Como lutamos pela
Verdade? A linguagem bíblica sobre isso é bem forte, e não tem como abrandarmos
ela:
“Não
odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam, e não me aflijo por causa dos que se
levantam contra ti? Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos.”
- Salmos 139:21-22
Não há nenhuma
ambiguidade, algo tão proclamado em nossos dias, no texto hebraico. E este
espírito militante está presente em toda a Bíblia.
No Novo Testamento, por
exemplo, o apóstolo Paulo amaldiçoa quem perverte o evangelho – “Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue
um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já
dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele
que já receberam, que seja amaldiçoado!” - Gálatas 1:8-9
Não podemos abrandar
isso sem rasgar toda a direção bíblica para a realidade de nossa existência num
mundo e cultura, não só consagrados a mentira, mais que se corrompe diariamente
pelas concupiscência ( desejo dominador,
escravizador ) do engano – “...velho
homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano” - Efésios 4:22
Mas a questão é como
toda a intensidade do chamado no bom combate pela verdade num mundo assim, se
encaixa no evangelho com amar o inimigo.
A
primeira coisa, é que essa batalha nunca é pessoalmente
rancorosa. Davi não diz, por exemplo: “Eu
não odeio os que me odeiam, ó Senhor?” – Não! Todos nós sabemos como Davi
podia repetidamente e humildemente suportar abusos pessoais sem retaliar:
“E,
chegando o rei Davi a Baurim, eis que dali saiu um homem da linhagem da casa de
Saul, cujo nome era Simei, filho de Gera, e, saindo, ia amaldiçoando. E atirava
pedras contra Davi, e contra todos os servos do rei Davi; ainda que todo o povo
e todos os valentes iam à sua direita e à sua esquerda. E, amaldiçoando-o
Simei, assim dizia: Sai, sai, homem de sangue, e homem de Belial. O Senhor te
deu agora a paga de todo o sangue da casa de Saul, em cujo lugar tens reinado;
já deu o Senhor o reino na mão de Absalão teu filho; e eis-te agora na tua
desgraça, porque és um homem de sangue. Então disse Abisai, filho de Zeruia, ao
rei: Por que amaldiçoaria este cão morto ao rei meu senhor? Deixa-me passar, e
lhe tirarei a cabeça. Disse, porém, o rei: Que tenho eu convosco, filhos de
Zeruia? Ora deixai-o amaldiçoar; pois o Senhor lhe disse: Amaldiçoa a Davi;
quem pois diria: Por que assim fizeste? Disse mais Davi a Abisai, e a todos os
seus servos: Eis que meu filho, que saiu das minhas entranhas, procura a minha
morte; quanto mais ainda este benjamita? Deixai-o, que amaldiçoe; porque o
Senhor lho disse. Porventura o Senhor olhará para a minha miséria; e o Senhor
me pagará com bem a sua maldição deste dia. Prosseguiram, pois, o seu caminho,
Davi e os seus homens; e também Simei ia ao longo do monte, defronte dele,
caminhando e amaldiçoando, e atirava pedras contra ele, e levantava poeira. E o
rei e todo o povo que ia com ele chegaram cansados, e refrescaram-se ali.”
- 2 Samuel 16:5-14
Em
segundo lugar, depois de reconhecermos que essa batalha
nunca é pessoalmente rancorosa, devemos reconhecer que Cristo tem inimigos
reais no mundo, o Cristo verdadeiro, não o do imaginário popular – “O mundo não vos pode odiar, mas ele me
odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más.” - João 7:7 – “Mas
é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem
causa” - João 15:25
Por isso é dito – “Eu não odeio os que te odeiam, Senhor?” –
Os descritos aqui não são bestas... como no Apocalipse... dentro e fora da
igreja visível... Sua hostilidade em direção a Cristo, às vezes é destinada a
nós. Mas ainda é sobre Cristo. Paulo respirava ódio contra a igreja, matava
pessoas reais, como nós... Cristo disse a ele: “E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues” - Atos 26:15
– Ele perseguia e matava pessoas... mas apesar disso, a hostilidade era sobre
Cristo.
Toda luta pela verdade
então, em terceiro lugar, que é
exigida de todos os que estão em Cristo – é exigida em amor a Cristo, e é
compatível com o amor por seus inimigos. Deixe eu explicar para não ficar
confuso.
Devemos escolher um dos
lados – Verdade ou engano – Deus e mundo – de forma clara, definitiva e
abertamente, como fez Davi. A ambiguidade é a coisa mais trágica num homem que
se diz cristão. Davi sem temor ou ambiguidade, teve a coragem de se levantar
por Cristo, porque ele valorizava Deus, valorizava sua aprovação, infinitamente
mais do que qualquer tipo de aprovação humana.
Agora, devemos amar e
odiar aqueles que se opõem a Cristo. Como assim? O que nós odiamos sobre eles é
sua oposição a Cristo, a Deus, a Verdade... Mas o que amamos neles? É que todos
são criação de Deus. Nós devemos distinguir o que é chamado de inimicitiae ódio dos abominationes ódio.
O primeiro é a
psicologia da malícia pessoal. É pecaminoso e abominável. O último, é muito mais
complexo. É dar valor e honra a criação divina, ao mesmo tempo que desaprova as
perversidades que essa criação divina em sua depravação total manifesta... não
glorificando e sim afrontando o Criador... que tudo criou para Sua glória.
Neste sentido complexo, muitas vezes manifestamos amor e ódio a nós mesmos.
A quarta coisa que precisa ficar clara para nós, é que a luta pela
verdade, a glória de Deus... inclui profunda autocrítica. Imediatamente após o se
clamor no verso 21 – “Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te
odeiam, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?” - Salmos 139:21 – Davi ora honestamente: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração;
prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e
guia-me pelo caminho eterno.” - Salmos
139:23-24 – Davi não desconfiava de nada no mundo mais do que do seu
próprio coração. Ele pede que Deus o transforme de todas as maneiras que Deus
veja e deseje, pois a ideia de sua vida não glorificar a Deus lhe era odiosa.
Em quinto lugar devemos estar cientes de que lutar pelo evangelho,
verdade, glória de Deus... só é compatível com a aceitação do sofrimento. Lealdade a Cristo, é a lealdade ao
Cordeiro que foi morto, lealdade a um crucificado... Estar corajosamente
lutando o bom combate da fé, por Cristo... não significa que temos que vencer,
mas significa que temos que estar de pé, firmes, alegres... qualquer que seja o
resultado das batalhas específicas. Deus pode fazer coisas grandiosas, como a
Reforma, por exemplo, mas como Lutero, temos que dizer antes – “Se temos de perder, família, bens poder... embora a vida vá,
por nós Jesus está, e nos dará Seu Reino!” – Pessoas de pele
fina, “sensíveis” demais, que a
qualquer esbarrão estão feridas... não entenderam a característica da batalha que se envolveu,
não pode portanto, sair após Cristo levando o seu vitupério:
“Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando
o seu vitupério.” - Hebreus
13:13
“Portanto,
saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou.”
- Hebreus 13:13
Ou seja, aprendemos a
desprezar a glória dos homens e aprendermos a “perder” com Deus, pois
Cristo venceu o mundo através da vergonha... e agora Ele acena para ti na
estrada do Calvário. Saiamos pois a Ele.
Então o que nos
sustenta nessa luta? Ela é sustentada pelo triunfo final de Cristo. Ele está
vindo. Ele julgará. Devemos manter a batalha cerrada, em meios as fortes
complexidades da vida, dedicados a luta pela Verdade do Evangelho até que Ele
venha, seja qual for o custo pessoal que isso traga para nós:
“Todavia,
não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se
tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor
Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus.”
- Atos
20:24






