionamentos, e em maturidade enquanto evitam deliberadamente
qualquer apelo ao Espírito Santo ou a graças-padrão a nós concedidas por Deus.
Tudo isso é mentira!
Elas não haverão de ser intelectualmente incisivas a qualquer um que opera
dentro da cosmovisão das Escrituras, mas já que tornam as pessoas confortáveis
em seu pecado, são extremamente sedutoras. Além disso, pelo motivo dela ser uma
realidade fixa do universo moral de que todos os que observam ídolos inúteis
irão sempre desprezar a misericórdia, essas mentiras também são destrutivas.
Tanto para o
conselheiro quanto para o aconselhado, a forma de se contrapor a essas mentiras
destrutivas, é fazer um compromisso deliberado e prático de concentrar a
atenção na glória de Deus. Esta foi a descoberta libertadora feita pelo profeta
Jonas. Ao focar-se em seus desejos egoístas, Jonas se achou em uma enrascada,
mas quando reconheceu a destrutividade de sua predisposição egoísta, quando
confessou o caráter escravizador dos ídolos inúteis que ele tinha abraçado,
quando reconheceu que ao apegar-se a tais ídolos ele havia abandonado a bondade
de Deus e trazido sobre si destruição, Jonas encontrou alívio. Milhões têm
seguido esse exemplo - pessoas que confessariam de forma alegre que a glória e
o louvor pelo alívio que encontraram pertencem a Deus somente.
Douglas Bookman






