Todos nós gostamos de
cantar o hino pátrio “Jerusalém”, de Blake:
Traze-me o meu arco de
flamejante ouro!
Traze-me as minhas
flechas de desejo!
Traze-me a minha lança!
Ó nuvens, clareai!
Traze-me o meu potente
carro de fogo!
Não cessarei meu
combate mental,
Nem dormirá minha
espada em minha mão,
Até que tenhamos
construído Jerusalém
Na verde e aprazível
terra da Inglaterra.
Bela poesia! Palavras
maravilhosas! A melodia de Sir Hubert Parry talvez seja até melhor. Mas, que
dizer disso? Lixo e absurdo!
Todavia, nós
acreditamos que somos capazes de melhorar as condições; pensamos que podemos
dar o devido tratamento às dificuldades. Vamos introduzir uma nova Jerusalém
por meio de leis do parlamento e de várias outras maneiras. Mas eis o que diz
Deus: Saia! Saia! Por quê? Porque esta terra é uma terra de pecado e de
infortúnio, porque estamos vivendo na Cidade da Destruição.
O velho John
Bunyan viu isso. Vocês já leram “O
Peregrino”. Se não leram, permitam que lhes diga que ele tem mais para dizer à
presente geração do que os brilhantes artigos de todos os seus jornais
dominicais juntos. O Progresso do Peregrino! Como começa! Havia um homem que
vivia numa localidade chamada Cidade da Destruição, e lhe chegou um chamado
para que saísse, para que fugisse pra salvar sua vida, para fugir daquela
cidade. E, segundo a Bíblia, este mundo é a Cidade da Destruição. Os atos e as
atividades do homem jamais produzirão uma nova Jerusalém nesta “verde e
aprazível terra”.
Não, a verdade simples
e clara que nos é dita é que a Mesopotâmia, a Inglaterra, qualquer lugar que
vocês queiram, está debaixo da ira de Deus. É isso que a bíblia diz, é isso que
a mensagem cristã diz ao mundo atual. Estamos sob a ira de Deus, meus amigos.
Por que tivemos estas duas guerras mundiais? Por que as coisas estão como
estão? Segundo este ensino, tudo faz parte da punição de Deus sobre o nosso
pecado e rebelião contra Ele. Deus está deixando que colhamos o que nós mesmos
semeamos. “O que o homem semear, isso
também ceifará” (Gl 6.7). Se você começar adorando ou servindo o homem, logo o
matará. Se você disser que pode ir em frente mesmo diante do que Deus diz, sua
vida será um caos. Isso faz parte da punição. Todos nós estamos na Cidade da
Destruição. “Éramos por natureza filhos
da ira, como os outros também” (Ef 2.3). “Do céu se manifesta a ira de Deus
sobre toda a impiedade e injustiça dos homens” (Rm 1.8).
Quer eu e vocês
gostemos disso quer não, essa é a mensagem do evangelho. “O Deus da glória
apareceu a nosso pai Abraão”. Este é, num sentido, o início da grande história
da redenção, a aliança que Deus fez com Abraão. Mas o primeiro passo é este.
“Saia! Você está na Cidade da Destruição. Fuja! Venha!
Por isso eu dou o meu
pareceu a vocês, que o juízo de Deus sobre o pecado do homem é a única
explicação adequada do estado deste mundo. Vão pedir aos seus filósofos que
expliquem isso, peçam-no aos crentes na política; não podem. Bem, eu não estou
aqui para dizer que não precisamos de filosofia, de política e de educação;
claro está que precisamos. Contudo, o que eu estou dizendo é que, se você
firmar nelas a sua fé, como estultamente fazem os que não firmam em Deus a sua
fé, o seu mundo irá de mal a pior. O mundo, neste século XX, está falsificando
todos os ensinos e os prognósticos dos
idealistas, aquela gente confiante do século XIX e depois. Não, não; este mundo
está debaixo da ira de Deus, está sob condenação.






