- Desejar
a Deus -
O ensino em análise
afirma que desejar e contemplar o nosso Salvador e Deus na reciprocidade do
amor é a atividade mais importante e nobre da vida. No desenvolvimento desse
pensamento, são feitas duas afirmações: primeira, os cristãos frequentemente
perdem a alegria deste relacionamento por sua própria negligência e preocupação
com outras coisas; segunda, Deus às vezes não nos deixa sentir a sua presença e
amor, que nos concede em outras ocasiões, para nos ensinar lições sobre
paciência e pureza de coração que, do contrário, não aprenderíamos.
Uma diversidade de
abordagens foram desenvolvidas com o objetivo de articular estas verdades.
Vamos observar rapidamente algumas delas.
A importância de se
distanciar do que deseja o coração tem sido frequentemente expressada em termos
de retirar-se para o "deserto" de solidão, onde os desejos são
purificados. O mesmo ponto foi observado no Ocidente por meio do direcionamento
dos cristãos à renúncia de todas as distrações que se sobrepõem ao
"cone" ou "ápice" de sua alma, e, no Oriente, mediante a
exigência da "apatheia" (que não significa impassibilidade interior,
mas o domínio próprio que redireciona a paixão para a busca de Deus).
Agostinho, Bernardo e
Thomas à Kempis; e puritanos, como Richard Sibbes, Richard Baxter, Thomas
Goodwin e John Owen, com muitos outros antes e depois deles, mapearam os
caminhos do pensamento e da oração que separam o desejo do apelo magnético
deste mundo para atrelá-lo mais firmemente a Deus, em Cristo.
Por um lado, o
relacionamento entre a meditação verbal e a petição, e, por outro, a
contemplação e o entregar-se pós - e não - verbal ao Senhor, a quem se conhece,
confia e ama, foi explorado por mestres do "casamento espiritual",
que desenvolveram a analogia da linguagem e comunhão do amor entre os sexos e a
aplicaram ao relacionamento de uma pessoa com Deus.
Na mesma relação, os
cistercienses, franciscanos e outros enfatizaram as ligações entre a
contemplação amorosa de Deus e a ação compassiva entre homens e mulheres,
enquanto Jonathan Edwards, em seu livro Tratado sobre a Compaixão Religiosa,
estabelece testes que mostram se sentimentos fortes em um contexto de devoção
são ou não autenticamente espirituais (resultantes da obra do Espírito Santo no
coração).
Toda esta instrução
procura, de qualquer forma, indicar o caminho que conduz àquela satisfação em
Deus, que é o supremo valor e glória da vida.






