A referência de Paulo à
vontade de Deus, em relação à oração (Rm 15.32), é muito significativa.
Anteriormente, ele orou rogando que "... finalmente, pela vontade de
Deus, seja-me aberto o caminho" para que pudesse ir a Roma (1.10). Aqui,
novamente ele ora para que, pela vontade de Deus, ele possa visitar a igreja em
Roma. O uso dessa sentença explicativa lança luz tanto sobre o propósito da
oração quanto sobre o caráter dela, e sobre a razão por que os cristãos devem
orar e como devem fazê-lo.
O propósito da oração
não é, de forma enfática, submeter a vontade de Deus à nossa; antes, alinhar
nosso desejo ao dele. A promessa de que nossas orações serão respondidas é
condicionada ao nosso pedir "... de acordo com a vontade de Deus"
(ljo 5.14). Por conseguinte, toda oração que fazemos deve ser uma variação do
tema "... seja feita a tua vontade" (Mt 6.10).
E quanto ao caráter da
oração? Apesar de Paulo ter afirmado anteriormente que "... não sabemos
como orar" (Rm 8.26), algumas pessoas nos dizem que devemos sempre ser
precisos, específicos e confiantes naquilo por que oramos, e que adicionar
"se esta for a tua vontade" é um pretexto, bem como algo incompatível
com a fé.
Em resposta, precisamos distinguir entre o desejo geral e o desejo
particular de Deus. Como Deus revelou seu desejo geral para todas as pessoas
nas Escrituras (e.g., que precisamos nos controlar e nos tornar semelhantes a
Cristo), devemos realmente orar com determinação e segurança sobre essas
coisas. Mas o desejo particular de Deus para cada um de nós (e. g., em relação
a nossa vida de trabalho e àqueles que fazem parte de nossa vida) não foi
revelado nas Escrituras, de forma que, ao orar por orientação, é correto
adicionar "pela vontade de Deus". Se Jesus fez isso no jardim do
Getsêmani — "... não seja feita a minha vonta¬de, mas a tua" (Lc
22.42) —, e se Paulo escreveu isso duas vezes em sua carta aos Romanos, também
devemos assim fazer. Isso não é descrença, mas a própria humildade.






