Apesar de ser comum as
pessoas falarem em fraternidade universal, a Bíblia nunca fala dos homens
assim. É dito a nós que somos criaturas de Deus. Não apenas criaturas, mas
criaturas em estado de rebeldia e inimizade. Há uma separação entre o homem e
Deus que está longe de ser superficial, ela é profunda e arraigada, na verdade,
ele é a própria natureza humana.
Essa alienação é tão
profunda que para nos tornarmos filhos de Deus é necessário não um
melhoramento, mas uma nova criação. Nova criação que é mais difícil do que a
criação de todas as coisas, já que ao criar o mundo Deus apenas falou, mas para
nos fazer novas criaturas ele morreu.
Na criação do universo
não havia nada que se opunha a Deus, mas que mar de iniquidades se tornou o
homem! A transformação operada agora, na regeneração, é maior do que a que vai
acontecer quando morrermos. Pois é agora que recebemos a natureza que para
sempre habitará em perfeita comunhão com Deus. Na morte e ressurreição
receberemos novos corpos, mas a natureza que vai habitar a eternidade nós já
recebemos.
Assim que, se alguém
está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se
fez novo. 2 Coríntios 5:1
O que chamamos
conversão em nossa geração, é algo completamente superficial – Alguém é chamado
a frente, levanta a mão, repete uma oração... E é dito a ela: Pronto! Bem-vindo
ao reino do Deus!!
Mas o fato é que “a restauração meramente exterior difere tanto da regeneração quanto a caiação de uma casa velha, caindo aos pedaços, difere de sua demolição com a edificação posterior de uma nova em seu lugar” - Augustus M. Toplady
Mas o fato é que “a restauração meramente exterior difere tanto da regeneração quanto a caiação de uma casa velha, caindo aos pedaços, difere de sua demolição com a edificação posterior de uma nova em seu lugar” - Augustus M. Toplady
Não! A Bíblia diz que a
verdadeira filiação no presente, irá produzir inevitavelmente algumas marcas
que autenticam a veracidade da entrada no Reino de Deus. De todos! Como disse William Secker: "Não há filhos natimortos na família da graça"
.
.
1) Ousadia em seu trono da Graça.
Todas as palavras aí
estão em contradição com o homem natural. É exatamente por fazer de si um deus,
ou seja, não reconhecer o Trono de Deus, mas se sentar no “trono” do seu
coração, é que o homem vive num estado
de rebelião.
Em segundo lugar todo
homem natural odeia a Graça – pois aceitá-la é admitir seu total desamparo,
falta de merecimento, aceitação de que merece a condenação e de que nele, homem
natural, não habita bem algum. É a aceitação do fato de que Deus tem
misericórdia de quem ele quer (por isso é Graça)...
Odiando o Trono e a
Graça, em estado de inimizade, o homem natural não pode ir ao Trono – Que
rebelde vai até o trono do verdadeiro Rei? Se vendo como um ser livre e
merecedor, como ir ao Trono da Graça? E que rebelde pode ir ao trono do
Soberano Senhor com ousadia?
Que transformações
profundas e soberanas são necessárias para que um rebelde, alienado da vida de
Deus, com medo da morte certa como preço de sua rebelião – pode ir ao Trono da
Graça com ousadia. Uma nova natureza é a característica necessária para isso.
2) Contrição na Sua cruz.
Esta marca da
veracidade de nossa filiação a Deus é fruto da concordância do coração com a
sentença pronunciada por Deus para tudo o que somos – quer as coisas que
achávamos boas como as que achávamos más. Morte! Teus atos maus merecem a
morte, teus atos de justiça merecem a morte, tua própria natureza merece a
morte, e o inferno não é uma punição dura demais para a desonra que teus
pecados trouxeram a glória de Deus.
Para concordar com esse
veredicto de todo o coração, novo coração é necessário – essa é uma marca
apenas daqueles de quem possa ser dito: “Agora somos filhos de Deus...” – Não é
uma mudança superficial, é a transformação que vai contra tudo aquilo que o
homem é por natureza.
3) Amor a Sua Pessoa.
Essa marca expõe essa
nova criação, já que esse amor é um amor sobre todas as coisas – o que inclui a
nós mesmos. O coração natural do homem só pode ver Deus como seu adversário,
porque em nossos corações podem habitar muitos deuses, mas o deus supremo do
homem natural é ele mesmo, os outros são deuses vassalos. Mas o verdadeiro Deus
deve ser único. Ou seja, o homem tem de ter desistido do reinado de sua vontade
para a submissão completa de sua vontade...
4) Contentamento com nossa sorte.
Se Deus Reina
Soberanamente, já não sobra marcas de ingratidão. Essa é uma marca indelével do
coração de um filho de Deus. Ao se firmar no amor de Deus que não pode
determinar nada que não seja para nosso bem final, o clamor diário do coração
é: “Faça tua vontade, faça tua vontade... faça aquilo que mais glorifique Teu
glorioso nome. Toda expressão de descontentamento aponta para a direção oposta
daqueles de quem é dito: “Agora somos filhos de Deus...” – A expressão comum
deles é: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu,
e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR”. (Jó 1:21).
5) Vitória sobre o mundo.
Todo homem natural ama
o mundo e odeia Deus: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus,
pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser”. (Rm 8:7); “Não
ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não
está nele”. 1 João 2:15 – Odiar o que amávamos e amar o que odiávamos necessita
de uma transformação maior do que a que houve do caos para a ordem no Gênesis.
É necessário uma “nova criação!” – E sem exceção, todos os que nascem de Deus
vencem a atração irresistível que o mundo tinha sobre ele: “Porque todo o que é
nascido de Deus vence o mundo...” (1 Jo 5:4).
6) Zelo pela glória de Deus.
O pecado e a vida do
homem natural é exatamente o completo desprezo pela glória de Deus: “Em sua
presunção o ímpio não o busca; não há lugar para Deus em nenhum dos seus
planos” (Sl 10:4). Agora o Espírito Santo em seu coração desenhou um claro
retrato do pecado – A máscara é retirada, o monstro é arrastado para luz, suas
características horrorosas são reveladas...
Agora em todas as suas
buscas essa é a questão: Deus será glorificado? Mesmo no comer e no beber? Na
morte ou na vida? A paixão pela glória de Deus, com exata oposição ao desprezo
anterior, governa seu coração. Seu canto sempre é um Soli Deo Gloria. "A adoção dá-nos o privilégio de filhos; a
regeneração, a natureza de filhos" - Stephen Charnock
"Amados,
agora somos filhos de Deus...!" 1 João 3:2-3
Bem-aventurados são
estes!
"Que eles finjam como quiserem, mas a verdadeira razão por que alguém despreza o novo nascimento é a de odiar uma nova vida" - John Owen
"Que eles finjam como quiserem, mas a verdadeira razão por que alguém despreza o novo nascimento é a de odiar uma nova vida" - John Owen
Paz! - Josemar Bessa






