Quais
são os sinais de uma falsa paz?
i. A falsa paz é a que
tem muita confiança em si, ainda que essa confiança seja enganadora. O pecador
não duvida da misericórdia de Deus e dessa confiança presunçosa procede
quietude para sua mente. A mesma palavra no hebraico, cassai, significa tanto
confiança como tolice. De fato, a confiança de um pecador é sua tolice. Como as
virgens néscias estavam confiantes.
ii. A falsa paz separa
o que Deus já reuniu. Deus uniu a santidade e a paz, mas aquele que tem uma
falsa paz separa as duas. Ele exige a paz, mas bane a santidade: "Terei
paz, ainda que ande na perversidade do meu coração, para acrescentar à sede a
bebedice" (Dt 29.19). O ímpio é inseguro e vão, e mesmo que agradeça a
Deus por ter paz - em sua tola desilusão -tenta extrair saúde do veneno, assim
como paz do pecado.
iii. A falsa paz não
suporta ser testada. Uma mercadoria que não suporta a luz sinaliza ser de má
qualidade. Um sinal de que um homem roubou mercadorias é não permitir que sua
casa seja revistada. Uma falsa paz não suporta os testes da Palavra. A Palavra
fala de uma obra humilde que refina a alma antes de receber a paz. A falsa paz
não pode suportar ouvir isso. O mínimo problema abalará essa paz, terminará em
desespero. Na falsa paz, a consciência fica adormecida; no entanto na morte,
quando esse leão da consciência acordar, rugirá, ele será um terror para ela
mesma e estará pronto para pôr mãos violentas sobre ela.
Como podemos saber que
a nossa paz é a verdadeira?
i. A verdadeira paz
flui da união com Cristo. O implante ou o ramo deve primeiramente ser enxertado
na árvore antes que possa receber a seiva ou o alimento dela. Também nós
primeiramente devemos ser implantados em Cristo antes que possamos receber a
paz dele. Temos paz? Pela santidade somos feitos como Cristo, quando cremos
fomos unidos a ele, e estando em Cristo temos paz (Jo 16.33).
ii. A verdadeira paz
flui da sujeição a Cristo. Onde Cristo dá sua paz, estabelece seu governo no
coração: "Para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim" (Is
9.7). Cristo é chamado de aquele que se assenta no trono (Zc 6.13). Cristo,
como sacerdote, faz a paz, no entanto é um sacerdote sobre seu trono. Ele leva
o coração à sujeição a si mesmo. Se Cristo é nossa paz, ele é nosso príncipe
(Is 9.6). Quando Cristo pacifica a consciência, subjuga a luxúria.
iii. A verdadeira paz
vem depois dos problemas. Primeiramente, Deus liberta o espírito encarcerado,
convence e humilha a alma e, depois, ele dá a paz. Muitos dizem que têm a paz,
mas essa paz está antes da tempestade ou depois? A verdadeira paz acontece
depois do problema. Primeiramente acontece um terremoto, depois o fogo e então
vem a calmaria e a voz suave (lRs 19.12). Quem nunca teve um ferimento talvez
nunca tenha tido paz. Deus derrama o óleo dourado da paz em corações quebrados.






