Tentar responder a essa
pergunta dentro desse formato curto e sintético, pode quase fazer mais mal do
que bem. Eu poderia fazer um comercial aqui dizendo que a Cultura Cristã
publicou um livro que escrevi intitulado Eleitos de Deus, que se dedica inteiramente
ao estudo dessa muito difícil doutrina bíblica da eleição.
Quando discutimos a
questão da eleição, melhor conhecida como predestinação, muitas vezes essa
palavra é associada com a teologia calvinista. O apóstolo Paulo nos diz em
Efésios que fomos predestinados em Cristo para ser sua feitura, e também segue
esse tema bem de perto na carta aos Romanos. Portanto, como cristãos temos de
lutar com esse conceito de eleição divina soberana.
Creio, novamente, que
devemos entender o ponto básico da eleição — que Deus considera a raça humana
em sua queda e vê a todos nós num estado de rebelião contra ele. Se ele fosse
exercer sua justiça total e completamente contra o mundo todo, então todos nós
certamente pereceríamos. As Escrituras nos dizem que em nosso estado natural e
decaído, estamos num estado de escravidão moral. Ainda temos a habilidade de
fazer escolhas, mas essas escolhas seguem os desejos de nossos corações, e o
que nos falta como criaturas caídas é um desejo inato por Deus. Por isso Jesus
diz, por exemplo: "ninguém poderá vir a mim se, pelo Pai, não lhe for concedido"
(Jo 6.65).
Creio que a eleição
significa que Deus soberanamente e graciosamente dá o desejo por Cristo àqueles
a quem ele chama do mundo. A dificuldade, e o grande mistério, é que,
aparentemente, ele não faz isso para todas as pessoas. Ele reserva o direito,
como disse a Moisés e como Paulo reitera no Novo Testamento, de ter
misericórdia de quem ele tem misericórdia — assim como ele escolheu Abraão e
não Hamurabi, assim como Cristo apareceu a Paulo na estrada de Damasco de uma
forma que não apareceu a Pôncio Pilatos. Ele nunca trata ninguém injustamente.
Alguns recebem justiça e alguns recebem misericórdia e Deus se reserva o
direito de dar eternamente sua clemência executiva, se você assim desejar,
àqueles a quem ele escolhe. Existe um grande debate sobre isso, como você sabe,
mas creio que a escolha que Deus faz não é baseada na minha retidão ou na sua
retidão, mas na graça divina.






