A afirmação é direta:
"Vós sois o sal do mundo". Isto significa que, quando cada comunidade
se revela tal como é, o mundo se deteriora como o peixe ou a carne estragada,
enquanto que a Igreja pode retardar a sua deterioração.
É claro que Deus
estabeleceu outras influências restringentes na comunidade. Em sua graça comum,
ele mesmo estabeleceu certas instituições, que controlam as tendências egoístas
do homem e evitam que a sociedade acabe na anarquia. A principal delas é o Estado
(com a sua autoridade de estruturar e executar leis) e o lar (incluindo o
casamento e a vida em família). Este: exercem uma influência sadia sobre a
comunidade. Não obstante, Deus planejou que a mais poderosa coibição de todas,
dentre da sociedade pecadora, fosse o seu próprio povo redimido, regenerado e
justificado. Como R. V. G. Tasker o explicou, os discípulos são "chamados
a ser um purificador moral em um mundo onde os padrões morais são baixos, instáveis,
ou mesmo inexistentes."
A eficácia do sal,
entretanto, ê condicional: tem de conservai a sua salinidade. Mas, em termos
precisos, o sal nunca podo perder a sua salinidade. Entendo que o cloreto de
sódio é um produto químico muito estável, resistente a quase todos os ata quês.
Não obstante, pode ser contaminado por impurezas, tornando-se, então, inútil e
até mesmo perigoso. O sal que perdei a sua propriedade de salgar não serve nem
mesmo para adubo isto é, fertilizante. O Dr. David Turk me explicou que,
naquele tempo, chamava-se de "sal" um pó branco (talvez apanhado i
volta do Mar Morto), o qual, embora contivesse cloreto de sódio também continha
muita coisa mais, pois antigamente não existiam refinarias. Nesse pó, o cloreto
de sódio era provavelmente o componente mais solúvel e, portanto, o que mais
facilmente desaparecia. O resíduo de pó branco ainda parecia ser sal, e sem
dúvida era chamado de sal, mas não tinha o seu gosto nem agia como tal. Não
passava de pó do chão.
Da mesma forma, o
cristão. "Tende sal em vós mesmos" disse Jesus em outra ocasião. A
salinidade do cristão é o sei; caráter conforme descrito nas bem-aventuranças,
ê discipulado cristão verdadeiro, visível em atos e palavras. Para ter
eficácia, o cristão precisa conservar a sua semelhança com Cristo, assim como o
sal deve preservar a sua salinidade. Se os cristãos forem assimilados pelos
não-cristãos, deixando-se contaminar pelas impurezas do mundo, perderão a sua
capacidade de influenciar. A influência dos cristãos na sociedade e sobre a
sociedade depende da sua diferença e não da identidade. O Dr. Lloyd-Jones
enfatizou: "A glória do Evangelho é que, quando a Igreja é abso¬lutamente
diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai. É então que o mundo se sente
inclinado a ouvir a sua mensagem, embora talvez no princípio a odeie."
Caso contrário, se nós, os cristãos, formos indistinguíveis dos não-cristãos,
seremos inúteis. Teremos de ser igualmente jogados fora, como o sal sem
salinidade, "lançado fora" e "pisado pelos homens".
"Mas que decadência!", comenta A. B. Bruce, "De salvadores da
sociedade a material de pavimentação de estradas!"






