Devemos considerar-nos
mortos para o pecado, mas vivos para Deus ( Rm 6.11 )
Se a morte de Cristo
foi uma morte para o pecado (o que de fato foi), e se sua ressurreição foi uma
ressurreição para Deus (e ela o foi), e se pela fé e o batismo nós nos unimos a
Cristo em sua morte e ressurreição (o que de fato aconteceu), então nós mesmos
morremos para o pecado e ressuscitamos para Deus. Devemos, portanto, consideramos
mortos para o pecado, mas vivos para Deus em (ou seja, em virtude de nossa
união com) Jesus Cristo.
Este
"considerar-se" não é um faz-de-conta. Não se trata de forçar a nossa
fé até o limite, a fim de acreditarmos naquilo que na verdade não acreditamos.
Não é uma questão de fingir que a nossa velha natureza morreu, quando nós
sabemos perfeitamente que ela não morreu. Em vez disso, trata-se de nos apercebermos
e de lembrarmos que o nosso velho eu de fato morreu com Cristo, o que colocou
um fim em sua carreira. Temos de considerar o que de fato nós somos, a saber,
que estamos mortos para o pecado e vivos para Deus, assim como Cristo. Uma vez
compreendido isso — que a nossa velha vida terminou, que o resultado final foi
lançado, a dívida paga e a lei satisfeita — não vamos mais querer coisa alguma
com ela.
Olhe para o velho João
da Silva. Sua vida dividia-se em duas partes, sua biografia em dois
volumes. O volume 1 encerrou-se com a morte legal do seu antigo eu; o volume 2
abriu-se com a sua ressurreição. Ele não pode esquecer estes fatos acerca de si
mesmo. Paulo convoca-o, não a fingir ou ignorar, mas sim a refletir e a
rememorar. Ele tem de lembrar-se constantemente: "O volume 1 foi fechado
há muito tempo. Agora eu estou vivendo o volume 2. É inconcebível que eu reabra
o volume 1, como se minha morte e ressurreição com Cristo nunca tivessem
ocorrido."
Pode uma mulher casada
viver como se ainda fosse solteira? Bem, poder ela pode, eu acho; não é algo
impossível. Mas é bom ela lembrar quem ela é. E só olhar para a aliança de
casamento, o símbolo de sua nova vida de união com seu marido, e ela há de
querer viver de acordo com sua posição de mulher casada. Pode um cristão
nascido de novo viver como se ainda continuasse em seus pecados? Bem, poder, eu
acho que ele pode, pelo menos por um tempo. Não é algo impossível. Mas deixe
ele lembrar quem ele é. É só recordar o seu batismo, símbolo de sua nova vida
de união com Cristo, e ele há de querer viver de conformidade com o
compromisso.
Assim, o maior segredo
de uma vida santificada está na mente. Consiste em saber (6a) que o nosso velho
eu foi crucificado com Cristo, em saber (3) que o batismo em Cristo é batismo
na morte e ressurreição de Cristo, e é em considerar (11) que através de Cristo
nós estamos mortos para o pecado e vivos para Deus. Precisamos relembrar,
ponderar, compreender, registrar estas verdades até que elas se tornem parte
tão integrante de nossa mente que um retorno à antiga vida seja algo
inconcebível. Para um cristão regenerado, o simples contemplar a possibilidade
de uma volta à vida de antes deveria ser tão inconcebível quanto um adulto
querer voltar à infância, uma pessoa casada querer voltar a ser solteira ou um
prisioneiro libertado considerar voltar à sua cela na prisão. Pois a nossa
união com Jesus Cristo rompeu com a nossa velha vida e nos comprometeu com uma
vida totalmente nova. E entre essas duas vidas coloca-se o nosso batismo, como
uma porta entre dois cômodos, fechando-se para um e abrindo-se para o outro.
Nós já morremos, e ressuscitamos. Como poderíamos viver de novo naquilo para o
qual já morremos?






