Envolvimento
do coração
O tipo de religião que
Deus requer e aceita não consiste em "veleidades" fracas, enfadonhas
e inertes, aquelas inclinações débeis e sem nenhuma convicção que nos levam não
muito além da indiferença. Deus, em sua Palavra, insiste em que tenhamos forte
determinação e espírito ardente e que nosso coração esteja energicamente
envolvido na prática religiosa: "Sede fervorosos de espírito, servindo ao
Senhor" (Romanos 12.11, ARA).
"Agora, ó Israel,
que é que o SENHOR, o seu Deus, lhe pede, senão que tema o SENHOR, o seu Deus,
que ande em todos os seus caminhos, que o ame e que sirva ao SENHOR, O seu
Deus, de todo o seu coração e de toda a sua alma" (Deuteronômio 10.12).
Esse envolvimento fervoroso e determinado do coração é fruto de uma circuncisão
verdadeira do coração que por si só tem a promessa da vida: "O SENHOR, o
seu Deus, dará um coração fiel a vocês e aos seus descendentes, para que o amem
de todo o coração e de toda a alma e vivam" (Deuteronômio 30.6).
Sentimen
to sagrado
Se não formos sinceros
em nossa vida religiosa e se nossos desejos e nossas inclinações não forem
exercitados com vigor, não somos nada. A prática religiosa é tão importante que
nenhum exercício feito com indiferença será suficiente. Em nenhuma outra
circunstância o estado de nosso coração é tão fundamental quanto na prática
religiosa, e em nenhum outro lugar a indiferença do coração é tão detestável.
A verdadeira religião é
eficaz. Sua eficácia é atestada, primeiramente, por meio dos exercícios
interiores do coração (o qual é a base da religião). Portanto, a verdadeira
religião é chamada "o poder da devoção", em comparação com as
aparências exteriores, isto é, a mera "forma", "tendo aparência
de piedade, mas negando o seu poder" (2Timóteo 3.5). O Espírito de Deus
manifesta um forte e sagrado sentimento na vida dos que têm uma religião sólida
e sadia, por isso está escrito que Deus deu ao seu povo espírito de poder, amor
e moderação (2Timóteo 1.7).
Quando recebemos o
Espírito de Deus, recebemos o batismo do Espírito Santo, que é como
"fogo", e com ele a influência santificadora e salvadora de Deus.
Quando isso acontece, quando a graça está operando em nós, às vezes o fogo
"arde" dentro de nós, como aconteceu com os discípulos de Jesus
(Lucas 24.32).
O
exercício da vontade
A prática religiosa foi
comparada à realização de exercícios. Por meio dela, lutamos para ter o coração
envolvido em Deus. Metáforas como "correndo a carreira",
"lutando com Deus", "perseverando para alcançar o alvo" e
"combatendo violentos inimigos" são muitas vezes usadas para
descrever os exercícios que praticamos.
Entretanto, a
verdadeira graça possui vários graus. Alguns são novos na fé — "crianças
em Cristo" —, e a inclinação deles para se envolver nesses exercícios é
fraca. Contudo, cada um de nós que possua o poder de devoção no coração estará
inclinado a buscar as coisas de Deus. Seja qual for nossa condição, esse poder
nos dará forças suficientes para superar nossas fracas inclinações de modo que
esses santos exercícios prevaleçam sobre nossas fraquezas.
Todo verdadeiro
discípulo de Cristo o ama mais que a pai e mãe, irmã e irmão, esposa, marido e
filhos, casa e terras — sim, até mesmo mais que a própria vida. Disso se
conclui que onde quer que a verdadeira religião se manifeste há uma vontade
movendo o cristão aos exercícios espirituais, mas o que dissemos anteriormente
precisa ser lembrado: o exercício da vontade não é nada mais que o sentimento
da alma.
O
princípio da ação
O ser humano tem a
tendência de permanecer inativo até ser influenciado por alguma emoção: amor ou
ódio, desejo, esperança, temor etc. Essas emoções representam o "princípio
da ação", aquilo que nos impulsiona, que nos faz agir.
Quando olhamos para o
mundo, vemos pessoas extremamente ocupadas. As emoções mantêm-nas ocupadas. Se
pudéssemos retirar a emoção das pessoas, o mundo ficaria imóvel e inativo; não
haveria mais atividade. E o sentimento chamado "cobiça" que impele
alguém a buscar vantagens mundanas; é o sentimento chamado "ambição"
que induz alguém a buscar glória humana; é o sentimento chamado
"lascívia" que leva a pessoa a buscar prazer sensual. Assim como os
sentimentos mundanos são o princípio de ações mundanas, os sentimentos
religiosos constituem o princípio de ações religiosas.






