Robert Schuller diz que
"o 'desejo do amor-próprio' é o mais profundo de todos os desejos
humanos". Longe de ser um pecado, ele diz, a paixão do homem pelo
amor-próprio é uma coisa boa e deveria ser encorajada, promovida e alimentada.
Ele rotula a histórica aversão eclesiástica ao orgulho como
"neurótica" e argumenta que o homem deveria ser ensinado a não temer
o orgulho humano. Ele escreveu "The cross sanctifies the ego trip "
[A cruz santifica a viagem do ego]. Ampliando essa afirmação num programa de
entrevistas ele declarou: "Jesus tinha um ego. Ele disse: ' Quando eu for
levantado, atrairei todos a mim mesmo'. Puxa, que viagem ao ego ele fez!"
De acordo com Schuller,
"o pecado é uma ofensa psicológica a si mesmo". Mais especificamente,
"o pecado é qualquer ato ou pensamento que rouba a minha auto-estima ou a
de qualquer ser humano", e o inferno é simplesmente a perda do orgulho que
se segue a tal ato.
Tais afirmações podem
se ajustar aos ensinos bíblicos de que o orgulho foi o primeiro pecado, que
resultou na queda de Satanás (cf. Is 14.12-14), bem como na de Adão (Gn 3)? As
palavras de Jesus sobre o publicano que lamentou o seu desmerecimento concordam
com essas afirmações? Jesus apontou aquele homem como um exemplo de verdadeiro
arrependimento (Lc 18.13, 14).
Na teologia da
auto-estima, entretanto, "um profundo senso de desmerecimento" não é
virtude, é incredulidade.'s Muito mais, conforme essa doutrina, "O pecado
mais sério é aquele me leva a dizer: 'Eu não presto. Talvez eu não tenha
direito à filiação divina se o meu pior lado for examinado'. Porque uma vez que
a pessoa acredite que é um 'desprezível pecador' é questionável se ela pode na
verdade, honestamente, aceitar a salvação graciosa que Deus oferece em Jesus
Cristo". O Dr. Schuller até mesmo sugere que o "excesso de oração de
confissão de pecados e arrependimento destroem a saúde emocional dos cristãos
ao alimentar o seu sentimento de desmerecimento".
Aqueles que tomam a
Bíblia inteira como verdade, provavelmente conjeturam de uma maneira diferente.
Davi orou, "Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado;
coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus" (SI 51.17). Na
primeira das suas bem-aventuranças Jesus disse: "Bem-aventurados os
humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mt 5.3). Tiago
escreveu, "Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre,
limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em
pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e
ele vos exaltará" (Tg 4.8-10). A Escritura também diz, "Antes da
ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade" (Pv
18.12; cf. Pv 15.33). "Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes
concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para
que ele, em tempo oportuno, vos exalte" (IPe 5.5, 6). "Quem a si
mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será
exaltado" (Mt 23.12).
Em uma recente
entrevista de rádio perguntaram ao Dr. Schuller como ele concilia seus ensinos
com os versículos acima. Na sua resposta, ele disse que, "só porque isso
está na Bíblia não significa que você deva pregá-lo". Apropriando-se de um
erro rudimentar da neo-ortodoxia, ele acaba com a autoridade bíblica,
estabelecendo uma falsa dicotomia entre a autoridade de Cristo e a autoridade
da sua palavra ("Cristo é o senhor das Escrituras e não as Escrituras o
senhor de Cristo"... "A Bíblia não deve disputar a glória com o
Senhor"). Ele repercute o conceito comum da neo-ortodoxia que diz que as
palavras de Jesus são um "terreno mais seguro" para se construir um
ministério do que os escritos do apóstolo Paulo". Schuller tem uma aversão
particular à expressões como "a ira de Deus": "Nunca vou falar
desse modo", disse ao anfitrião de um programa de entrevistas. "Estou
interessado em atrair as pessoas e não em afastá-las... Se formos sábios, não
usaremos certas expressões em alguns momentos." Por quê ? Porque de acordo
com o Dr. Schuller, "a mensagem do Evangelho não é apenas imperfeita, mas
potencialmente perigosa se ela rebaixar a pessoa na tentativa de
erguê-la".
De fato, Schuller
afirma que o "defeito básico" do Cristianismo con¬temporâneo é a
nossa "falha em proclamar o Evangelho de uma maneira capaz de satisfazer a
necessidade mais profunda de cada pessoa — sua fome espiritual de glória".
Ele diz que a igreja deveria glorificar o ser humano e reinterpretar o pecado
de uma maneira que não fira a auto-estima da pessoa. "O que
precisamos", ele declara, "é de uma teologia de salvação que comece e
termine com o reconhecimento da fome de glória de cada um."
E a glória de Deus? De
acordo com a nova teologia da auto-estima, esse ponto de partida é errado:
"A teologia clássica errou ao insistir que a teologia seja "centrada
em Deus" e não "centrada no homem". "Isso é parte do motivo
pelo qual a igreja está hoje numa situação desagradável", alega o Dr.
Schuller. Na sua consideração "A Teologia da Reforma" [também] falhou
ao não afirmar que o âmago do pecado é a falta da auto-estima". Assim, ele
convoca um novo ponto de partida para a nossa fé — além das Escrituras, além da
doutrina de Deus. Esse novo ponto de partida, ele sugere, deve ser uma ênfase
na glória da humanidade. "A 'Dignidade da Pessoa'", escreve Schuller,
"será então a nova marca desta linha teológica." "E o resultado
será a fé que trará glória para a raça humana."
O
que é o homem para que dele te lembres?
Mas seria a glória do
homem um objetivo válido? Deus disse, "Eu sou o Senhor, este é o meu nome;
a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de
escultura" (Is 42.8). "Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e
por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a
exterminar. Eis que te acrisolei, mas disso não resultou prata; provei-te na
fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque
como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem" (Is
48.9-11; ênfase acrescentada). Em outras palavras, Deus estende sua
longanimidade, graça e misericórdia à humanidade não porque somos dignos de
merecimento, mas por amor do seu nome — por amor da sua própria glória, não da
nossa. "Senhor, que é o homem para que dele tomes conhecimento? E o filho
do homem, para que o estimes? O homem é como um sopro; os seus dias, como a
sombra que passa (SI 144.3, 4, ênfase acrescentada; cf. Jó 7.17; 15.14; SI 8.4;
Hb 2.6). Por outro lado, o evangelho de acordo com a teologia da auto-estima
diz: "Devemos dizer às pessoas em qualquer lugar, que Deus quer que elas se
sintam bem consigo mesmas".
Deus realmente quer que
todas as pessoas se sintam bem consigo mesmas? Ou ele primeiro quer que os
pecadores reconheçam a total impotência do seu estado? Essa resposta é obvia
para aqueles que deixam a Escritura falar por si mesma.
A teologia da
auto-estima é forçada a redefinir o pecado de uma maneira que minimiza a ofensa
a Deus: "O âmago do pecado é uma auto-estima negativa". Em outras
palavras, pecado — de acordo com o evangelho da auto-estima — é uma ofensa
contra a glória humana. E uma transgressão contra nós mesmos, contra a nossa
própria dignidade — não necessaria¬mente uma ofensa contra Deus ou seus
mandamentos. De fato, a definição teológica clássica do pecado como rebelião
contra Deus é agora considerada "superficial e insultante".
Robert Schuller vai
ainda mais longe quando nega que a natureza humana caída é verdadeiramente má:
"Por natureza somos medrosos, não maus... Chame isso de "auto-imagem
negativa", mas não diga que a essência da alma humana é má.






