O que é a santidade dos
eleitos
Esta aplicação nos leva
a uma pergunta: Se devemos ser como Deus em santidade, em que consiste nossa
santidade? Em duas coisas: em nossa adequação em relação à natureza de Deus e
em nossa sujeição à sua vontade.
Nossa santidade
consiste em nossa adequação para com a natureza de Deus. Pois os santos são
participantes da natureza divina, o que não significa ser participante de sua
essência, mas de sua imagem (2Pe 1.4). Nisto está a santidade dos santos,
quando são a imagem viva de Deus. Eles carregam a imagem da humildade divina em
Cristo, de sua misericórdia, de sua celestialidade; de sua apreciação dos
valores celestiais, de sua disposição para Deus e de amar o que Deus ama e
odiar o que ele odeia.
Nossa santidade
consiste também em nossa sujeição à vontade de Deus. Assim como a natureza de
Deus é o padrão de santidade, assim sua vontade é a regra de santidade. A nossa
santidade tem relevo quando fazemos sua vontade (At 13.22) e quando suportamos
sua vontade (Mq 7.9); ou seja, quando o que ele sabiamente nos inflige, de bom
grado, nós o sofremos. Nossa grande perspectiva deveria ser nos assemelhar a
Deus em santidade. Nossa santidade deveria ser qualificada como a santidade de
Deus; assim como sua santidade é real, a nossa também deveria ser.
"Justiça e retidão procedentes da verdade" (Ef 4.24). Não deveria ser
uma imagem de santidade, mas vida; não como os templos egípcios, embelezados,
mas sem pureza. Deveria ser como o templo de Salomão, dourado por dentro:
"Toda formosura é a filha do Rei no interior do palácio; a sua vestidura é
recamada de ouro" (SI 45.13).
O valor da santidade dos eleitos
A fim de fazer você se
assemelhar a Deus em santidade, gostaria que considerasse o valor da santidade
dos eleitos:
i. A dignidade que se aplica aos santos. Quão
ilustre cada pessoa santa é. É como um vidro limpo em que alguns dos raios da
santidade de Deus brilham. Lemos que Arão vestiu suas roupas para glória e
beleza (Êx 28.2). Quando vestimos a roupa bordada de santidade é para glória e
beleza. Um bom cristão é avermelhado, pois foi aspergido com o sangue de
Cristo; e branco, pois foi adornado com santidade. Assim como o diamante está
para um anel, está a santidade para a alma; a qual, como Crisóstomo diz,
"aqueles que a opõem só podem admirá-la".
ii. A
grandeza do propósito da santificação. É um grande propósito que Deus executa
no mundo fazer uma pessoa à sua semelhança em santidade. O que são os respingos
das ordenanças senão gotejos de justiça sobre nós para nos fazer santos? Para
quê servem as promessas senão para encorajar à santidade? Para que o Espírito
foi enviado ao mundo senão para nos ungir com a santa unção? (Uo 2.20). Para
que servem todas as aflições senão para nos fazer participantes da santidade de
Deus? (Hb 12.10). Para que servem as misericórdias senão para nos atrair à
santidade? Qual é a finalidade da morte de Cristo senão que seu sangue pudesse
nos purificar em nossa falta de santidade? "O qual a si mesmo se deu por
nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si mesmo um povo
exclusivamente seu" (Tt 2.14). Assim, se não somos santos, crucificamos o
grande propósito de Deus no mundo.
iii. Nossa santidade atrai o coração de Deus. A
santidade é a imagem de Deus e ele não pode fazer outra coisa senão amar sua
imagem onde a vê. Um rei ama ver sua efígie sobre uma moeda. "Amas a
justiça" (SI 45.7). E onde a justiça cresce, senão em um coração santo?
"Chamar-te-ão Minha-Delícia ... porque o SENHOR se delicia em ti" (Is
62.4). Foi sua santidade que atraiu o amor de Deus a ela. "Chamar-vos-ão
Povo Santo" (Is 62.12). Deus valoriza alguém não pelo nascimento rico, mas
pela santidade pessoal.
iv. A santidade distingue os cristãos no
mundo. A santidade é a única coisa que nos distingue dos ímpios. O povo de Deus
tem seu selo sobre si. "Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece,
tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da
injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor" (2Tm 2.19). O povo de
Deus é selado com um selo duplo: a eleição: "O Senhor conhece aqueles que
são seus" e a santificação: "Afaste-se da injustiça todo aquele que
professa o nome do Senhor". Como um nobre é reconhecido por outra pessoa
pela sua estrela prateada; como uma mulher virtuosa é diferenciada de uma prostituta
por sua castidade; assim a santidade é reconhecida entre os homens. Todos os
que são de Deus têm Cristo por seu capitão e a santidade é a cor branca que
vestem (Hb 2.10).
v. A santidade é a honra dos cristãos. A
santidade e a honra são colocadas juntas (lTs 4.4). A dignidade caminha com a
santificação. "Àquele que nos ama e, pelo seu sangue nos libertou dos
nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai"
(Ap 1.5). Quando somos lavados e feitos santos, então somos reino e sacerdotes
para Deus. Os santos são chamados vasos de honra; são chamados jóias pelo
brilho de sua santidade, pelo enchimento com o vinho do Espírito. Isso faz
deles anjos terrenos.
vi. A santidade nos dá ousadia diante de Deus.
"Se afastares a injustiça da tua tenda... levantarás o teu rosto para
Deus" (Jó 22.23 e 26). Levantar a face é um símbolo de ousadia. Nada pode
nos envergonhar tanto ao nos aproximar de Deus quanto o pecado. Um homem ímpio
pode levantar suas mãos na oração, mas não pode levantar sua face. Quando Adão
perdeu sua santidade, perdeu sua confiança, escondeu-se. Porém, a pessoa santa
vai até Deus como uma criança vai até seu pai; sua consciência não o censura
com a possibilidade de qualquer pecado, portanto pode ir ousadamente ao trono
da graça e ter a misericórdia para ajudá-lo em tempo de necessidade (Hb 4.16).
vii. A santidade traz paz aos cristãos. O pecado
levanta uma tempestade na consciência: onde há pecado, há tumulto. "Para
os perversos, diz o meu Deus, não há paz" (Is 57.21). Justiça e paz são
colocadas juntas. A santidade é a raiz que sustenta esse doce fruto da paz. A
retidão e a paz se beijam.
viii. A santidade conduz o cristão ao céu. Ela é a
estrada do céu do Rei. "E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará o
Caminho Santo" (Is 35.8). Havia em Roma o templo da virtude e o da honra,
e todos deveriam passar pelo templo da virtude para chegar ao templo da honra;
assim, devemos ir do templo da santidade para o templo do céu. A glória começa
na virtude. "Nos chamou para a sua própria glória e virtude" (2Pe
1.3). A felicidade não é nada mais que a essência da santidade; a santidade é a
glória militante e a felicidade a santidade triunfante.
Como os eleitos devem
buscar santidade
O que devemos fazer
para nos assemelharmos a Deus em santidade? Ou como devemos buscar nossa
santidade?
i. Buscando refúgio em Cristo. Busque
socorro no sangue de Cristo pela fé. Isso é o lavar da alma. As purificações da
lei eram tipos e emblemas disso (1 Jo 1.7). A Palavra é o espelho que mostra
nossas manchas e o sangue de Cristo é uma fonte para lavá-las.
ii. Pedindo um coração santo. Orando a Deus
lhe pedindo um coração santo. "Cria em mim, ó Deus, um coração puro"
(SI 51.10). Derramem o coração diante de Deus e digam: "Senhor, meu
coração está cheio de lepra, contamina tudo que toca. Senhor, eu não posso
viver com tal coração, pois não posso te honrar; nem morrer com tal coração,
pois não poderei te ver. Cria em mim um coração puro, envia-me o teu Espírito,
refina-me e purifica-me, para que eu possa ser um templo apropriado para ti, ó
santo Deus, habitar".






