É comum ouvir-se hoje
nas igrejas a respeito do amor de Deus. Porém, coisa raríssima é encontrar o
ódio de Deus como tópico de debate. Quando isso acontece, usa-se certo adágio
para princípio de conversa: "Deus odeia o pecado, mas ama o
pecador!". Pergunte à maioria dos crentes professos a respeito do ódio de
Deus e eles lhe responderão de modo similar.
Examinemos as
Escrituras para ver se isso é verdade!
Inicialmente,
permita-nos responder a pergunta: "Deus odeia o pecado?".
Hebreus 1.8, 9:
"Mas a respeito do Filho, diz 'O teu trono, ó Deus, subsiste para todo o
sempre; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amas a justiça e odeias a
iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, escolheu-te dentre os teus companheiros,
ungindo-te com óleo de alegria'".
O escritor de Hebreus
cita uma passagem de Salmos e a aplica ao Senhor Jesus Cristo. É claro que Deus
ama a justiça e odeia a impiedade. Portanto, Deus odeia o pecado! Isto também é
afirmado em outras passagens:
Provérbios 6.16-19:
"Há seis coisas que o SENHOR odeia, sete coisas que ele detesta: olhos altivos,
língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos
perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha
mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos".
Estas — é claro — não
são as únicas coisas que Deus odeia; elas são apenas uma pequena lista. Podemos
dizer "amém", de coração, à primeira parte do adágio sob exame:
"Deus odeia o pecado".
Permita-nos responder a
pergunta: "(Mas) Deus ama o pecador?".
Salmos 5.3-7: "De
manhã ouves, Senhor, o meu clamor; de manhã te apresento a minha oração e
aguardo com esperança. Tu não és um Deus que tenha prazer na injustiça; contigo
o mal não pode habitar. Os arrogantes não são aceitos na tua presença; odeias
todos os que praticam o mal Destróis os mentirosos; os assassinos e os
traiçoeiros o SENHOR detesta. Eu, porém, pelo teu grande amor, entrarei em tua
casa; com temor me inclinarei para o teu santo templo".
O salmista diz que Deus
"odeia todos os que praticam o mal" e que ele detesta "os
assassinos e os traiçoeiros". Aqui Deus odeia o próprio pecador, não só
seus pecados. Repare no contraste: Deus odeia o praticante do mal, mas ama o
salmista com "grande amor".
Salmos 11.4-7: "O
Senhor está no seu santo templo; o Senhor tem o seu trono nos céus. Seus olhos
observam; seus olhos examinam os filhos dos homens. O SENHOR prova o justo, mas
o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua alma odeia. Sobre os ímpios ele fará
chover brasas ardentes e enxofre incandescente; vento ressecante é o que terão.
Pois o Senhor é justo, e ama a justiça; os retos verão a sua face".
Percebemos que a alma
de Deus odeia quem ama a injustiça, e sobre tais pessoas ele derramará brasas
ardentes e enxofre incandescente como castigo eterno. Repare também aqui que
Deus odeia o ímpio, mas ama o justo!
Romanos 9.10-16:
"E esse não foi o único caso; também os filhos de Rebeca tiveram um mesmo
pai, nosso pai Isaque. Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem
qualquer coisa boa ou má — afim de que o propósito de Deus conforme a eleição
permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama —foi dito a ela: 'O mais
velho servira ao mais novo'. Como está escrito: 'Amei Jacó, mas rejeitei [gr.,
odiei] Esaú'. E então, que diremos? Acaso Deus é injusto? De maneira nenhuma!
Pois ele diz a Moisés: 'Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e
terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão'. Portanto, isso não depende do
desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus".
Antes de Jacó e Esaú
terem nascido e antes de eles terem feito o bem ou o mal, Deus jã fizera a
escolha de quem amaria e de quem odiaria. Isso aconteceu exclusivamente para
que o bom propósito de Deus e seus atributos pudessem ser conhecidos (Rm
9.17-23). O amor e o ódio de Deus não dependem da "vontade humana",
mas apenas de Deus. Por ser o supremo governante e criador do universo, é
natural que Deus tenha o direito de escolher a quem amar e a quem odiar.
Portanto, o adágio
"Deus odeia o pecado, mas ama o pecador", segundo a Bíblia, é falso.
A afirmação encontrada na Escritura a respeito do ódio de Deus pode causar duas
reações em quem a ouvir. Ela é capaz de endurecer o coração de modo a quem
alguém diga: "Como o Deus descrito pela Bíblia pode ser justificado ao
agir dessa forma?". Essa pessoa também é capaz de pensar:
"Não posso servir
a um Deus que não ama todas as pessoas", ou talvez "Nunca fiz nada de
mal para merecer o ódio de Deus". Além disso, outras pessoas afirmarão sua
incapacidade de julgar a Deus dessa forma (Rm 9.20). Eles percebem que a
Palavra de Deus é a descrição verdadeira de Deus, e que esses atributos de Deus
devem ser aceitos. Na verdade, eles não devem ser só aceitos, mas devem ser
motivo de júbilo; porque este é Deus, e precisamos nos regozijar na verdade de
sua revelação!
As passagens acima
fazem distinção entre o ódio e o amor. Deus odeia quem pratica o mal, mas ama o
salmista. Deus odeia o ímpio, mas ama o justo. Deus odeia Esaú, mas ama Jacó.
Qual é a diferença? Como um pode ser ímpio e o outro justo? A diferença é Jesus
Cristo e sua obra realizada na cruz Por causa do sangue de Cristo vertido, os
eleitos de Deus são declarados justos (Rm 5.9). A diferença não é questão de
quem peca e de quem não o faz, por que não há diferença; todos pecaram e estão
destituídos da graça de Deus (Rm 3.22,23). A diferença é Jesus Cristo, e apenas
ele!
Efésios 2.4, 5:
"Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos
amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões —
pela graça vocês são salvos".
Repare no que Paulo diz
- Deus ama os eleitos mesmo quando
estavam mortos em transgressões. (Em outras palavras, quando eles chafurdavam
no pecado, antes de serem regenerados.) É responsabilidade de toda pessoa
pesquisar as Escrituras e descobrir se ela é um filho amado de Deus.
Kyle Baker






