Estou contente de que
você tenha feito essa pergunta porque é o tipo de pergunta que quase nunca se
ouve na comunidade cristã. Obviamente, essa é uma questão de grande preocupação
para Deus.
A Bíblia tem muito a
dizer sobre ciúmes e sentimentos semelhantes que temos uns para com os outros.
Uma das perguntas que
sempre faço aos meus estudantes no seminário é a seguinte: "Suponhamos que
você tenha a possibilidade de escrever uma nova constituição para o Governo dos
Estados Unidos da América e que vamos começar tudo outra vez. Ao invés de
termos várias emendas e uma Carta de Direitos, tudo o que poderíamos ter seriam
dez regras básicas pelas quais nossa nação seria governada. O que você
incluiria nestas dez regras para governar a nação?"
Quando fazemos essa
pergunta, a maioria das pessoas incluiria regras como proibição contra o
assassinato, contra o roubo e esses tipo de violação de pessoas e propriedade
que todos reconhecemos como mal.
Entretanto, eu também
me pergunto quantas pessoas incluiriam entre as dez mais importantes uma regra
para honrar os pais, ou uma regra para proteger a santidade do nome de Deus. Eu
me pergunto quantos incluiriam uma regra contra cobiçar a propriedade dos
outros.
Ciúme não é exatamente
a mesma coisa que cobiça, mas está bem perto. Ciúme significa alimentar
sentimentos maus contra outro ser humano por causa das posses ou realizações ou
alguma coisa daquela pessoa que desejamos para nós e não temos. Temos sentimentos
de má vontade para com essa pessoa porque cobiçamos aquilo que ela possui.
Poderia acrescentar que
o ciúme é um dos pecados principais a respeito dos quais a Bíblia fala tão
frequentemente. Creio que uma das razões porque o ciúme é uma questão tão séria
para Deus é o fato de que, na raiz dos sentimentos de ciúme para com outras
pessoas, está uma crítica velada e assumida contra Deus.
Estamos, em certo
sentido, expressando nossa insatisfação com o fato de que Deus se agradou em
permitir que outras pessoas tivessem aquilo que não temos, ou realizassem o que
não realizamos. Ao invés de sermos gratos por aquilo que Deus providenciou para
nós — os dons, talentos e posses — em nosso ciúme não apenas machucamos as
outras pessoas, mas estamos silenciosamente atacando a Deus em sua soberania e
em sua misericórdia. Creio que precisamos encarar esse fato em sua totalidade
se vamos nos dispor a superar esse sentimento.






