Quando pecadores tentam
abrir a boca para orar, o que normalmente acontece é o seguinte: em vez de
humilde louvor e ação de graças, vem para fora uma confissão a Deus de nossa
própria grandeza e realizações. Isso acontece desta forma porque nossas línguas
e bocas são revestidas com as cinzas sujas de pecado. Fica pior ainda. Em vez
de pedidos por misericórdia divina e pedidos de graça, normalmente se tenta
negociar com Deus através da oração. Criamos um sistema de escambo onde
tentamos trocar o favor de Deus por nossas obras:
Oh Deus, se eu for
curado da minha doença, então eu vou servi-lo com todo o meu coração.
Oh Deus, se eu receber
tua ajuda com esta promoção no trabalho, então vou aumentar minha doação para tua
obra.
Oh Deus, se eu receber
tua ajuda para ganhar esta posição, então eu vou ter certeza de proclamar o teu
nome a todos os meus colegas.
Faça a tua parte para
mim e eu vou fazer a minha parte para Ti.
Infelizmente, quando
usamos a oração como um meio para negociar e trocar com Deus, a oração torna-se
nada mais do que uma ferramenta de nossa incredulidade. Sim, nós vamos usar a
oração para ajudar as nossas próprias tentativas de auto-serviço e agenda, tentando
tirar das mãos de Deus a resposta que queremos, em vez de desejar receber os
dons que o nosso bom Pai Celestial quer nos dar por amor a Seu Filho e para a
glória do Seu Filho.
Como neste caso estamos
sendo apenas dando expressão ao ego, a oração se torna uma arma contra Deus.
Torna-se uma maneira de alavancar as nossas exigências a Deus, onde nós
tentamos "forçar" a mão de Deus para agir de acordo com nossa
vontade.
Se não ficarmos na rota
da negociação ou usarmos a oração como uma arma, então há uma chance enorme de
que possamos transformar a oração em uma produção teatral onde fazemos um
grande show a partir de nossas orações, esperando que outras pessoas reconheçam
o nosso poder super-espiritual.
Temos sido arruinados
pelo pecado, o que significa que podemos estar constantemente estragando (
transformando em pecados ) os dons de Deus, presentes tais como a oração é.
Devíamos orar
inicialmente: Senhor tenha misericórdia de nós por usar a oração com objetivo
de troca; Senhor tenha misericórdia de nós por usar a oração como uma arma;
Senhor tenha misericórdia de nós por usar a oração como uma maneira de mostrara
algo sobre nós, pois isso não é oração, mas pecado.
Você vê, a verdadeira
oração não se origina da nossa incredulidade ou a partir do nosso medo... Não é
uma arma para ser levada adiante em direção a Deus. Não é o lugar onde nós
tentamos dobrar o braço do Senhor para nossos próprios desejos. Mas sim, a
oração é algo para o qual o Senhor nos convida.
Porque Deus é nosso Pai
Celestial, Ele ternamente nos convida a crer que somos Seus verdadeiros filhos
em Cristo por graça soberana - que somos Seus verdadeiros filhos, apesar de
nós, e tão somente por causa de Cristo. E como Seu verdadeiro filho, pela
regeneração, justificação, adoção... você pode se aproximar Dele em oração em
nome do Seu Filho e por seus méritos infinitos. Certamente, você pode lhe pedir
para ajudá-lo com as suas necessidades, como um filho querido faz com um pai
amoroso.
Lembre-se que o nosso
Deus é o paradigma para a verdadeira paternidade – Ele é o Pai eterno - Nosso
Deus não é incompassivo, mas Ele é a
compaixão; nosso Deus não é surdo, mas Aquele que ouve. Nosso Deus não é bom e
mal! Por isso, como filhos em Cristo, oramos não para superar ou persuadir um
Deus que possa agir mal, mas sim, nós oramos porque Deus é bom e justo. Oramos não
para convencer e superar um Deus incompassivo, insensível... oramos porque já
temos por Graça Soberana um Deus compassivo que nos amou na eternidade em
Cristo. Oramos porque o Senhor nos convida à oração e, em seguida, Ele molda
nossas orações pela Sua Palavra revelada para nós nas Escrituras. Oramos porque
nos foi dado fé, perdão, vida e salvação.
A oração é a voz da fé,
a fé dos fiéis que clama: "Senhor que tua vontade seja feita", e Deus
responde a partir de cima, "Sim, querido, isso será feito, na verdade,
apesar de você, do diabo e do mundo".
As implicações disso
são fenomenais! Sim, quando estamos perturbados e torturados por nossas
próprias manchas do pecado e, quando somos confrontados com os ataques
infernais do maligno e quando estamos sendo açoitados pelas ideologias do
mundo, nada é tão necessário como apelar para o nosso Pai em oração, para que
Ele possa dar, preservar e aumentar em nós a fé e remover tudo o que está no
nosso caminho de receber a Sua vontade com alegria.
Oramos, pois sabemos
que somos simplesmente muito fracos contra o diabo, o mundo e nossos próprios desejos
pecaminosos. Portanto, somos convidados e ensinados a orar a oração do Senhor (
Como paradigma da verdadeira oração ). E quando oramos, estamos efetivamente
orando contra o velho pecador em cada um de nós, bem como orando contra o diabo
e o mundo que continuamente tenta matar, roubar e destruir a nossa fé. Estamos
orando para que nós sejamos fortalecidos na fé, sustentados e protegidos na
situação que nos encontramos – de dor ou alegria.
Isso tudo é bom, porque
Deus quer que você e eu levemos a Ele nossas
preocupações - preocupações e ansiedades
que surgem a partir de nossa natureza pecaminosa, o mundo e o diabo.
Além disso, ao nos
colocarmos vulneráveis diante do Senhor em oração, somos forçados a lembrar as
promessas de Deus que Ele revelou tão somente em sua Palavra, e sabemos que quando o Senhor responde sim a
nossas situações específicas, é porque Ele nos ama, e quando Ele responde não ,
é porque ele nos ama, e quando não recebemos nem um sim ou um não, é porque ele
nos ama.
Nos lembramos e
confessamos em cada oração que somos pó e que vamos voltar ao pó. Nos lembramos
também que Deus se colocou em carne humana - o pó - e se juntou às nossas
tentações e sofrimentos. Sim, Cristo Jesus o único soldado que podia enfrentar
a nossa morte, foi “consumido” pela ira
do Pai, reduzido a “cinzas” e enterrado em um túmulo. No entanto, nós também
lembramos que Cristo ressuscitou das cinzas da terra e das cinzas do pecado -
Ele vive hoje e intercede por nós. Portanto, como a amada do Senhor e homens perdoados,
nós podemos orar, sabendo que nossa confiança não é encontrada na força da
nossa oração, mas na força do Senhor, que faz todas as coisas para a Sua glória
e para o bem daqueles que O amam.
Nós oramos porque
Cristo morreu para o pecado ( e nós morremos com Ele); oramos porque Cristo
ressuscitou dos mortos; oramos porque o Senhor cuida de nós.
Só somos sábios, se
como os discípulos pedimos: Senhor, ensina-nos a orar.






