Nós ainda somos
"de carne", e portanto nosso corpo físico se deteriora e morre. O
micróbio da morte habita em nós. Por causa da maldição do pecado, começamos a
morrer logo que nascemos.
Para os cristãos,
entretanto, há mais para esta vida terrena do que a morte: "Se, porém,
Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o
espírito é vida, por causa da justiça" (Rm 8.10). Em outras palavras, o
corpo do homem está sujeito à morte (já está morrendo) por causa do pecado, mas
o espírito do crente está vivo em Cristo. A vida eterna é a nossa possessão
presente. Embora o corpo esteja morrendo, o espírito já está dotado de
incorruptibilidade.
Aqui a palavra
"corpo" se refere claramente ao corpo físico (não o princípio da
carne), e a expressão "morte" fala da morte física. (Ver a discussão
no Apêndice 1 sobre como Paulo frequentemente usa "carne" e
"corpo" para se referir à tendência pecaminosa nos cristãos). Perceba
que os versos 10 e 11 usam a palavra "corpo" (soma) em vez de
"carne" (sarx) — palavra que Paulo usou nos nove primeiros
versículos. Dessa maneira, ao contrastar "corpo" com
"espírito", ele não deixa dúvidas quanto ao seu significado. No
versículo 10, o "espírito" é vida, refere-se ao espírito humano, à
parte espiritual do nosso ser. O corpo pode estar morrendo por causa do pecado,
mas o espírito do crente está totalmente vivo e progredindo por "causa da
justiça" — porque somos justificados e portanto já "passamos da morte
para a vida" (Jo 5.24). Aqui Paulo está simplesmente dizendo o que também
disse aos Coríntios: "Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que
o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova
de dia em dia" (2Co 4.16).
De fato o Espírito que
habita em nós também promete "vida para nosso corpo mortal" numa
ressurreição futura com o corpo glorificado (Rm 8.11).
O que Paulo quer dizer
é que o corpo, sem o Espírito de Deus, não tem futuro. Está sujeito à morte.
Portanto, não temos obrigação em relação ao lado mortal do nosso ser:
"Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a
viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a
morte; mas, se pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente
vivereis" (Rm 8.12, 13). Aqui Paulo usa a palavra sarx ("carne")
no sentido de "princípio pecaminoso" — e a compara com "os
feitos do corpo". Se você vive de acordo com a carne — se vive em resposta
aos impulsos pecaminosos — você "deve morrer".
Paulo está mais uma vez
traçando os pontos de distinção, tão clara-mente quanto possível, entre os
cristãos e não-cristãos. De forma nenhuma ele está alertando os crentes quanto
ao perigo de perda da salvação se viverem segundo a carne. Ele já mostrou que o
verdadeiro cristão não vive e nem pode viver segundo o princípio do pecado (vs.
4-9). Além disso, Paulo iniciou o capítulo 8 com a afirmação "Agora, pois,
j á nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (8.1). Ele
terminará o capítulo com a promessa de que nada pode nos separar do amor de
Deus que está em Cristo Jesus (vs. 38,39). Um alerta sobre a possibilidade de
queda contradiria o propósito da sua carta.
Paulo simplesmente
estava reiterando o que disse por diversas vezes em suas epístolas no Novo
Testamento — que aqueles que têm vida e coração totalmente carnais não são
verdadeiros cristãos. Eles já estão mortos espiritualmente (v. 6) e, a não ser
que se arrependam, estão condenados à morte eterna. Enquanto isso, a vida deles
na terra é um tipo de servidão horrorosa ao pecado. São escravos da sua própria
carne, constrangidos a suprir seus desejos sensuais.






