Precisamos fazer uma
distinção, que creio que a Bíblia faz, entre o julgamento que recebemos logo
após a morte no qual somos levados diante de Cristo e o que a Bíblia chama de
julgamento final. Há uma razão pela qual a Bíblia se refere ao último
julgamento como último. Aquilo que é último pressupõe que tenha havido algum
tipo de julgamento antes dele. A Bíblia diz que ao homem está determinado
morrer uma só vez, e então o julgamento. Penso que há muito no Novo Testamento
que indica que no momento em que morremos, experimentamos pelo menos um
julgamento preliminar.
Paulo, por exemplo, diz
que anseia partir e estar com Cristo o que é muito melhor do que permanecer
aqui nessa vida e no ministério que ele tinha. O cristianismo histórico tem
quase universalmente confessado a idéia de que os santos que partem vão imediatamente
para estar na presença de Cristo, naquilo que é chamado o gozo do estado
intermediário, isto é, somos espíritos desencarnados e esperamos pela
consumação final do reino de Cristo, quando experimentaremos a ressurreição do
corpo.
Quando, no Credo dos
Apóstolos, dizemos: "Creio na ressurreição do corpo," não estamos
falando sobre o corpo de Cristo, mas sobre nossos futuros corpos ressuscitados.
Como eu disse, o cristianismo histórico crê que há uma transferência imediata
desse mundo para a presença de Cristo, pelo menos em nosso estado de espíritos
desencarnados. Para que isso aconteça, é necessário que algum julgamento tenha
lugar. Por exemplo, Paulo não seria introduzido à presença de Cristo
imediatamente após sua morte sem que Cristo avaliasse primeiro que Paulo é um
dos seus — que ele é um homem justificado num estado de salvação. Creio que há
uma divisão preliminar entre o trigo e o joio, antes do julgamento final no
último dia, do qual a Bíblia fala. Jesus avisa repetidamente sobre o último julgamento.
Muito poucas pessoas em
nossa cultura secular pensam que uma discussão sobre julgamento seja relevante.
É politicamente incorreto julgar os outros ou, até certo ponto, até a nós
mesmos — distinguir entre certo e errado, verdade e falsidade. Entretanto,
essas mesmas pessoas elogiam os ensinos de Jesus como sábios e maravilhosos.
Mas se Jesus de Nazaré ensinou alguma coisa, ele ensinou enfática e
repetidamente que cada um de nós será de fato trazido diante do trono de Deus
para um julgamento final.






