Consideremos a
encarnação de Jesus Cristo. O passo seguinte da sabedoria de Deus para planejar
a forma como Cristo realizaria a obra da redenção dos pecadores seria
determinar a Sua encarnação. Imagine se Deus tivesse revelado para as mentes
criadas que Seu Filho Unigênito seria a Pessoa escolhida para realizar a obra
da redenção; que Ele havia sido designado para ser o Substituto do pecador e
levar suas as dívidas e a sua culpa sobre Si mesmo, e não houvesse revelado
nada além disso; mas deixasse que essas mentes criadas adivinhassem o restante
do plano. Não haveria probabilidade alguma de que, mesmo após essa revelação,
elas pudessem imaginar a maneira pela qual essa Pessoa realizaria a obra da
redenção. Pois, para que o Filho de Deus fosse o substituto no lugar do
pecador, Ele teria de tomar para Si a dívida que pertencia ao pecador e viver
aqui, em perfeita obediência à Lei de Deus. Mas seria pouco provável que alguma
criatura conseguisse imaginar uma forma de tornar isso possível. Como uma
Pessoa que é o próprio Jeová eterno poderia se tornar um servo, ficar sujeito à
Lei e viver em perfeita obediência, inclusive no que se refere às leis dos
homens?
Além disso, se o Filho
de Deus fosse o substituto no lugar do pecador, Ele teria de se sujeitar a
receber a punição que o pecado do homem merecia, pois essa era a obrigação do
pecador. Quem imaginaria que isso seria possível? Pois, como uma Pessoa divina,
que é infinitamente feliz e imutável em Sua essência, poderia sofrer dor e
tormentos? Como Alguém que é o objeto do amor precioso e infinito de Deus
poderia sofrer a ira de Seu próprio Pai? Não podemos imaginar que a sabedoria
criada pudesse encontrar uma maneira de superar essas dificuldades. Entretanto,
a sabedoria divina descobriu um meio, a saber, pela encarnação do Filho de
Deus. O Verbo deveria tornar-se carne; ser Deus e homem em uma única Pessoa.
Mas qual mente criada poderia conceber isso como possível?...
Mas, e se Deus tivesse
revelado que isso seria possível, e que isso realmente aconteceria, mas
deixasse que elas descobrissem o modo como isso seria feito. Podemos imaginar
que elas ficariam embaraçadas e confusas para pensar em um modo de unir um
homem ao eterno Filho de Deus, de forma que Eles fossem uma só Pessoa; pois
essa Pessoa teria de ser verdadeiramente homem em todos os aspectos e, ao mesmo
tempo, ser o mesmo Filho de Deus, que estava com Deus desde a eternidade. Esse
é um grande mistério para nós. Por meio da encarnação, Aquele que é infinito,
onipotente e imutável tornou-se, até certo ponto, um homem finito, frágil; sujeito
às nossas fraquezas, emoções e calamidades, mas sem pecado! Desse modo, o
grande Deus, o soberano dos céus e da terra, passou a ser um verme da terra.
"Mas eu sou verme e não homem" (Sl 22.6).
Por meio dessa união,
Aquele que é eterno e auto-existente nasceu de uma mulher! Aquele que é o
Espírito não criado vestiu-se de carne e sangue como um de nós! Aquele que é
independente, auto-suficiente e todo-suficiente passou a ter necessidade de
alimento e de roupas. Ele fez-se pobre e não tinha onde reclinar a cabeça (Mt
8.20); chegou a ter necessidade da caridade dos homens e foi mantido por ela!
Conceber como isso poderia acontecer é algo que está muito além de nossa
capacidade mental! Isso é um grande milagre e um mistério para nós, mas não é
um mistério para a sabedoria divina.
"Para que, pela
igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos
principados e potestades nos lugares celestiais"
Efésios 3.10






