Pois
tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganadores, transfigurando-se em
apóstolos de Cristo. E não é de estranhar; porque até mesmo Satanás se
transfigura em anjo de luz. Portanto, não é de mais que os seus ministros
também se transfigurem em ministros da justiça; o seu fim será conforme suas
obras. (2 Co 13-15).
13.
Pois tais homens são falsos apóstolos . Embora já tenha
refutado a principal alegação de seus oponentes, Paulo não fica satisfeito em
mostrar que era igual a eles no ponto em que reivindicavam excedê-lo, porém os
deixa sem nenhum crédito. Dispensar dinheiro parecia altamente louvável, porém
ele diz que no caso deles era um subterfúgio decepcionante, tal como uma
meretriz que toma por empréstimo os vestidos de uma honrável mulher casada. Era
preciso arrancar a máscara que procurava obscurecer a glória de Deus. Ele os
denomina de obreiros enganadores, ou seja, eles não revelavam sua impiedade à
primeira vista, mas habilmente se insinuavam sob algum pretexto justo.
Por isso eles devem ser
cuidadosa e totalmente examinados a fim de ficarmos prevenidos, não
aceitando-os como autênticos servos de Cristo, porque, à primeira vista, eles
têm uma demonstração superficial de excelência. Paulo não está lançando uma
construção desfavorável sobre virtudes reais fora de motivos de malícia e
ciúme, mas, antes, é forçado pela desonestidade de seus oponentes a exibir o
mal subjacente, porque havia uma ameaçadora profanação da virtude em suas
falsas pretensões a serem inflamados com maior zelo do que todos os servos de
Cristo.
14.
E não é de estranhar. Este é um argumento do maior para o
menor. Se Satanás, o mais depravado de todos os seres e, portanto, o cabeça e
chefe dos homens maus, pode transformar-se, o que farão seus ministros? Temos
experiência de ambas estas coisas, todos os dias, pois quando Satanás nos tenta
para o mal, ele não declara ser o que realmente é. Ele nada conseguiria se
tivéssemos consciência de ser ele o nosso inimigo mortal e o destruidor de
nossa salvação. Por isso ele sempre se cobre com algum disfarce a fim de nos
enganar e não nos revelar de imediato seus chifres, segundo o dito comum, senão
que, antes, se esforça para aparentar-se um anjo de luz. Mesmo quando nos
conduz a crimes grosseiros, ainda usa algum pretexto plausível para baixar
nossa guarda e lançar-nos em suas redes. Ele nos ataca sob o disfarce do bem, e
ainda no próprio nome de Deus.
E seus adeptos, como já
disse, seguem os mesmos métodos de seu mestre. Estes são preâmbulos de ouro: servos dos servos de Deus, porém,
quando a máscara é removida, quem e o quê se descobrirá ser? Satanás
mesmo, seu mestre, dificilmente excederá seu mais rematado discípulo em
qualquer tipo de abominação. Há um bem conhecido dito sobre Babilónia, ou seja,
que ela oferecia veneno numa taça de ouro. Por isso, estejamos em guarda contra
as falsas aparências. Porém, pode-se perguntar se isto significa que devamos
considerar a todos com suspeita. Esta não foi certamente a intenção de Paulo.
Mas há formas de discriminação entre as pessoas que não é sábio ignorar.
O que Paulo queria era
chamar a atenção para este fato, de modo que não julguemos imediatamente um
leão por sua pele, pois se não formos precipitados em nosso julgamento, o
Senhor nos fará ver que logo as orelhas surgirão. Por este motivo ele desejava
advertir-nos, para que a nossa avaliação dos servos de Cristo não tivesse por
base as aparências externas, mas pela observação de elementos de maior
importância. Ministros da justiça é uma forma hebraística de se expressar, que
significa ministros fiéis e justos.
15.
0 seu fim será. Ele adiciona isto para o conforto do
fiel. É a declaração de um homem corajoso que despreza os tolos julgamentos dos
homens, e espera pacientemente o dia do Senhor. Ao mesmo tempo em que mostra
que ele possui uma consciência singularmente ousada em não temer o juízo
divino.






