O que é consagração? É
o oposto do arrependimento. No arrependimento, a pessoa volta-se para Deus a
partir do que é errado. Os dois termos expressam a mesma idéia de
"negação" aos apelos do pecado e a mesma idéia de
"afirmação" ao chamado de salvação de Cristo.
O que é transformação?
É mudar-se para ser como Cristo, o que Paulo fala em 2Coríntios 3.18. A versão
Revista e Atualizada traduz muito bem esta idéia: "E todos nós, com o
rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos
transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o
Espírito". Por meio da ação do Espírito Santo, tornamo-nos como Aquele a
quem contemplamos à medida que assimilamos o que diz o Evan¬gelho. Cada passo
nesta transformação de caráter (uma vez que é sobre esta conformidade de
caráter que o apóstolo Paulo está falando) é um grau novo de glória, ou seja,
da auto-revelação de Deus em nossa vida humana.
Qual é a relação entre
consagração e transformação? Paulo explica isto em Romanos 12.1,2:
Rogo-vos,
pois
[como sua maneira de glorificar a Deus por sua graça: veja Romanos 11.36], irmãos, pelas misericórdias de Deus [que
firmaram o fundamento para a gratidão que devemos mostrar agora], que
apresenteis o vosso corpo [não o corpo em oposição à alma, mas o ser como
um todo, corpo e alma, como em Fp 1.20] por
sacrifício vivo, santo (consagrado) e agradável (um prazer) a Deus, que é o vosso culto racional. E não
vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa
mente (seu coração, seus desejos, seus pensamentos e propósitos, toda a sua
vida interior), para que experimenteis
qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
O pensamento de Paulo é
o de que, pelo ato de nos oferecermos, nós nos abrimos para Deus e, portanto,
paramos de oferecer qualquer resistência, que porventura esteja à nossa frente,
ao Espírito Santo que habita em nós. Consequentemente, a sobrenaturalização
planejada e prometida de nossa vida interior por meio do nosso compartilhar da
vida do Cristo ressurreto seguirá adiante. "Para que experimenteis (em
cada situação) qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (v.
2). "Experimentar" traduz um único verbo no grego que significa
discernir por meio do exame de alternativas. A mente renovada, iluminada pelo
Espírito e sintonizada pela regeneração para a busca da glória de Deus,
comparará as opções e, portanto, perceberá que curso de ação melhor agradará a
Deus.
O
Contexto da Santidade é Justificação por meio da Fé em Cristo
A santificação não é,
em sentido algum, a base para a justificação; pelo contrário, a vida de
santidade pressupõe a justificação, sendo a resposta de gratidão a ela.
Tudo que precisamos
fazer para estabelecer este ponto é nos lembrar da ordem das coisas em Romanos,
onde a justificação dos pecadores por meio da fé em Cristo, à parte das obras,
é o tema dos capítulos 3o, 4o e 5o, e o dom da nova vida em Cristo para os
justificados precede os ensinos a respeito da vida consagrada (veja Romanos 6,
principalmente os versículos 12-14,19-22, e 12.1, apenas citado).
A
Raiz da Santidade é a Co-Crucificação e Co-Ressurreição com Cristo
A hostilidade do
coração para com Deus, que é algo natural para todos os não-regenerados,
torna-lhes a santidade algo impossível (Rm 8.7,8). A raiz da santidade é o amor
a Deus e à sua lei, dada a nós pelo Espírito Santo por meio de nossa união com
Cristo em sua morte e ressurreição.
Esta é uma transição
passageira que muda para sempre o nosso coração e acaba com o domínio do pecado
sobre nós, de tal maneira que não vivemos - e, de fato, não podemos viver -
mais debaixo do domínio do pecado como vivíamos antes (Rm 6.1-10,17; Ef
2.1-10). Depois desse evento- após nossa regeneração e manifestação de nossa fé
pessoal - o Espírito passa a habitar permanentemente em nós (ICo 6.19; 2Co
1.22; 5.5; Ef 1.13) para nos ajudar a realizar o que agora estará nos nossos planos,
ou seja, agradar a Deus (Fp 2.13).






