O pecado original está
disseminado entre nós e nos é inerente enquanto vivermos, isso refuta a posição
dos libertinos e dos quakers que dizem que não temos pecado. Eles sustentam a
perfeição e exibem muito orgulho e ignorância, porém, vemos as sementes do
pecado original, mesmo no melhor deles! "Não há homem justo sobre a terra
que faça o bem e que não peque" (Ec 7.20). E Paulo reclamava de um
"corpo desta morte" (Rm 7.24). Embora a graça purifique a natureza,
ela não a aperfeiçoa.
O apóstolo não diz aos
crentes que seu "velho homem foi crucificado" (Rm 6.6), e que eles
estavam "mortos para o pecado" (Rm 6.11)?
E de fato eles estão
mortos, veja:
1. Eles estão mortos espiritualmente para o
pecado. Eles estão mortos tanto para a culpa como para o poder. O amor ao
pecado é crucificado.
2. Eles estão legalmente mortos para o
pecado. Como um homem sentenciado à morte está morto na lei, os crentes estão
legalmente mortos para o pecado. Há uma sentença de morte declarada contra o
pecado. Ele deve morrer e ir para o sepulcro. Porém, no presente, o pecado tem
sua vida prorrogada. Nada além da morte do corpo pode nos libertar
completamente do corpo dessa morte.
Levemos a sério o
pecado original e nos humilhemos profundamente por causa dele. Ele se apega a
nós como uma doença, é um princípio ativo em nós, levando-nos ao mal. O pecado
original é pior que o pecado de fato; a fonte é maior que o arroio. Alguns
pensam que, enquanto são cidadãos, eles são bons o suficiente. Que pena, a natureza
está envenenada.
Um rio pode ter lindos
ribeiros, mas, no fundo, ser cheio de parasitas. Tu tens sobre ti um inferno,
nada podes fazer quanto à tua desonra; teu coração, como solo lamacento,
contamina a mais pura água que verte sobre ele. Conquanto seja regenerado,
ainda permanece muito do velho no novo homem. Quanto o pecado original nos
humilha. Essa é uma razão pela qual Deus deixou o pecado original em nós, para
que tivesse um espinho para nos admoestar.
Como o bispo de
Alexandria, depois que o povo tinha abraçado o cristianismo, destruiu todos os
ídolos deles menos um, para que, à vista daquele ídolo, eles tivessem aversão a
si mesmos pela idolatria anterior. Da mesma maneira, Deus deixou o pecado
original para abaixar as plumas do orgulho. Sob as nossas asas prateadas de
graça se encontram pés pecadores.
Deixemos essa percepção
nos fazer buscar ajuda diariamente do céu. Peça que o sangue de Cristo lave a
culpa do pecado, que o seu Espírito mortifique o poder do pecado, peça por
outros níveis de graça: embora a graça não faça o pecado desaparecer, pelo
menos ela o impede de reinar. Embora a graça não possa expulsar o pecado, pode
repeli-lo. E, para nosso consolo, nas áreas em que a graça trava um combate
contra o pecado, a morte nos proporcionará uma vitória.
Quarta aplicação:
deixemos o pecado original nos fazer caminhar com corações vigilantes e
cautelosos. O pecado de nossa natureza é como um leão adormecido cuja raiva é
despertada pela mínima coisa. Ainda que o pecado de nossa natureza pareça
quieto e repouse como o fogo escondido sob as brasas, basta revolver somente um
pouquinho e sentir o pequeno sopro da tentação que ele se inflama rapidamente e
se propaga em maldades escandalosas. É por isso que precisamos sempre caminhar
com vigilância. "O que, porém, vos digo a todos: vigiai!" (Mc 13.37).
Um coração peregrino precisa de um olhar vigilante.






