Olhe para esse verso: “Dali
partimos para Filipos, na Macedônia, que é colônia romana e a principal cidade
daquele distrito. Ali ficamos vários dias.” – (Atos 16:12) Histórias que mudam o mundo, grandes
aventuras... muitas vezes começam assim, tão simples que não parecem ser as
primeiras linhas de uma história que mudará tudo.
As pessoas falam muito
sobre planejamento missionário estratégico, mas o maior missionário que esse
mundo já viu, na verdade, o homem mais notável que esse mundo conheceu, não obteve o muito do que foi feito
em sua vida por algo que ele podia depois atribuir ao seu planejamento. Parece
que o oposto acabava sempre sendo a verdade na história dele. Esse homem, que
podemos dizer sem medo de errar, parece ter sido o homem mais feliz que tivemos
conhecimento na história do mundo.
Mas vamos começar essa
história um pouco antes, quando o Senhor dele e nosso, ainda era uma criança no
mundo. Jesus foi levado para a África, para o Egito, pois sua família se tornou
uma família de refugiados pela perseguição de Herodes.
Através da Europa o
Evangelho chegou a nós, mas Jesus nunca esteve na Europa. Mas o homem chamado
Paulo, embora nunca tenha ido a África, como o Seu Senhor, passou anos na
Europa e isso mudou a história do mundo. O impacto do cristianismo a partir do
continente Europeu nos próximos 2.000 anos era inimaginável quando Paulo chegou
lá pela primeiro vez, em Filipos.
Este foi o primeiro
lugar na Europa onde um apóstolo pisou, Filipos, no norte da Grécia. Mas o que
mudaria a história do mundo, não teve nada de planejamento estratégico de
Paulo, mesmo ele sendo o maior missionário que o mundo já viu.
Estamos no mais ou
menos no ano 50, Anno Domini (expressão em latim que significa: "ano do
Senhor"), também apresentado na sua forma abreviada A.D. Paulo estava
evangelizando e fundando igrejas na região da Galácia no nordeste do que hoje
conhecemos como Turquia. Durante muito tempo tudo isso fez parte do grande
Império Grego, mas agora Roma tina conquistado a Grécia e a Ásia menor cerca de
200 anos antes. A cultura grega ainda era dominante, mas o poder político e
militar, o governo era romano.
Pense num pequeno grupo
de homens, pense neles como a Sociedade do Anel na obra de J. R. R. Tolkien.
Paulo, Lucas, Silas, Timóteo... Eles tinham planos e estratégias, mas nunca os
grandes feitos de Deus foram realizados por estratégias e planos humanos. Mesmo
de homens tão notáveis como Paulo, Lucas, Silas e Timóteo.
Eles estavam viajando
para o oeste, rumando para a província romana da Ásia, mas somos informados que
as coisas começaram a não sair ou funcionar como eles imaginavam e planejavam.
Alguém totalmente improvável impediu eles de pregar: ”eles foram impedidos pelo
Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia.” Atos 16:6
Pense nisso, aqui está
um bando de homens que viviam para obedecer a Cristo sob as piores e mais duras
circunstâncias. A ordem de Cristo para eles foi clara – a mesma ordem dada a
nós também – “irem pelo mundo e fazer discípulos de todas as nações!”
A província romana da
Ásia não fazia parte desse “todas as nações?” É claro que sim, então esses “mosqueteiros” do Rei com a morte se
necessário, obedeceriam a ordem. Eles queria que todos ouvissem sobre Cristo.
Mas então algo totalmente inesperado acontece. O “Espírito Santo os IMPEDE de
pregar na Ásia!” Como assim? Era no Espírito que eles confiavam para obter
sucesso em toda essa empreitada. E exatamente Ele é o impedimento para ela?
O pior não é isso. O
pior é a forma que o Espírito faz isso, como os impede. Ele começou a trazer muitas dificuldades em
tudo que eles queriam fazer para proclamar Cristo conforme a estratégia que
tinham montado. Não sabemos como tudo ocorreu, mas sabemos que todos ficaram
enervados e desolados, de modo que ficaram convencidos de que Deus estava lhes
dizendo: "Não procedam mais!" Todos ficaram convencidos de que não
era o propósito manter o curso que haviam planejado.
O que fazer então?
Todos eles perceberam
que não era a vontade do Espírito Santo que eles pregassem ali... naquele lugar
ali estava cheio de homens perdidos, mas como discutir com o Espírito Santo? Então
eles se afastaram da Ásia e se dirigiram para o norte da Bitínia, que era uma
província senatorial que se estendia por centenas de quilômetros ao longo das
margens do Mar Negro.
Agora sim, com tantos
perdidos, poderia pregar ousadamente... Não! Novamente? Pense nisso, depois de
caminharem centenas de quilômetros... só então lhes é dito: Não! Você já
caminhou alguns quilômetros? Dezenas de quilômetros? Talvez não, mas imagine
caminhar centenas e só aí aparecer um não de novo: “Quando chegaram à fronteira da Mísia, tentaram entrar na Bitínia, mas
o Espírito de Jesus os impediu.” - Atos 16:7
Você aqui e agora,
2.000 anos depois não está ficando meio impaciente? Sentindo o cansaço deles?
Esses homens simplesmente queriam fazer a vontade de Deus, mas o próprio Deus
ficava impedindo eles de fazerem, tornando impossível para eles fazerem o que
Deus tinha ordenado e o que estava no coração deles. Acho que se prestarmos
atenção, isso acontece o tempo todo.
Qual a mensagem que
Deus está ensinando a eles e a nós aqui? Deus está no comando de todas as
coisas, e nossas melhores intenções não são melhores que as piores se não é
aquilo que Deus quer para nós. Ele está nos guiando a uma vida santa e de
obediência, mas de maneira muito surpreendente, para nós, as vezes até
frustrante.
Você pensa que eles
desistiram? Como eu disse, esse grupo é mais persistente que a Sociedade do
Anel de Tolkien. Eles decidiram voltar centenas de quilômetros para oeste
novamente para a Mísia. Essa é uma decisão inesperada. Eu jamais tomaria essa
decisão... minha decisão seria, vou voltar para casa. Seria razoável eles concluírem:
“Vamos para leste, para Derbe, para casa
na igreja de Antioquia. Já tentamos ir para o oeste, para a Ásia, mas o Espírito nos impediu... já
tentamos ir...” Mas não... vamos voltar para o noroeste – imaginem quantas
centenas de quilômetros esses homens já andaram para nada.
Mas agora, voltando
para noroeste, parecia que nada os estava impedindo. Era uma rota solitária,
perigosa, onde se costumava andar sem outros viajantes... era só eles... Paulo,
Lucas, Silas e Timóteo. Não havia nenhuma estrada romana importante para eles
tomarem – o que fazia a viagem mais difícil além de perigosa. Sem estradas
importantes, não haveria pousadas onde pudessem ficar, nem comunidades
crescentes onde pudessem imaginar ser estratégico uma igreja ser estabelecida.
Era uma paisagem vazia
dia após dia... eram só eles... só Paulo, Lucas, Silas e Timóteo... por dias e
dias e quilômetros sem fim... e ficavam em qualquer lugar pela Mísia. De vem em
quando eles tina que caminhar para oeste para poderem continuam viajando para
mais longe, porque tinham chegado às margens do Mar Egeu no porto de Trôade (
Perdo do que hoje se chama os Dardanelos ).
Diga a verdade, essa
viagem está meio esquisita. Eles por semanas e semanas só andavam parecendo sem
destino – agora você está vendo como o Espírito produz o fruto da paciência, perseverança,
longanimidade, domínio próprio. Caminharam e caminharam sem quase nenhuma
pregação. Não realizaram quase nada... esses homens estavam se perguntando por
que Deus os tinha levado de uma lado da Turquia para o outro, caminhando por
semanas sem fim... Por que Deus estava lidando com eles daquela maneira?
O problema de como Deus
nos orienta muitas vezes parece um enigma para nós, cristãos. Se era
desconcertante para o maior dos apóstolo, se era desconcertante para Paulo, não
seria desconcertante e surpreendente conosco também. Não reclame, esse é o modo
que crescemos.
Quantas vezes as
pessoas perguntam: “O que o Senhor está fazendo? Por que ele está lidando com a
minha vida dessa maneira? Por que nada parece fazer sentido? A resposta dele se
encaixa na situação estranha de Paulo, Lucas, Silas e Timóteo, e na nossa.
Jesus diz para nós todos: “Você não compreende agora o que estou lhe fazendo;
mais tarde, porém, entenderá" - João 13:7
Agora eles estava à
beira-mar em Trôade imaginando o que fazer. Só havia um mar diante deles... e
agora? Naquela noite, depois de semanas e semanas vagando e andando por
centenas de quilômetros para lá e para cá, Paulo teve uma visão ( Por que não
antes? ). Paulo viu um europeu, um grego, um macedônio. Este homem estava
diante dele de pé, suplicando para que Eles depois de andarem por tantos e
tantos quilômetros, atravessassem o Mar Egeu para a Europa e fosse ajudá-los.
Pensa em quantas coisas
significativas temos aqui. Até agora onde eles tentaram ir o Espírito Santo
impediu... só não impediu eles de ficarem andando por centenas de quilômetros
por semanas e semanas. Não houve para eles quase nenhuma atividade
evangelística.
Agora, repentinamente,
há mais do que um permissão ou um não impedimento, há um convite específico e
claro. Tudo muda. Por que só agora? Repentinamente o futuro se torna
transparente.
Isso foi muitas vezes a
história de como o evangelho alcançou o mundo. Davi Livinsgstone queria ira para a China... quantas pessoas sem
Cristo lá. Não! Deus o enviou a África. William Carey planejou ir para os Mares
do Sul... mas Deus o levou para a Índia. Assim foi com Paulo e seus
companheiros naquela jornada estranha.
Ficaram, eu diria,
andando em círculos durante meses e centenas de quilômetros... ficaram cansados
e exaustos nessa jornada “sem sentido”,
e então, numa única noite, Deus diz exatamente para onde queria que eles
fossem. Muitos diriam: “Agora não, agora estou cansado, agora eu vou pra
casa...” Mas não Paulo, Lucas, Silas e Timóteo. Não eles.
Paulo percebeu que o
homem que falou com ele, por sua aparência e língua era grego nativo, e o homem
convida Paulo a vir especificamente para a Macedônia. Agora pensem, depois de meses
de portas fechadas, esta grande porta da Europa é repentinamente aberta pelo
próprio céu. Tudo isso enquanto Paulo e seus amigos dormiam.
Eles foram para a cama
ignorantes – como durante todo aquele tempo na estrada – mas acordaram no dia
seguinte sabendo que a Grécia era o lugar. Podemos ver que Deus não só abre
portas, Ele as fecha também. Mesmo quando o objetivo é pregar o evangelho. Ele
impediu eles de cidade em cidade. Agora Ele os quer na Grécia.
Deus tudo dirige
soberanamente em nossas vidas. No fim, estamos exatamente onde Deus queria que
estivéssemos, mesmo que o caminho para chegar tenha sido tão estranho. Mesmo
que durante o caminho estivéssemos cheios de perplexidade e nenhuma oportunidade
como gostaríamos. De servir como gostaríamos. Quem disse que temos que servir a
Deus como gostaríamos? Vamos servi-lo como Ele quer.
Não temos a menor ideia
do que o futuro nos reserva, mas sabemos que a vontade de Deus para nós está
onde a providência dela nos coloca e colocará.
Outra característica
extraordinária nesta visão noturna de Paulo é que este homem era da Macedônia. Poderíamos achar – como hoje seria muito
comum, que Deus enviaria um homem com um pedido desse vindo dos remansos pobres
da Espanha, da Europa Central, do Norte da África, Arábia... Tais áreas áridas, tão pobres e necessitadas
precisavam de ajuda divina – pensamos.
Mas a Macedônia não
estava perto do coração da Grécia? Eles tinham tudo que a civilização podia
dar. Tudo que nossa civilização admira até hoje. Eles haviam exportado ( e isso
chega até a nós – tamanha a riqueza ) uma linguagem de poder inigualável, uma
literatura e filosofia que prende a imaginação dos homens mais cultos dos
últimos dois mil anos... eles exercitaram e exercitam nosso intelectos até
hoje.
Toda a Ásia estava
coberta de cidades gregas. Mesmo nos lugares mais insignificantes como a
pequena Galiléia, era a língua grega que era falada por pescadores como Pedro,
João e Tiago. O Grego era a linguagem da ciência e das letras.
A Grécia tinha sábios
que não temos hoje em quantidade... tinha filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles. Tinha escritores como Hesíodo,
Homero, Eurípides, Sófocles, Aristófanes. A Grécia tinha historiadores como
Herótodo, Tucídides... tinha advogados como Licurgo e Solão... oradores como
Demóstenes... cientistas como Pitágoras.
Esses homens foram
inigualáveis em suas realizações... eram os professores da posteridade. Os gregos
tinham tudo... tinham arquitetos, médicos, poetas, militares, políticos,
escultores, oleiros, fabricantes de vidros, construtores navais, comerciantes,
grandes agricultores com técnicas avançadas, autores de Teatro, artistas de
toda espécie...
Era uma cultura tão
incrível, que quando foram conquistados por Roma, eles, a cultura deles é que
cativaram e transformaram o pensamento romano em si. Agora Roma, a
conquistadora, tinha na verdade sido helenizada. O outodeterminismo nacional, a
descentralização, a separação Igreja e Estado, o controle político sobre as
forças armadas... tudo isso foi praticado na Grécia e “conquistou” Roma que a
conquistara.
Quando falamos sobre a
Cultura Ocidental, que agora está sob risco... estamos falando que todos somos
meio gregos.
Eu estava lendo esses
dias um artigo de dois professores clássicos da mais famosa Universidade da
Califórnia, John Heath e Victor Harrison
- são se mostram incansáveis em
defender todas as coisas helenísticas. Dizem: "Nossa missão é lembrar aos
imigrantes que o helenismo é a única instituição no mundo sob a qual todos
podemos nos unir ao aderir aos princípios e valores do Ocidente que os gregos
nos legaram. Todos nós somos gregos agora, quer queiramos ou não!" Isso é
para vermos quão poderosa foi essa cultura.
Como dissemos poderíamos
achar (reafirmo enfaticamente) como hoje,
pelo pensamento de muitos que falam mais em missão, seria muito comum, pensar que Deus enviaria esses
homens ( Paulo, Lucas, Silas e Timóteo) para os remansos pobres da Espanha, da
Europa Central, do Norte da África, Arábia...
Tais áreas áridas, tão pobres e necessitadas pareciam precisar mais da
ajuda divina do que os gregos.
No entanto, era um
homem da Grécia, um europeu sofisticado, da cultura mais avançada da terra no
primeiro século que suplicou a Paulo para viajar para lá e ajudá-los.
Outra coisa
surpreendente é como esse homem tão maltratado e seus amigos poderiam ajudar um
povo numa civilização tão fértil e culturalmente poderosa como essa? Muitos (
mesmo na igreja ) pensam que a tragédia do mundo é a falta daquilo que os
gregos já tinha, cultura, inteligência, educação... que com isso poderíamos
mudar o mundo para melhor cada vez mais... Mas eles, os gregos, a despeito de
tudo que dissemos, é que precisavam de
ajuda. Não definimos segundo ideologias humanas quem é mais necessitado de
ouvir o evangelho.
Outra coisa incrível
nesta história, é que depois daqueles meses andando sem rumo por centenas de
quilômetros, na manhã seguinte, quando eles acordaram e Paulo lhes contou sua
visão, não houve NENHUMA discussão sobre o que fazer. Ninguém do grupo disse: “Estamos
muito cansados, acho melhor voltarmos para a base, e depois vermos as
possibilidades...” Não! Lucas diz: “Nos preparamos imediatamente para partir
para a Macedônia” Atos 16.10.
Você ouviu isso?
Imediatamente! Eles ouviram aquilo como deviam ouvir. Era um grito de socorro! “Passe
a Macedônia e ajuda-nos!” Lucas diz que eles concluíram imediatamente, “que
Deus nos chamou para pregar o evangelho a eles” – Atos 16.10
Que ajuda a Europa
precisava. Que ajuda a grande cultura grega precisava? Que ajuda aquela tão
sábia cultura precisava? A ajuda que a Europa precisava a partir da Grécia, era
do Evangelho!
Eles tinham médicos na
Grécia. Na verdade eles tinham os melhores médicos do mundo na época deles, mas
cada grego iria morrer inexoravelmente, como nós. Os gregos tinham incríveis
vinhedos produzindo o mais fino vinho, mas seus odres de vinho excelente não
estava resolvendo sua necessidade. Eles tinham grandes estádios e Jogos para
assistir, grande esporte. Mas quando a excitação dos jogos acabavam eles tinham
que enfrentar a si mesmos. Eles podiam se entregar a todo o entretenimento
que o dinheiro daquela cultura próspera
podia comprar, mas depois tinham que viver com suas consciências. Eles tiveram
grandes peças teatrais e dramas e filósofos, mas nada continha a crescente
corrupção do pecado no centro daquela cultura. Pelo contrário. Não tinham nada
para lidar com sua culpa.
Quão lindo é o mar e as
praias gregas. Eles tinha a azul do Mar Egeu... mas o que poderia mudá-los?
Eram homens e mulheres perdidos e debaixo da ira de Deus.
Nenhuma dessas coisas
que descrevemos é uma boa nova para o ser humano caído. Eles nunca tinham escutado
nada sobre o homem que proferiu o Sermão da Montanha. Ninguém tinha falado com
eles sobre aquela pessoa que falava e os ventos e o mar o obedecessem.
Não sabiam nada sobre a
Ira infinita de Deus Santo. Não sabiam NADA sobre o Cordeiro de Deus que tinha
vindo para ser a expiação e propiciação para o pecado do homem. Nada sabiam da
ressurreição dos mortos e esperança da vida eterna que é conhecer a Deus.
Eram totalmente
ignorantes das glórias do céu... nada disso tinha sido declarado a eles. Não
tinham nada da Paz de Deus que excede a todo o entendimento.
Os Gregos tinham TUDO o
que o melhor da cultura podia oferecer, e ainda assim, não tinham NADA!






