Pois
nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua
vida em resgate por muitos.
(Marcos
10.45)
Marcos registra três
ocasiões distintas em que Jesus predisse seus sofrimentos e sua morte. Essa é a
terceira. Ela é particularmente importante porque é a interpretação do próprio
Senhor acerca da cruz. Portanto, é razoável supor que, se houve alguém que
tenha entendido o significado de sua morte, esse alguém foi Jesus.
Para começar, ele
enfatizou que sua morte seria voluntária. Anteriormente ele a havia descrito na
forma passiva, a saber, que ele seria traído, rejeitado e morto. Agora, no
entanto, ele diz que o Filho do homem havia vindo não para ser servido, mas
para servir e dar a si mesmo. Em outras palavras, ele havia vindo não
prioritariamente para viver a sua vida, mas para dá-la como o ápice de toda uma
vida de serviço.
Em especial, continuou
Jesus, ele havia vindo para dar a sua vida "como resgate por todos"
(ITm 2.6). O que então podemos, de forma legítima, deduzir da metáfora do
resgate? Primeiro, ela dá a entender que não somos capazes de assegurar a nossa
libertação. Segundo, ela indica o valor do preço pago pela nossa liberação.
Como o apóstolo Pedro
escreveu mais tarde, nós fomos redimidos não com prata nem ouro, "mas pelo
precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito"
(1 Pe 1.19). A Páscoa está de modo bem claro na mente de Pedro. Assim como os
primogênitos israelitas foram salvos pela morte de um cordeiro substituto,
Cristo morreu para o nosso resgate, em nosso lugar. Terceiro, ela implica que,
tendo sido adquiridos por Cristo, nós agora pertencemos a ele. Como Paulo
escreveu a Tito, Jesus Cristo "se entregou por nós a fim de nos remir de
toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu" (Tt
2.14). Assim, somos totalmente seus neste tempo e na eternidade.






