Eu hesito um pouco
quando você me faz essa pergunta porque não tenho boas recordações em minha
memória de ter respondido a essa pergunta no passado e com o fato de que as
pessoas ficaram muito aborrecidas com o que eu disse. O que me confunde é que
parece haver um grande número de cristãos que assume a posição de que não há
graduação de pecado, que todo pecado é pecado e não há diferença entre pecado
mais sério e pecado menos sério.
A Igreja Católica
Romana historicamente faz uma diferença entre pecado mortal e pecado venial, o
que significa que alguns pecados são mais hediondos que outros. Pecado mortal é
assim chamado porque é suficientemente sério para destruir a graça salvadora na
alma. Ele mata a graça, e por isso é chamado mortal.
Os Reformadores Protestantes
do século XVI rejeitaram o conceito de distinção entre venial e mortal.
Calvino, por exemplo, diz que todo pecado é mortal no sentido de que merece a
morte, mas nenhum pecado é mortal, exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo,
no sentido de que ela destruiria a salvação que Cristo adquiriu para nós. Na
reação protestante à distinção católico-romana entre pecado venial e pecado
mortal, os reformadores protestantes não negaram as graduações de pecado.
Eles ainda mantiveram a
noção de graus maiores e menores de pecado. O que estou dizendo é que, no
Cristianismo ortodoxo, ambos, católicos-romanos e as denominações protestantes,
assumem a posição de que há alguns pecados que são piores do que outros. Eles
fazem essa distinção porque as Escrituras ensinam isso claramente.
Se olhamos para a lei
do Antigo Testamento, vemos que algumas ofensas devem ser tratadas, nesse
mundo, com a pena de morte, e outras com castigo corporal. Há distinção, por
exemplo, entre assassinato e intenção criminosa ou premeditação e aquilo que
chamamos de homicídio involuntário. Há pelo menos vinte e cinco ocasiões em que
o Novo Testamento faz distinção entre males maiores e menores. Jesus diz, por
exemplo, em seu julgamento: "quem me entregou a ti, maior pecado
tem." (Jo 19.11).
Há evidência abundante
nas Escrituras para insistir na noção de graduação de pecado. Não apenas isso,
mas o simples princípio de justiça indicaria assim. Mas penso que as pessoas
tropeçam nesse ponto por duas razões. A primeira é a afirmação de Tiago de que:
"...qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna
culpado de todos". Isso soa como se Tiago estivesse dizendo que se você
diz uma mentira inocente, isso é tão ruim quanto matar uma pessoa a sangue
frio. Mas Tiago realmente está dizendo que todo pecado é sério no sentido de
que todo pecado é uma ofensa contra o legislador, de maneira que, no mais leve
pecado estou pecando contra a lei de Deus.
Eu tenho violado todo o
contexto da lei de diversas maneiras. Portanto, todo pecado é sério, mas disso
não podemos concluir, logicamente, que todo pecado é igualmente sério.
As pessoas também se
referem à afirmação de Jesus de que se você olhar para uma mulher com intenção
impura, você já violou a lei contra o adultério. Jesus não diz que a luxúria é
tão errada quanto o adultério em si. Ele está simplesmente dizendo que se você
se abstém apenas do ato, você não é totalmente puro; há elementos menos
importantes na lei que você violou.






