"Paulo e Timóteo,
servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus, que estão em
Filipos, com os bispos e diáconos: 2 Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso
Pai e da do Senhor Jesus Cristo.". Filipenses 1: 1, 2
O objetivo último de
Deus para todos nós, é glorificar a si mesmo nos redimindo como um povo cuja alegria
suprema e eterna será compartilhar da alegria que o próprio Deus tem em Deus
mesmo desde a eternidade passada.
Paulo diz: “Mas de nada
faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com
alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar
testemunho do evangelho da graça de Deus.” -
Atos 20:24 – Ele diz mais: “E, na verdade, tenho também por perda todas
as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo
qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que
possa ganhar a Cristo” - Filipenses 3:8
Toda
vida cristã depende essencialmente de um coração que se alegre totalmente em Cristo. Mas muitas vezes eu ouvi alguém
perguntando – “E se eu nunca tive a verdadeira alegria em Cristo?”
“Na minha vida cristã
não tenho conhecido essa alegria. Na verdade, meu desejo de alegria em Cristo
só resultou em decepção. O que você pode dizer para mim sobre isso?”
Não são poucos que nos
interpelam assim.
Deus faz uma promessa
de alegria e um coração satisfeito para todos os que Ele pôs em Cristo. Olhemos
as próprias palavras de Jesus: “E no último dia, o grande dia da festa, Jesus
pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem
crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.” -
João 7:37-38
Jesus está dizendo que
o coração humano tem uma sede de alegria, prazer e satisfação. E Ele está
prometendo que TODO aquele que é levado a Ele terá seu coração satisfeito com
alegria que não tem fim. É uma promessa clara. Mas então como alguém pode dizer
– sou cristão mas não experimento ou experimentei isso?
Ah! Temos que responder
algumas perguntas sinceramente a nós mesmos. Já buscamos essa alegria? Por
exemplo:
Estou buscando ou já
busquei alegria em quem Jesus é, ou no que Ele pode dar sendo quem é?
Estou buscando alegria
em Jesus como um dom imerecido de Deus Pai, ou como algo que Deus me deve?
Estou buscando alegria
em Cristo com um coração contrito e arrependido, ou quero isso enquanto abraço
o pecado como uma outra fonte de alegria?
Estou buscando alegria
em Cristo com humilde confiança tão somente na vontade de Deus?
Busca essa alegria nos
meios de graça? Orando...?
Estou buscando alegria
em Cristo através das Escrituras ou espero outra fonte de revelação?
Estou buscando como
algo muitíssimo valioso, ou seja, busca alegria em Cristo persistentemente?
Muitas pessoas pensam
que a alegria que Deus promete está relacionada com as bênçãos como saúde,
riqueza ou amigos...
Mas Deus não promete
qualquer um desses. O que Deus promete é uma alegria infinitamente maior, a
alegria de contemplar o próprio Jesus Cristo.
Isso é o que Paulo diz
em Filipenses 3:8
“Na verdade, eu conto
tudo como perda por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu
Senhor.” – ou como vimos: “nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que
cumpra com alegria...” – “Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de
todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a
Cristo”
A alegria de Paulo foi
conhecer a Cristo. Não as bênçãos de Cristo, mas o próprio Cristo. E essa
alegria em conhecê-lo era tão grande que ele contou tudo como perda.
Por isso, nós queremos
ficar com ele aqui, em Filipos... até entendermos que isso é o que o Evangelho
faz, é o seu propósito.
Deus tem um objetivo
final na criação e na redenção, no juízo...
que é o de exibir e comunicar a sua glória chamando soberanamente e trazendo um
povo escolhido para ser a Igreja e preservar esta noiva gloriosa para seu
Filho, cuja beleza consistirá, essencialmente, em ser supremamente satisfeita com
alegria eterna no Filho com a própria satisfação que Deus Pai tem no Deus Filho.
Por estar tão comprometido
e capturado por esse objetivo final de Deus, a carta de Paulo aos Filipenses
têm fornecido para mim minhas citações favoritas e tem capturado com um som doce mais profundamente meu ouvido e
coração mais do que qualquer outra porção das Escrituras. Por exemplo?
"Porque para mim,
viver é Cristo, e morrer é lucro" (1:21).
"Estou muito
pressionado entre os dois. Meu desejo é partir e estar com Cristo, pois isso é
muito melhor. "(1:23)
"Deixai que o
vosso modo de vida seja digno do evangelho de Cristo." (1:27)
"Não façais nada
por rivalidade ou presunção, mas com humildade contai os outros como mais
significativos do que vós mesmos. Que cada um de vocês olhe não só para seus
próprios interesses, mas também para os interesses dos outros. "(2: 3, 4)
" Seja
a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não
considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas
esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E,
sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à
morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o
nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo
joelho, no céu, na terra e debaixo da terra” (2: 5-10)
" pois
é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a
boa vontade dele." (2:13).
". . . Mais do que
isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do
conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas.
Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo e ser encontrado nele,
não tendo a minha própria justiça que procede da lei, mas a que vem mediante a
fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé.” ( 3: 8,9).
"...mas
uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para
as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado
celestial de Deus em Cristo Jesus". (3:13, 14)
" A
nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um
Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” (3:20)
"Alegrai-vos
sempre no Senhor; Novamente digo: Alegrai-vos. "(4: 4)
" Não
andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação
de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o
entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus"(4:
6, 7)
" Finalmente,
irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto,
tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se
houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. "(4: 8)
" Não
digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que
tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em
todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a
ter abundância, como a padecer necessidade." (4:11, 12)
" Posso
todas as coisas em Cristo que me fortalece. " (4:13)
É quase inacreditável
que todas essas citações e outras que não mencionei, estejam condensadas nestes
quatro capítulos desta pequena carta. Mas temos que ter cuidado... essas
pequenas citações podem tirar de nós seu foco totalmente teológico e centrado
em Cristo. “Alegrai-vos sempre no Senhor!” pode virar simplesmente um lema
superficial de desejar felicidade e não esse mandamento profundamente
teológico.
Paulo está chamando os
Filipenses, e a nós, a uma alegria particular... alegria experimentada por ele
o cativeiro romano, diante de uma acusação capital, enquanto sua liderança
estava sendo contestada por usurpadores dentro da igreja... e necessário que
essa carta tenha em nossa vida a profundidade que ela teve para aquelas pessoas
no primeira século.
Filipos é uma cidade na
Macedônia, uma cidade europeia que hoje está onde a Turquia, Grécia e Bulgária
se cruzam. Nós vimos como não foi escolha de Paulo chegar lá... ele foi
impedido pelo Espírito Santo durante meses de ir com sucesso para qualquer
lugar que ele tenha escolhido, até que foi literalmente levado para a Europa
por Deus. Foi incrível, nós vimos, como
aquela igreja nasceu.
Mas doze anos depois, o
pastor fundador daquela igreja está preso. Os membros daquela igreja não
conseguem superar isso... há uma grande dor no coração deles. Eles não
conseguem de forma alguma ver uma razão para aquele encarceramento...
Por que o Senhor não
fazia como fez em Filipos doze anos atrás e abria as portas da cadeia para que
Paulo continuasse seu ministério? Por que não fazer de novo? Eles estão
perplexos até que finalmente chega de volta alguém que tinha feito uma longa
viagem a Roma para achar e visitar Paulo. Seu nome era Epafrodito... Ele que
traz a carta maravilhosa que temos em nossas mãos até hoje.
É importante entender logo
que a igreja em Filipos se tornaria a igreja, eu diria, favorita de Paulo. Paulo desfrutou de uma
proximidade única com os Filipenses, o que vemos em expressões excepcionalmente
calorosas e amigáveis nesta carta. Paulo deixa isso claro logo após sua
saudação quando diz: "Agradeço ao meu Deus em toda a minha lembrança de
vós, sempre em cada uma de minhas orações, para que todos façais a minha oração
com alegria, por causa da vossa parceria no evangelho desde o primeiro dia Até
agora " Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro
de vós, Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas, Pela
vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora.”(versículos 3-5).
A palavra
"parceria" é a palavra grega koinonia, "comunhão" - Paulo
sente uma calorosa "comunhão no evangelho" com os filipenses. Como
veremos a mesma palavra (comunhão, parceria) ou seus derivados aparece seis
vezes em Filipenses (1: 5, 7, 2: 1, 3:10, 4:14, 15 [duas vezes aqui] ). E
veremos que esta não é uma comunhão social da igreja, como os cristãos hoje
muitas vezes pensam dessa palavra, mas uma comunhão robusta que se alicerça em
seu compromisso mútuo com o evangelho. Esta comunhão do evangelho cresceu a
partir de seu compromisso de apoiar a missão de Paulo espiritualmente e
materialmente (ver 4:15, 16).
O que devemos entender
ao passar por Filipenses é que, embora existam várias razões para Paulo
escrever esta carta, ela vem da profundidade da comunhão que Paulo e os
Filipenses compartilhavam no evangelho.
É por isso que este
livro tem o subtítulo "A Sociedade (Irmandade) do Evangelho" - é uma
comunhão épica como sugerido pelo título de Tolkien: A Sociedade (Irmandade) do Anel. Não pizza com coca-cola no final do
culto, almoços... Esta é a comunhão de compatriotas unidos em uma grande causa.
Você não vai entender a carta se você não entender isso.
Como o costume da época,
a carta começa com o nome do escritor: "Paulo".
Paulo talvez tenha sido
o homem mais extraordinário que já viveu neste mundo ( é claro, excetuando
Jesus ).
Em primeiro lugar, ele
era um grande pensador. Paulo foi um dos maiores intelectos que a humanidade já
viu. Ele conhecia o mundo grego helenístico e sua cultura, seus filósofos, seus
poetas, suas artes, suas tradições... Mas junte a isso ao fato dele ter um
conhecimento, que poderíamos dizer sem exagero, enciclopédico das Escrituras do
Velho Testamento.
Pense que junto a tudo
isso, Ele não aprendeu nada sobre o Evangelho com os outros apóstolos, mas
diretamente do próprio Jesus. O conhecimento que ele tinha de Cristo era mais
abrangente do que todo o conhecimento dos grandes teólogos modernos tem juntos.
Ele tinha uma
determinação invencível para servir a Deus, levando o evangelho a todos os
homens. Assim ele poderia pacificamente suportar a perseguição confiante de que
todas as suas aflições só faria avançar mais o Reino de Deus e a glória de
Cristo.
Ele foi inflexível a
cada palmo do caminho. Foi inflexível com a mensagem a ele confiada... estava
pronto a resistir na cara, como vemos, até mesmo apóstolos como Pedro, para que
a verdade da graça do Evangelho não fosse ameaçada.
Mas ele juntava tudo
isso – não como vemos hoje em pessoas que dizem batalhar pela Verdade... com
corações duros, parecendo apenas estar querendo ganhar uma discussão e mostrar
estar certo, provar um ponto. Não Paulo. Ele tinha um coração maravilhosamente
amoroso.
Tendo sido antes um
perseguidor intolerante, podemos ver que nele realmente, “tudo se fez novo!” O
Salvador tinha derramado o seu próprio amor no coração deste homem, de tal
forma que nas grande batalhas, sofrimentos, desprezos... que ele sofreu... ele
transbordou gratidão humilde e duradoura... resistente.
Certa vez eu li um
homem contando que entrou num parque e viu doze grandes árvores no inverno, e
todas elas estavam nuas, mas a décima segunda estava coberta de folhas mortas.
Ele perguntou a um dos homens que trabalhava no parque aquela árvore não estava
sem folhas, mas coberta de folhas mortas. O homem que cuidava daquele parque
disse que é porque aquela árvore estava morta. Ela tinha sido atingida por um
raio no último verão.
Ele disse que as árvores
vivas têm um mecanismo pelo qual elas expulsam suas folhas mortas no outono,
mas as árvores mortas se agarram às suas folhas mortas.
Eis uma boa metáfora do
verdadeiro cristão. Ele estava morto, mas agora está vivo... ele tinha todo
tipo de folhas velhas e mortas, mas como ele está vivo, elas começam a ser
expulsas e derrubadas. O novo amor entra em nós na regeneração, a fonte da
alegria em Cristo... da alegria do Pai em Cristo que se instala em nós... esse
novo amor expulsa as velhas atitudes... Paulo é tão diferente, não é mesmo?
Então, é isso, Cristo!! As folhas mortas do entusiasmos, desejos e banalidades
carnais são derrubadas constantemente pelo poder da vida que opera agora de
dentro para fora.
J. Gresham Machen (1881
– 1937 ) reconheceu, "Há homens que nunca se conhece. Há homens com quem
tive contato dia após dia e ano após ano, e a quem nunca cheguei a conhecer. Há
outros homens que por um breve relacionamento eu cheguei a grande comunhão.
Assim é com o apóstolo Paulo. Sem um toque de introspecção mórbida, sem
vaidade, da maneira mais natural e genuína, ele nos permitiu vislumbrar sua alma
de maneira profunda. Ele nos revelou as profundezas de sua vida; Ele revelou o
que o torna grande na história do mundo "(J. Gresham Machen," What Is
Christianity? ", Eerdmans, 1951, p.40). Conhecemos Paulo e esse
conhecimento é maravilhosamente transformador da vida.
O Dr. Francis L. Patton
(1843 –1932) escreveu certa vez, “a única esperança do cristianismo está na reabilitação
da teologia Paulina da Graça soberana, de Cristo e este crucificado, de não nos
gloriarmos em mais nada a não ser na cruz de Cristo, onde o mundo está morto
para nós e nós para o mundo.”
Vamos ser sinceros, não
pode haver esperança para a sobrevivência de nossa cultura sem isso. De fato,
sem o evangelho de Paulo, nossa civilização é indigna de sobreviver.






