E é apenas justo que
nosso coração esteja em Deus, quando o coração de Deus está tanto em nós. Se o
Senhor da glória pode inclinar-se tanto a ponto de fazer seu coração repousar
em seres pecadores, feitos de pó, certamente seríamos persuadidos a pôr nosso coração
em Cristo e na glória, e ascender a ele, que se digna a ser condescendente
conosco, em nossos sentimentos diários!
Ó, se o deleite de Deus
não estivesse mais em nós na mesma proporção que o nosso não está nele, o que
deveríamos fazer? Em que situação estaríamos! Cristão, você não percebe que o
coração de Deus está sobre você? E que ele ainda cuida de você com amor
cuidadoso, mesmo quando se esquece de si mesmo e dele?
Você não o vê quando o
acompanha com suas misericórdias diárias, movendo-se em sua alma e provendo
para seu corpo, a fim de preservar ambos? Ele não o acolhe continuamente nos
braços do amor e promete que tudo coopera para o seu bem? E ajusta todas as
formas de lidar com você para seu próprio benefício?
E não ordena que seus
anjos tomem conta de você? E você não consegue encontrar em seu coração um
lugar para ele, pois está muito ocupado com as alegrias terrenas, a ponto de
esquecer seu Senhor que não se esquece de você? Esse não foi o pecado que
Isaías clamou, de forma solene, para que o céu e a terra testemunhassem contra
ele? "O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu
proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende" (Is 1.3).
Se o boi e o jumento
desgarram-se durante o dia, eles, provavelmente, voltam para sua casa à noite,
mas nós não elevamos nossos pensamentos a Deus nem uma vez ao dia. Portanto, permita que sua alma ascenda até
Deus e o visite todas as manhãs, e que seu coração se volte para ele todos os
momentos.
Além dessa maravilha da
qual falamos anteriormente, nosso interesse pelo céu e nosso relacionamento com
ele não deveriam manter nosso coração ali? Ali, nosso Pai mantém sua corte. Nós
não oramos: "Pai nosso, que estás nos céus!"? Ah! Crianças sem graça
e indignas que se ocupam tanto com suas responsabilidades a ponto de não se
importarem com seu Pai!
E há multidões de
nossos irmãos mais velhos; há nossos amigos e nossos velhos conhecidos, cuja
companhia na carne era-nos muito agradável, e cuja partida para lá tanto
lamentamos! E isso não é um atrativo para seus pensamentos? Se eles estivessem
ao seu alcance na terra, você os visitaria; e por que não os visita com mais
freqüência em espírito; e não se regozija de antemão ao pensar que se
encontrará novamente com eles ali?
Sócrates regozijou-se
com o fato de que morreria, pois cria que veria Homero, Hesíodo e outros homens
magníficos; e eu regozijo muito mais, pois tenho a certeza de que verei a
Cristo, meu Salvador, o eterno Filho de Deus na carne que ele assumiu; e, além
dele, também verei tantos outros homens santos e magníficos! Com certeza, se
nossa casa fosse muito mais inferior, ainda assim nos lembraríamos dela, apenas
por que Oras, o mesmo não acontece conosco em relação ao céu? Ali não é, de
forma mais verdadeira e apropriada, nossa casa, onde habitaremos por toda a
eternidade? Somos estrangeiros, e o céu é nosso país. Somos herdeiros, e aquela
é nossa herança, uma herança incorruptível e imaculada, que não desaparece, a
que está reservada para nós no céu. Ó, que nos importássemos com nossa herança
e a valorizássemos pelo menos a metade do que vale!






