• Puro conteúdo Reformado!

    ReformedSound

    .

    .

    #

    Chega desse papo de autoestima!




    Há um tempo, deparei-me com um filme, uma comédia, e ela mostrava a vida de um comediante de stand-up... Em um de seus “monólogos” - o tema era o que ele denominou de “Monstro Eu”. É aquele ser que deve estar no centro de todas as conversas.

    Você conhece essa pessoa. Toda história que você conta, ela precisa contar uma que seja melhor, tudo o que você possui, ela possui duas ou três...

    Quando estava vendo o filme, pensei instantaneamente em certas pessoas. Então eu entrei em uma conversa comigo mesmo e percebi que eu também nasci neste mundo como um “Monstro Eu!” Eu instantaneamente calei a boca. Neguei minha recente descoberta e continuei com o meu dia... precisava terminar o filme.

    Mas a realidade deve nos incomodar EU SOU UM "MOSNTRO EU?" Eu devo ser o centro das conversas? Eu devo ser o centro das atenções? Esta é uma revelação aterrorizante. O que vamos fazer? Vamos falar mais de nós mesmos? Exigir que as pessoas ouçam mais sobre nós mesmos?

    O que leva a esse desejo em cada um de nós de ser o centro das atenções? O que alimenta o MONSTRO dentro de nós?

    Cada um de nós sente a necessidade de aceitação. Cada um de nós tem o desejo de ser afirmado em nossa existência. Todos nós precisamos de amor. Cada um de nós tem a Lei dentro de nós, dizendo que não somos bons o suficiente, não somos bonitos o suficiente, não somos inteligentes o suficiente e a parte mais assustadora é que sabemos que é VERDADE.  Então tentamos encontrar esse amor e afirmação usando todos os meios necessários. Somos pessoas orgulhosas que querem ser afirmadas

    Alguns se voltaram para o movimento da autoestima para encontrar essa afirmação. Eles desejam ouvir os outros afirmá-los e, se não conseguem obter essa afirmação dos outros, tentam se afirmar. Recentemente, li um livro sobre a morte e o morrer, e o autor encapsula esse pensamento. O autor, que também é médico de cuidados de pacientes terminais, ao falar com um paciente que está morrendo cheio de relacionamentos rompidos, diz ao paciente para fazer isso...

    “Antes de ir embora, quero lhe dar uma tarefa que quero que pratique todos os dias. Pode parecer bobagem, mas tente. Numa hora tranquila do dia, quando você está sozinho ou à noite quando está relaxado, deitado na cama antes de dormir, feche os olhos e diga para si mesmo: 'Eu não sou uma pessoa má'. Continue repetindo isso: 'Eu não sou uma pessoa má', até que aos poucos você passe para: 'Eu sou uma pessoa boa'”.


    O autor resume tudo na página seguinte quando diz ao paciente: "Você foi criado para se sentir bem consigo mesmo por ser quem você é". O médico toca em algo perspicaz aqui, mas está totalmente errado e é patético ( Quando penso que esse médico é especialista em doentes terminais – vejo quão desesperador e vazio é tudo que flui do humanismo secular... que desespero não é morrer repetindo frases como essas ) -  Na verdade, não existimos para pensar que somos bons o suficiente, porque não somos. Nossas obras, por "melhores" que sejam ou abundantes, não são suficientes para obter nada do que realmente precisamos - não convencemos nem a nós mesmos.


    Então vamos ao Facebook, Twitter e Instagram para mostrar ao mundo que somos pessoas muito legais e divertidas. Nós publicamos fotos de nossos passeios e viagens, namorados e namoradas, cônjuges, nossos filhos... ou contamos aos outros sobre o ótimo restaurante em que estamos comendo, a quantidade de livro que estamos lendo... o tempo todo procurando afirmação de outras pessoas de que precisamos desesperadamente.


    A Lei soa: você não é legal o suficiente, você não é bom o suficiente, ninguém te ama, e nós nos esforçamos cada vez mais. Em seu livro Cristianismo puro e simples, C. S. Lewis descreve apropriadamente a função do orgulho como uma constante busca por afirmação.

    “O orgulho não se agrada em ter algo, apenas em ter mais do que a pessoa próxima a nós. Dizemos que as pessoas têm orgulho de serem ricas, inteligentes ou da boa aparência, mas não é verdade. Eles se orgulham de serem mais ricos, mais inteligentes ou mais bonitos do que outros. Se todo mundo se tornasse igualmente rico, inteligente ou bonito, não haveria motivo para se orgulhar mais.”

    A lei do Sinai e a lei interna nos colocam no banco dos réus e ficamos com a confirmação do que já sabemos que é verdade, Culpado!


    O que estamos procurando é um veredicto final de que somos importantes e valiosos. Procuramos esse veredicto final todos os dias em todas as situações e pessoas ao nosso redor. E isso significa que todos os dias, estamos em julgamento. Todos os dias nos colocamos de volta ao tribunal.

    Então, o que devemos fazer? Como podemos matar o “Monstro Eu” dentro de nós, que constantemente busca por afirmação? Onde vamos ouvir o "veredicto final" que nos diz que somos amados e valorizados mais do que podemos imaginar?

    Nós olhamos para a vida, a cruz e o túmulo vazio de certo Carpinteiro. Durante todo o tempo de Cristo na terra, ele estava declarando a nós o amor de Deus por seu povo (Rom. 5: 8 ). Por causa de seu amor por nós, sua vida perfeita é dada a nós, para que não tenhamos que nos preocupar se Deus nos aceita ou não. Porque Deus aceita a Cristo, e estamos unidos a Cristo pela fé, Deus nos aceita. Não há mais nada para provar a Deus ou a qualquer outra pessoa, porque é "Deus que nos justifica" ( Rm 8, 31ss). Isso, se é verdade, nunca produz orgulho ou arrogância, mas os mata.

    Através de sua morte, Deus proferiu o veredicto e nos encheu com sua graça e amor. Na cruz, Deus, o próprio Filho do Pai, foi crucificado pelos que o Pai deu a Ele. Aquele “por quem e através de quem todas as coisas foram criadas” - aquele que compartilhou perfeita comunhão com o Pai foi sacrificado pelos eleitos. Quando Cristo morreu na cruz proferiu: "Está consumado", o veredicto veio: "Portanto, agora não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus". Portanto, não precisamos mais temer o que acontecerá se não formos “bons o suficiente”, Cristo suportou a ira de Deus e agora eu estou livre da escravidão do pecado, para que eu possa viver uma vida em que segue a Deus por sua beleza infinita.  Isso, se for verdade a meu respeito, começa a tirar os meus olhos de mim mesmo.

    Na tumba vazia, vejo que Cristo já conquistou a morte por mim. Ele foi ao túmulo e “desceu ao inferno” (experimentou a Ira infinita na Cruz), POR MIM! Sim, eu sou mais pecador do que jamais ousei acreditar – muito, muito pior do que imaginava – e merecia apenas Ira infinita. Mas em Cristo eu sou mais amado do que jamais poderia imaginar ou sonhar. E agora que a morte foi conquistada, há um lugar para mim reservado na casa do Pai, há uma herança eterna preservada no céu PARA MIM! ( João 14: 1–7 )

    Essa verdade  me liberta do ciclo incessante de tentar me provar a mim mesmo, aos outros ou a Deus. Deus deu a mim todas as coisas, e se isso for verdade, todo desejo que você ou eu temos para obter afirmação é encontrado e satisfeito perfeitamente em Cristo.

    Como Paulo, podemos dizer: 'Não ligo para o que você pensa. Eu nem me importo nem com o que eu penso. Só me preocupo com o que o Senhor pensa. E ele disse: 'Portanto, agora nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus' e 'Você é meu filho amado, por quem me comprazo'.

    Isso, e só isso nos dá a capacidade e o PODER de viver novas vidas e de nos libertar do “Monstro Eu” interior. Passamos a ter um coração mole e uma pele grossa. Antes, dominados pelo “Monstro Eu”, tínhamos um coração duro e uma pele fina. Agora podemos parar de olhar para nós mesmos... parar de nos afirmar, ou exigir que os outros nos afirmem... podemos para de exigir ser o centro das atenções das pessoas, da igreja... podemos finalmente olhar para algo bem distante do nosso EU... então podemos falar como homens livres como Paulo... viver uma vida de obediência prazerosa não por causa da Lei, mas por causa de um amor constrangedor. E se nem nós vivemos para nós mesmos, por que exigiríamos que as pessoas vivessem para nós? Por que exigiríamos que a igreja vivesse para nós? Não, o “Monstro” morreu com Cristo naquela Cruz:

    “Porquanto o amor de Cristo nos constrange, porque estamos plenamente convencidos de que Um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos para que aqueles que VIVEM JÁ NÃO VIVAM MAIS PARA SI MESMOS, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou.” – 2 Coríntios 5.14,15.