Minha
alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
pois atentou para a humildade da sua serva.
LUCAS
1.46-48
Desde o sexto século a
Igreja tem demonstrado uma apreciação especial pelo Cântico de Maria e incluído
o Magnificat em suas liturgias.
Porém, isso levanta uma importante questão: como podemos cantá-lo? O cântico
expressa a admiração de uma virgem hebraica por ter sido escolhida por Deus
para dar à luz o Messias, o Filho de Deus. Como podemos fazer nossas as
palavras de Maria? Não seria inadequado de nossa parte?
De forma nenhuma. Já há
vários séculos que a experiência de Maria, apesar de ter sido uma experiência
única, tem sido reconhecida como a experiência típica de todo cristão. O Deus
que fez grandes coisas por ela tem também derramado generosamente sua graça
sobre nós.
Maria parecia estar
ciente disso, pois o início do cântico está na primeira pessoa
("minha" e "meu"), porém, mais adiante ela passa à terceira
pessoa: "Sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em
geração" (v. 50). Tal como acontece no Cântico de Ana, escrito após o
nascimento de Samuel, no Cântico de Maria Deus inverte os valores humanos.
Podemos constatar isso através de dois exemplos:
Primeiro,
Deus destrona os poderosos e exalta os humildes. Ele agiu assim com faraó e com
Nabucodonosor, ao resgatar Israel do exílio. Ele continua agindo assim hoje. Se
nos colocarmos de joelhos ao lado do publicano arrependido, Deus nos exaltará e
nos aceitará com seu perdão.
Segundo, Deus despede
os ricos de mãos vazias e enche de coisas boas os famintos. Maria sabia,
através do Antigo Testamento, que o reino de Deus haveria de vir, e esperava
ansiosamente por esse dia. Um anseio profundo no coração é condição indispensável
para a bênção espiritual, enquanto que uma arrogante auto-suficiência é o seu
maior inimigo.
Se desejarmos herdar as
bênçãos de Maria, devemos cultivar as mesmas qualidades demonstradas por ela,
especialmente um espírito humilde e um profundo anseio pelas coisas
espirituais.






