"Você é
santo"? Escute, rogo-lhe, a pergunta que lhe estou apresentando neste dia.
Você conhece alguma coisa a respeito da santi¬dade da qual venho falando?
Não estou perguntando
se você frequenta regularmente os cultos de sua igreja, ou se você já foi
batizado, ou se costuma participar da Ceia do Senhor, ou se você tem o nome de
cristão. Estou perguntando algo muito mais profundo do que isso: Você é santo, ou
não!
Não estou indagando se
você aprova a santidade em outras pessoas, nem se você gosta de ler sobre as
vidas de pessoas santas, ou de falar sobre as coisas santas, ou se você possui
livros sobre a santidade, em sua biblioteca, nem se você deseja ser santo, e
espera que venha a atingir a santidade algum dia. Estou perguntando: Você é
santo hoje, ou não!
Mas, por qual motivo
estou perguntando de um modo tão direto, pressionando tanto sobre a questão?
Assim o faço porque as Escrituras determinam: "...a
santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor". Isso está escrito. Não é
fantasia minha, está na Bíblia; não é a minha opinião particular, é a Palavra
de Deus e não a palavra do homem: "...a santificação, sem a qual ninguém
verá o Senhor" (Hb. 12:14).
Oh, quão perscrutadoras
e selecionadoras palavras são essas! Quantos pensamentos me atravessam a mente,
enquanto as escrevo! Contemplo o mundo e vejo que a maior parte da humanidade
jaz na iniquidade. Contemplo os crentes professos e vejo que a vasta maioria deles
nada tem do cristianismo, exceto o nome. Examino as páginas da Bíblia e ouço o
Espírito afirmando: "...a santificação, sem a qual ninguém verá o
Senhor".
Sem dúvida este é um
texto que nos deve fazer considerar nossos caminhos e examinar nosso coração.
Por certo que deveria suscitar dentro em nós solenes pensamentos e compelir-nos
à oração.
Você pode alegar que se
preocupa muito e pensa muito a respeito dessas coisas; mais do que alguém possa
imaginar. Eu respondo: "Este não é o ponto. No inferno, as pobres almas
perdidas fazem muito mais do que isso. A questão não é o que você pensa e o que
você sente, mas o que você faz".
Você pode dizer que
nunca se entende que todo o cristão tem, necessariamente, que ser consagrado, e
que santificação, tal como a tenho descrito, é apenas para grandes santos e
pessoas altamente dotadas. Respondo que: "Não posso ver desse modo nas
Escrituras. Leio em 1 João 3:3 que todo o homem que tem esperança em Cristo a
si mesmo se purifica". Sem a santificação ninguém verá o Senhor.
Talvez você diga:
"É impossível alguém ser tão santo e ao mesmo tempo cumprir o seu dever
nesta vida. Tal coisa não pode ser feita". Mas, respondo: "Você está
enganado. Isso pode ser feito. Com Cristo ao nosso lado coisa alguma é
impossível. Já foi feito por muitos crentes. Davi, Obadias e Daniel, bem como
os servos da casa de Nero, são todos exemplos que comprovam que isso é
possível".
Talvez você objete:
"Se eu fosse assim tão santo, seria diferente das outras pessoas".
Respondo: "Sei disso muito bem. É exatamente assim que você deveria ser.
Os verdadeiros servos de Cristo sempre foram diferentes do mundo ao redor
deles, uma nação separada, um povo peculiar. E assim deverá acontecer também no
seu caso, se você quiser ser salvo!"
Talvez você diga:
"Se as coisas tiverem de ser assim, bem poucas pessoas serão salvas".
Respondo: "Sei disso. É precisamente assim que somos informados no Sermão
da Montanha". O Senhor Jesus o disse, há mil novecentos e tantos anos
atrás: "...estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida,
e são poucos os que acertam com ela" (Mt. 7:14). Poucas pessoas serão
salvas, porque poucas se dão ao trabalho de buscar a salvação. Os homens não
querem negar à si mesmos os prazeres do pecado, não querem abandonar os seus
próprios caminhos durante esta breve vida terrena. Antes, voltam as costas para
aquela herança "incorruptível, sem mácula, imarcescível" (I Pe. 1:4).
Declarou Jesus: "Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida"
(João 5:40).
Você, provavelmente,
responderá: "Essas declarações são extre¬mamente duras. O caminho é muito
estreito". A minha resposta será: "Sei disso. Assim afirma o Sermão
da Montanha". O Senhor Jesus ensinou isso faz mais de mil e novecentos
anos. Ele sempre disse que os homens precisam tomar a sua cruz diariamente,
dispondo-se até mesmo a decepar uma mão ou um pé, se quiserem ser Seus
discípulos. Na religião, como em outras coisas, "não há avanço sem
sofrimento". Aquilo que nada custa, nada vale.
Sem importar o que nos
venha à cabeça para dizer, teremos de ser santos, se quisermos ver o Senhor. No
que se reduziria o nosso cristianismo, se assim não fosse? Não devemos apenas
trazer o nome de cristão, ser possuidores do conhecimento típico do
cristianismo; mas também devemos mostrar o caráter cristão. Devemos ser santos
na terra, se quisermos chegar a ser santos no céu. Deus foi quem o disse, e Ele
não retrocederá: "...a santificação, sem a qual ninguém verá o
Senhor". Observou Jenkyns: "O calendário do papa só declara santos a
pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos
vivos". Disse Owen: "Que os homens não se deixem iludir: a
santificação é uma qualificação indispensavelmente necessária para quem quiser
estar sob a orientação do Senhor Jesus, a fim de ser conduzido à salvação. Ele
só conduz ao céu àqueles a quem Ele santifica nesta terra. A Cabeça viva não
admite membros mortos".
Sem dúvida não
deveríamos estranhar diante daquela Escritura que diz: "Importa-vos nascer
de novo" (João 3:7). Certamente que é tão claro quanto a luz do meio-dia
que muitos crentes professos precisam de uma completa transformação — novos
corações, novas naturezas — se algum dia tiverem de ser salvos. As coisas
antigas terão de passar; eles precisam tornar-se novas criaturas. Sem importar
de quem se trate, sem a santificação "ninguém verá o Senhor".






