Este é o caminho para
nos humilharmos e vermos quão iníquos somos. Quando Jó viu de fato a grandeza e
a excelência de Deus ele confessou: "...me abomino, e me arrependo no pó e
na cinza" (Jó 42: 5,6). As Escrituras nos mostram muitos exemplos semelhantes
de pessoas piedosas (por exemplo Isaías, Daniel, Pedro e João) sentindo-se
grandemente compungidas e maravilhadas quando Deus revelou alguma coisa da Sua
grandeza e excelência. Se levarmos a sério o modo como a Palavra de Deus
compara os homens deste mundo a "gafanhotos", a
"nulidades", e "grão de pó na balança" (veja Is. 40:12-25)
quando comparados com Deus, isso nos ajudará a nos mantermos humildes. Um
espírito verdadeiramente humilde ajudará grandemente seus esforços para mortificar
seus desejos pecaminosos. Quanto mais meditarmos sobre a grandeza de Deus tanto
mais sentiremos a iniquidade dos nossos desejos pecaminosos.
Uma das maneiras de
ajudar a si mesmo a meditar na grandeza de Deus é simplesmente reconhecer quão
pouco você conhece a Deus. Você pode saber o suficiente de Deus para manter-se
humilde entretanto quando soma tudo que conhece sobre Deus verá que ainda sabe
muito pouco. Foi pensando dessa maneira que um homem sábio como Agur percebeu
como era "ignorante" ("estúpido" - Prov. 30:1-4). Quanto
mais você percebe quão pouco conhece a Deus, mais o orgulho do seu coração será
enfraquecido.
Comece a pensar na sua
ignorância a respeito de Deus pensando quão ignorantes são até mesmo os homens
mais piedosos no que tange a seus conhecimentos de Deus. Pense em Moisés que
rogou a Deus que "lhe mostrasse a Sua glória" (Ex. 33:18). Deus lhe
mostrou algumas coisas muito gloriosas sobre Ele mesmo (veja Ex. 34:5-7) mas
eram tão--somente as "costas" de Deus, porque Deus disse: "Não
me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá"
(Ex. 33:20). Certas pessoas podem pensar que desde que Jesus Cristo veio nosso
conhecimento de Deus se tornou muito maior que o de Moisés. Há certa verdade
nisso, porém é igualmente verdade que, a despeito da revelação de Deus dada em
Jesus Cristo, os mais piedosos dos cristãos ainda vêem somente as
"costas" de Deus.
O apóstolo Paulo, que
provavelmente viu a glória de Deus mais claramente do que qualquer outra pessoa
(2 Cor. 3:18), podia dizer que só a viu como que por meio de um espelho. Pense
no que Paulo escreve em 1 Coríntios 13:12: "Porque agora vemos como em
espelho obscuramente... agora conheço em parte". Paulo compara todo seu
conhecimento presente de Deus com o tipo de conhecimento que tinha quando era criança
(1 Cor. 13:12). Você pode amar, honrar, crer e obedecer a seu Pai celestial e
Ele aceitará seus pensamentos infantis; todavia é isso que eles são, infantis.
Por muito que tenhamos aprendido dEle, ainda sabemos muito pouco. Um dia
saberemos muito mais do que nos é possível conhecer agora, mas nos tempos
presentes até mesmo aqueles que vêem a glória de Deus mais claramente, só a
podem ver obscurecidamente.
Quando a rainha de
Sabá, que havia ouvido tanto a respeito da grandeza do rei Salomão, eventualmente
viu esta grandeza com seus próprios olhos, teve que confessar: "Eis que
não me contaram a metade" (1 Reis 10:7). Podemos imaginar que nosso
conhecimento de Deus é bom, no entanto quando formos trazidos à Sua presença,
exclamaremos: "Nunca O conhecemos como Ele é; uma milionésima parte da Sua
glória, perfeição e bem-aventurança, nunca entraram no nosso coração".
Muitas das coisas que
cremos serem verdadeiras sobre Deus simplesmente não compreendemos. Não podemos
compreender um Deus invisível. Quem pode compreender a descrição que nos é dada
em 1 Timóteo 6:16: "o único que possui imortalidade, que habita na luz
inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver"? A glória
de Deus é tão grandiosa, que nenhuma criatura pode olhar para ela e viver. Deus
Se descreve para nós dessa maneira para nos ajudar a ver quão diferente de nós
Ele é, para nos mostrar quão pouco podemos conhece-10 como Ele realmente é.
Pense na eternidade de
Deus: um Deus que não tem começo e nem fim. Podemos crer nisso, mas quem pode compreender
a eternidade? O mesmo é verdadeiro quando se trata do mistério da Trindade.
Como pode Deus ser Um e contudo ser Três; só um Deus e contudo três Pessoas
distintas numa mesma essência indivisível? Ninguém pode compreender isso. Essa
é a razão pela qual muitos se recusam a crer nela. Pela fé, podemos crer no
mistério da Trindade, todavia nenhum cristão a compreende realmente.
Não apenas
compreendemos tão pouco sobre o ser de Deus, nós também compreendemos muito
pouco sobre os Seus caminhos. Deus diz: "Porque os meus pensamentos não
são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos... como os
céus são mais altos que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que
os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos"
(Is. 55:8,9). O apóstolo Paulo escreve alguma coisa muito semelhante na
Epístola aos Romanos: "O profun¬didade das riquezas, tanto da sabedoria,
como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis
os seus caminhos!" (Rom. 11:33). Embora às vezes o Senhor nos mostre as
razões para as coisas que faz, há muitas ocasiões quando simplesmente não
podemos compreender os Seus caminhos.
Procurando enfatizar
quão pouco um cristão conhece de Deus, não estamos sugerindo que Deus não possa
ser conhecido. Não estamos subestimando a extraordinária revelação que Deus nos
deu de Si mesmo por meio de Seu Filho. De diferentes modos Deus tem revelado
muito de Si mesmo. O ponto que estamos querendo salientar é simples-mente que
somos incapazes de compreender plenamente
até mesmo o que Ele nos tem revelado. Devemos ser gratos por tudo que
podemos conhecer de Deus, mas quanto mais conhecemos mais somos humilhados por
verificar quão pouco realmente conhecemos.
Há
duas coisas das quais nunca podemos esquecer
Primeira: Nunca podemos
esquecer o propósito de Deus naquilo que Ele revelou de Si mesmo. Não nos foi
dado para desvendar a glória da essência de Deus, para que O vejamos como Ele
é. Antes, Ele tão simplesmente nos dá a conhecer o suficiente dEle para que
tenhamos fé nEle, confiemos nEle, O amemos e Lhe obedeçamos. Esse é o
conhecimento de Deus que é adequado a nós no estado presente. Contudo, no
estado futuro Ele nos fará uma nova revelação de Si mesmo, de tal maneira que
tudo quanto sabemos agora parecerá como uma sombra da mais plena revelação que
Ele nos dará então.
Segunda: Nunca
poderemos nos esquecer de quão duros e lentos de coração nós somos para receber
tudo o que a Palavra de Deus nos ensina sobre Ele. A despeito da clara
revelação que Deus nos tem dado, ainda sabemos tão pouco do que Ele tem
revelado!
Ao pensar sobre o que
você sabe de Deus e quão pouco conhece deste grande Deus, ore para que este
seja um meio de se humilhar. Que Deus, Ele mesmo, continuamente encha sua alma
com um santo e reverente temor dEle, de tal maneira que os desejos pecaminosos
nunca brotem ou floreçam na sua alma.






