“Que
darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo? Tomarei o cálice da
salvação, e invocarei o nome do Senhor”.
(Sl
116.12.a)
Assim está escrito no
Salmo. E Deus nosso Senhor diz: Sim, meu filho, isso já me basta”.
Mas, são poucos dos
quais o bondoso Pai recebe isso. A maioria despreza sua palavra e blasfema,
ignorando que tudo que temos nos foi dado por Deus em sua graça. Mas não se
limitam a isso. Chegam a ponto de pendurar no madeiro o Filho de Deus, que foi
enviado por Deus para nosso consolo e para salvação do pecado e da morte
eterna. Seria de esperar que Deus fosse, simplesmente, inimigo desse mundo,
recusando-se a fazer-lhe o bem. Mas ele não se irrita; continua sendo bondoso e
gracioso, ajudando, apesar de tudo.
Por isso, não basta
aprender a ser agradecido. É preciso aprender também a virtude que aceita a
ingratidão. E essa virtude somente Deus e o verdadeiro cristão têm.
Portanto, quem deseja
ser cristão, deve aprender que sua bondade, fidelidade e serviço nem sempre
virão acompanhados de agradecimento. Ele também terá de estar disposto a
receber ingratidão. Agora, não devemos deixar que isso mude o nosso comportamento,
fazendo com que desistamos de servir e ajudar os outros. Pois, se alguém se
esforça ao máximo, e em troca só recebe desaforos, é virtude cristã e genuíno
fruto da fé saber dizer:
“Não se preocupe,
porque isso não vai me fazer perder a calma nem que desanime. Vou agüentar
firme e, apesar de tudo, ajudar onde for possível. Se você é ingrato, sei de
alguém maior do que a gente no céu; ele vai dizer o ‘muito obrigado’ em seu
lugar, e isso me será preferível a sua ingratidão”. Essa é uma atitude cristã e
, no dizer de Salomão, é como derramar brasas vivas sobre a cabeça do ingrato.






