O Novo Testamento fala
de dois tipos de paz - a paz objetiva referente ao seu relacionamento com Deus
e a paz subjetiva referente a sua experiência na vida.
A pessoa não regenerada
não tem paz com Deus. Isso já foi verdade para todos nós. Nós entramos no mundo
lutando contra Deus, porque somos parte da rebelião que começou com Adão e Eva.
Romanos 5.10 diz que éramos inimigos de Deus, que lutávamos contra Deus e que
tudo o que fazíamos militava contra os seus princípios.
Mas ao receber Jesus Cristo
nós deixamos de ser inimigos de Deus - fazemos uma trégua com ele. Nós vimos
para o seu lado e as hostilidades se acabam. Jesus Cristo escreveu o tratado de
paz com o seu sangue derramado na cruz. Esse tratado, essa ligação, essa
aliança declara o fato objetivo de que agora nós estamos em paz com ele.
Isso é o que Paulo quer
dizer em Efésios 6.15, quando ele chama as boas novas de salvação de
"preparação do evangelho da paz". O evangelho é aquilo que faz uma
pessoa em guerra com Deus ficar em paz com ele. Essa paz é objetiva - ou seja,
ela nada tem a ver com o que nós sentimos ou com o que nós pensamos. Ela é um
fato consumado.
Romanos 5.1 diz:
"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso
Senhor Jesus Cristo". Nós que confiamos em Cristo estamos redimidos e
declarados justificados por meio da fé. Nosso pecados são perdoados, cessa a
rebelião, a guerra terminou e nós temos paz com Deus. Esse era o maravilhoso
propósito de Deus na salvação.
Colossenses 1.22 diz que
Cristo "agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a
sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e
irrepreensíveis". Um indivíduo perverso, pecador e vil não pode chegar à
presença de um Deus Santo. Alguma coisa tem que fazer aquela pessoa
transgressora tornar-se justa antes que possa estar em paz com Deus. E isso foi
exatamente o que Cristo fez quando morreu pelo pecado e imputou a sua justiça a
todo aquele que crê. Então Paulo diz que nós não somos mais inimigos, mas
estamos em paz porque fomos reconciliados.
E como se Deus estivesse
de um lado, e nós estivéssemos do outro, então Cristo preencheu o vazio,
tomando a mão de Deus e a mão do homem unindo-as num aperto de mão. Jesus
Cristo nos aproximou do Pai pelo seu trabalho na cruz.
Conquanto Deus e o
homem tenham sido inimigos, eles agora estão reconciliados. Isso é o coração da
mensagem do evangelho, como Paulo diz em 2 Coríntios 5.18,19: "... tudo
provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu
o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando
consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou
a palavra da reconciliação".
Mas Jesus não está
falando sobre a paz objetiva em João 14.27. A paz de que ele fala ali, é uma
paz experimentada, subjetiva. Ela é a tranquilidade da alma, uma paz
estabelecida, positiva que afeta as circunstâncias da vida. E a paz agressiva;
em vez de ser vitimada pelos acontecimentos, ela os ataca e os domina
avidamente. E um tranquilizante sobrenatural, permanente, positivo, sem efeitos
colaterais. Essa paz é a calma do coração após a tempestade do Calvário. É a
firme convicção de que aquele que não poupou o seu próprio Filho também nos
dará com ele gratuitamente todas as coisas (Rm 8.32).
Essa é a paz de que
Paulo fala em Filipenses 4.7: "... a paz de Deus, que excede todo o
entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus". A
paz de Deus não é baseada em circunstâncias como a paz do mundo. Portanto ela
nem sempre faz sentido para a mente carnal. Paulo diz que ela excede todo o
entendimento. Não parece razoável que uma paz como essa possa existir no meio
dos problemas e dificuldades que o cristão atravessa. Mas essa paz é sobrenatural
e divina; não pode ser humanamente imaginada.
A palavra para
"guardará" em Filipenses 4.7 não é a palavra que quer dizer
"vigiar" ou "manter aprisionado". É uma palavra que muitas
vezes é usada em um sentido militar, significando "ficar em um posto e
guardar contra a agressão de um inimigo". Quando a paz está de guarda, o
cristão está dentro de uma cidadela impenetrável da qual nada pode desalojá-lo.
O nome dessa fortaleza é Cristo e cidadela é a paz. A paz de Deus monta guarda
e não permite que a preocupação consuma o nosso coração e que pensamentos
indignos assaltem a nossa mente.
Essa é a paz que as
pessoas realmente querem. Desejam uma paz que resolva o passado, sem ligações
da consciência envenenadas por pecados passados que os prendam e torturem sem
cessar. Querem uma paz que dirija o presente, sem desejos insatisfeitos
atormentando seu coração. Desejam uma paz que garanta o futuro, sem mau
presságio do amanhã desconhecido e tenebroso que os ameace. E essa é exatamente
a paz pela qual a culpa do passado é perdoada; pela qual as provações do
presente são sobrepujadas; e na qual o nosso destino é eternamente assegurado.







